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Tetris

Criado por Alexey Pajitnov na União Soviética, o Tetris é um dos jogos mais conhecidos do mundo. 25 anos depois, continua a dar luta. Esta é a nossa homenagem.

No mundo dos jogos de vídeo, o tempo de vida destes é, salvo raras excepções, muito curto. Trata-se de uma das maiores indústrias e a procura de estar constantemente na crista da onda, por parte das produtoras de jogos, leva a que se aposte continuamente em novos e melhores jogos. No entanto, como qualquer regra, esta também tem as suas excepções e a que melhor a contraria é provavelmente o exemplo do Tetris.

Corria o ano de 1984 quando Alexey Pajitnov, na Academia de Ciência da União das Républicas Socialistas Soviéticas (URSS) onde então trabalhava, desenhou e programou o Tetris. O nome deriva da aglutinação do prefixo grego “tetra” (todas as peças do jogo, chamadas tetraminós, são compostas por quatro partes iguais) e ténis, o desporto preferido do seu criador. As regras do jogo, essas, são bastante simples: arrumar as peças que vão surgindo de maneira a preencher linhas que, se completas, se eliminam automaticamente e, com isto, garantir que haja sempre espaço para continuarem a aparecer novos tetraminós.

Desde a sua primeira versão que o jogo de Pajitnov é um sucesso. Primeiro, junto dos seus colegas de academia, depois, na cidade de Moscovo, onde Alexey vivia e trabalhava e, mais tarde, também em Budapeste, onde fora copiado. Nestes primeiros anos, apesar de algum sucesso, a história do Tetris está marcada sobretudo por nenhum reconhecimento ou lucro para o seu criador, assim obrigava a ideologia política da URSS, algumas batalhas legais e muita disputa entre empresas rivais do bloco capitalista interessadas na aquisição dos direitos legais do jogo.

No entanto, as disputas legais terminam, em 1989, com a atribuição do direito de produção e distribuição à japonesa Nintendo. Depressa a empresa do canalizador com sotaque italiano passou a incorporar um cartucho de Tetris com cada uma das suas consolas portáteis Game Boy que vendia. Desta forma, o jogo de Pajitnov deixa para trás o passado, na União Soviética, de conflitos legais e começa a encarar, já do outro lado da cortina de ferro, um futuro brilhante.

Nestas últimas duas décadas e meia, a presença e influência do Tetris cresceram de forma astronómica e tornaram-se marcantes. Não há um único formato, seja cassete, cartucho ou disco compacto, em que não seja possível encontrar um exemplar da família Tetris e qualquer consola de jogos de vídeo que se preze tem a sua versão deste jogo. É também verdade que são raras as pessoas que em algum momento da sua vida, por mais breve que possa ter sido, não jogaram e vibraram com este jogo russo. E, como se não bastasse, o mesmo é alvo de homenagens, por exemplo, nas maiores séries televisivas ou no motor de busca Google, que trocou o seu logo por um escrito em peças de Tetris.

Só a título de curiosidade, para os adeptos das teorias da conspiração, convém relembrar que o ano de 1989, em que esta criação soviética se torna num sucesso capitalista, é o mesmo ano da Queda do Muro de Berlim, que marca, exactamente, o começo do fim do bloco de leste. Por outro lado, diga-se que de todos aqueles que, em plena Guerra Fria, trocaram de lado, não importa a direcção em que navegaram, o Tetris foi provavelmente o que mais lucrou com essa mudança. De facto, o potencial capitalista que se veio a comprovar ser genético no Tetris é ainda hoje impossível de suster e prova disso são as constantes reedições do jogo e contínuo renovar de gerações adeptas deste simples jogo, cuja fórmula reside no facto de o jogador estar, desde início, condenado a perder, seja pelo azar das peças que surjam, seja pelo seu próprio cansaço ou limitação física da crescente velocidade do jogo.



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