Teresa Villaverde

"A favor da claridade – Um filme de Teresa Villaverde para Pedro Cabrita Reis", marca o regresso da realizadora e a estreia nos documentários.

Já estreou o mais recente trabalho de Teresa Villaverde, “A favor da claridade – Um filme de Teresa Villaverde para Pedro Cabrita Reis”. Este é um filme de alguém que diz ter feito o que quis, como quis e no tempo que quis. Algo raro nos tempos que correm…

Tudo isto surgiu seguindo a tradição de haver um documentário a partir da sua obra para os artistas que representam Portugal na Bienal de Veneza. Neste caso, falamos de Pedro Cabrita Reis.

Os dois artistas eram meros conhecidos antes da realização deste documentário. Pedro Cabrita Reis diz que Teresa Villaverde era ideal para isto e, como tal, insistiu perante a primeira recusa da realizadora, até que finalmente ela aceitou fazê-lo. Feito o acordo, a equipa de Teresa Villaverde acompanhou o artista a Veneza, Inglaterra e Alemanha, num acompanhamento das exposições da sua obra.

Perante o resultado final, Pedro Cabrita Reis ficou encantado, considerando-o poderoso. O documentário fala da força dos sons, na densidade. É complementado por duas vozes “off”, a de Teresa Villaverde e Ana Moreiram que vão lendo textos poéticos e títulos de obras de Pedro Cabrita Reis. Só existe um frente-a-frente com a câmara em toda a obra e surge com a Cabrita Reis a dizer que o Homem começou a fazer arte quando Lúcifer foi expulso do Paraíso e a mão do Homem começou a sua guerra com a mão de Deus.

Teresa Villaverde nasceu em 1966 em Lisboa e a sua actividade cinematográfica não se tem limitado à realização, tendo participado como actriz, cenógrafa, argumentista, assistente de realização e de montagem em diversas produções.

Estreou-se como realizadora com a longa-metragem “A idade maior”, de 1990, uma reconstituição do Portugal do início da década de 70, marcado pela Guerra Colonial, um tema que surge aqui retratado por uma cineasta da mais nova geração, premiada com alguns prémios de revelação por este filme. No ano seguinte, o Festival de Cinema de Berlim, passa esta sua obra.

Desde então, tem sido convidada para inúmeros Festivais Internacionais, como o Festival de Roterdão, Festival de Londres, os Festivais de Montreal e Toronto, Festival de Cinema de Turin, nos encontros cinematográficos de Dunkerque, Festival Internacional de Créteil et du Vai de Mame (Films de Femmes), Reflex du Cinema Iberique et Latino-Américain (Villeurbanne), Festival de Clermont Ferrand, New Films/New Directors (New York), ou o Kuala Lumpur Festival

Em 1994, realizou “Três Irmãos”, igualmente protagonizado por Maria de Medeiros, que foi várias vezes premiada pelo desempenho nesta segunda obra de Teresa Villaverde. Este filme tem como cenário uma Lisboa onde a comunicação entre as pessoas se torna cada vez mais difícil.

Após uma curta-metragem em 1996, “O amor não me engana”, realiza a sua obra mais elogiada até à data, “Os mutantes”, de 1998. aqui não existe um enredo, uma narrativa no sentido mais tradicional. É um filme sobre jovens habitantes de bairros ditos “marginais”, gente incapaz de se integrar no modelos sociais vigentes.

Em 2001, surge “Água e Sal”, um filme algo autobiográfico, dominado pelo mar e a sua força, em contraste com os sentimentos das personagens.

Já este ano, brinda-nos com “A favor da claridade – Um filme de Teresa Villaverde para Pedro Cabrita Reis”, uma obra que vale a pena ser testemunhada.



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