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The Apartment

Entrevista a Stefan Boublil e a história de The Apartment. Um estúdio multidisciplinar nova-iorquino que atravessa disciplinas como Design, Branding, Arquitectura e Marketing.

Stefan Boublil é uma pessoa com um grande desejo de viver e um espírito requintado. De origem francesa, emigrou para Nova-Iorque aos vinte anos de idade, dedicando-se a várias áreas como a filosofia, o cinema ou a fotografia. Porém, quando chegou a altura de ter uma profissão, perguntou a si próprio porque teria de escolher apenas uma. Porque não usar a sua experiência e optar por uma actividade diversificada?

Fundou então a agência The Apartment em Nova Iorque, dedicando-se a várias áreas como o design, arquitectura, branding ou marketing. O seu objectivo seria o de criar um “apartamento” onde a criatividade poderia ser mais orgânica e baseada no desejo de viver.

Stefan acredita que a sua intervenção inclui parâmetros sociológicos e de proximidade e por isso foca a sua atenção no propósito dos seus clientes e na finalidade dos desafios que estes lhe propõem. O fundamento do seu trabalho advém de um sentimento próximo de um amor hipnótico. Da mesma forma que advoga que o amor entre duas pessoas é um sentimento de atracção, acredita também que um espaço transmite esse encantamento, dependendo da intenção do seu projecto. Em suma, Stefan assume que um cliente é como um amante: alguém que deve ser acarinhado e compreendido.

Um bom exemplo desta prática é o “The Black Apartment”. Um projecto desenhado para a residência de Cindy Gallop e cujo briefing foi muito simples: “De noite, quero-me sentir num clube nocturno em Shangai.” A resposta de Stefan foi igualmente simples e em forma de proposta perguntou: “E se vivesse numa caixa chinesa lacada de preto?” Cindy aceitou um projecto luxorioso onde as paredes foram cobertas com cortinas pretas, o tecto pintado de preto e o pavimento revestido a alcatifa preta, a iluminação trabalhada com focos de luz quente para evidenciar os objectos de decor que são sintomáticos da sua personalidade excêntrica e arrojada. Através deste projecto é possível ver o grau de cumplicidade que Stefan e a sua equipa conseguem atingir com os seus clientes.

Outro projecto igualmente cativante, mas de cariz diferenciado, é o Yelo Wellness Center. Este é um trabalho de âmbito comercial que foi descrito por Stefan como um projecto de 360º graus por englobar todo o desenvolvimento de conceito, logótipo, marketing e design.

O Yelo é um centro onde os clientes alugam pequenas cabines para dormir a sesta e relaxar o corpo e a mente. Apoiado na delicadeza deste negócio, Stefan afirma a necessidade de projectar um espaço que não fira susceptibilidades e consiga induzir o conforto e desviar a atenção para as sensações corporais.
O espaço tem duas áreas, sendo a primeira a de recepção que é o elemento de transição entre a rua e o centro.

Aqui o tom dominante é o rosa e justifica-se por transmitir sensualidade e requinte aos clientes. De seguida, um corredor de acesso às cabines em tons de amarelo, marcando a divisão de espaços, mas também transmitindo uma sensação de calor e descontração. As cabines por seu turno são pequenos ninhos de relaxamento e por isso, explica Stefan, foram pensadas sem ângulos rectos ou cantos. Com uma iluminação relaxante e com materiais confortáveis ao toque e à vista, estes pequenos cubículos são agradáveis retiros onde uma pessoa se alheia de tudo e concentra-se apenas no seu tratamento.

Outro dos projectos mais significativos desta agência foi a conversão de um dos primeiros centros YMCA dos E.U.A., que outrora fora um campo de basquetebol com uma pista de atletismo suspensa, num magnífico loft de 650m2 com uma cozinha, sala de jantar, sala de cinema, jardim interior, cinco quartos, entre outros.

Ao contrário dos outros dois projectos, este foi desenvolvido sem cliente e emergiu da intenção de criar um espaço demonstrativo do potencial desta agência, mas ao mesmo tempo criar um laboratório onde novas técnicas e ideias pudessem ganhar forma. Aqui, todos os elementos foram desenhados e fabricados, as reparações meticulosamente resolvidas e os acabamentos escolhidos com um sentido de grande qualidade. O resultado de um trabalho tão minucioso só poderia ser o sucesso, pois este espaço já foi cenário para vários acontecimentos como filmes, séries televisivas e sessões fotográficas.

Este espírito empreendedor é algo que devemos reter, especialmente aqueles que habitam cidades como Lisboa, onde a existência desmedida de espaços mortos é sinónimo de uma inércia decadente que deve ser combatida pela dinamização e enriquecimento de uma cultura.

Para finalizar, Stefan aconselha os jovens que se lançam no mercado: “Devem escolher cedo se querem um emprego ou se querem ter uma vida. Não faço julgamentos de valor sobre qualquer uma delas, pois são ambas honráveis, mas são diferentes entre si e vão ditar dois destinos diferentes. Pensem no que aprenderam na escola e retirem daí o seu devido valor. Questionem-se sobre se a vida não vos poderá oferecer conhecimentos valiosos e questionem sempre tudo e todos. Mas, acima de tudo, não ouçam o que eu digo.”



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