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The Black Lips de regresso a Portugal

E pedem mamas para o concerto!

Os Black Lips têm regresso marcado a Portugal! Depois de duas passagens pelo Barreiro Rocks e uma dupla actuação entre o Porto-Rio e o Lux, o quarteto norte-americano volta ao nosso país (dia 11 de Novembro, na Caixa Económica Operária), sem nenhum álbum novo na bagagem que o justifique. Apenas porque sim. E porque “é sempre divertido tocar em Portugal”, explica o baterista Joe Bradley.

No entanto, o concerto no Porto, em Abril do ano passado, não acabou propriamente bem. Houve invasão de palco, pancadaria entre público e banda e alguns danos materiais e físicos, incluindo um dedo partido na audiência. Joe Bradley revela que foi “insultado verbalmente”, algo que acabou por despoletar uma reacção da sua parte (e da restante banda). E depois tudo foi alimentado pela “muita bebida”, como está (parcialmente) documentado num vídeo-amador alojado no maravilhoso mundo do youtube.

Mas Joe Bradley desdramatiza a situação. Assim como as recentes notícias que deram conta de um desaguisado entre o baixista Jared Swilley e o tipo dos Wavves, Nathan Williams (que terá mesmo chegado a vias de facto), com posteriores ameaças na Internet de parte a parte. “Foi algo estúpido que se tornou ainda mais estúpido, mas já está tudo resolvido”, garante Bradley, acrescentando que “não é um problema, nem nunca foi um problema” a relação entre a banda e os Wavves.

Por isso, Joe Bradley não teme que fiquem rotulados por este episódio como uma espécie de banda mal-comportada nem tão pouco que essa rivalidade entre Black Lips e Wavves os transformem nuns novos Oasis e Blur. “A história é que define os acontecimentos, não são as pessoas”, conclui de forma inesperadamente filosófica. No entanto, há algo de que os Black Lips não conseguem escapar: das actuações caóticas. Pancadaria, material destruído, beijos na boca entre os membros e nudez são alguns dos condimentos habituais de uma actuação da banda.

Bradley realça que a banda “não encoraja ninguém a despir-se”, por exemplo. São coisas naturais que acontecem nos concertos, resultado da velhinha equação sexo, drogas e rock’n’roll (literalmente, sublinhamos nós). No entanto, não deixa de lamentar que essa iniciativa seja, quase sempre, por parte dos rapazes. Por isso, faz um apelo ao público nacional, esperançoso que este escriba se transforme, de alguma forma, num arauto da palavra: “Mais mamas e menos pilas”.

Podem não ser os Black Lips os causadores dos problemas, mas certinho direitinho é que os problemas os perseguem a eles. Basta ver o que aconteceu em Janeiro último: durante uma mini-digressão pela Índia, explorando a sua faceta de destemidos exploradores – Joe Bradley revela que a banda ainda tem o sonho de tocar em África, na China, no Japão e na Indonésia -, os Black Lips acabaram, primeiro, sob uma chuva de garrafas de plástico, e depois por verem toda a sua digressão cancelada e praticamente expulsos do país (alegadamente, os indianos não são gente muito compreensível perante bandas rock que se despem em palco e curtem entre eles). Bradley explica que foram então para “um refúgio de dez dias, em Berlim”, sob a guarida protectora dos amigos King Khan e Mark Sultan.

A novidade é que, destes dias de férias forçadas, os Black Lips, King Khan e Mark Sultan acabaram por gravar um disco. Baptizaram essa super-banda como os Almight Defenders e, segundo garante Bradley, haverá “digressão europeia em Maio”. O disco já se encontra disponivel e soa a “uma mistura entre o doo-wop, o soul e o rock’n’roll do King Khan e BBQ com a parte psicadélica dos Black Lips. Tudo isto fundido com uma influência gospel”. Nós ouvimos o disco à posteriori e confirmamos todas as palavras de Bradley: o disco dos Almighty Defenders é malha, em todo o seu glorioso analógico lo-fi, vozes quentes e sixties beat encharcado em anfetaminas.

Mas até Maio ainda faltam alguns meses. E pelo meio temos o tal concerto dos Black Lips na Caixa Económica Operária. Joe Bradley revela que a banda vai “gravar um disco novo em Dezembro”, por isso “é bem provável” que a actuação em solo nacional apresente algumas canções novas. No entanto, “200 Million Thousand”, o álbum que foi lançado este ano, é um cartão de visita assinalável, fazendo juz ao epíteto de “Beatles das cavernas”, muitos volts acima do recomendável e, por isso, mesmo que o venham tocar apenas na íntegra já vale bem a pena o concerto.

E o novo disco vai soar a quê? Não se espera que a fórmula mude, mas Joe Bradley vai dando umas dicas sobre o que a banda vai ouvindo nestes dias de digressão, pelas estradas intermináveis da Europa: Bob Dylan, claro, uns trabalhos recentes (e que são “lixo”) dos The Fugs, “banda psicadélica e primeiros a dizerem asneiras nas suas letras”, ou a colectânea “Black Mirror”, um disco “muito interessante” que tem o sub-título “Reflections in Global Musics 1918-1955” e que é “uma mistura entre psicadelismo e world music”. E quanto a bandas portuguesas? A pergunta é parva, mas era obrigado a fazê-la. E a resposta foi a esperada: “Nenhuma”. Mas ficou a promessa de que há uns cds de umas bandas brasileiras lá por casa.

Sempre que ouvimos falar dos Black Lips eles estão em digressão. Mesmo quando estão em casa a gravar um álbum, parece que andam em digressão. A tocar nos Estados Unidos, na Europa, no México, em Israel… Joe Bradley garante que “não têm vida pessoal”, um “sacrifício” que têm que fazer perante a carreira que escolheram. No entanto, em compensação, realça as “inúmeras experiências” que têm mais possibilidades de viver. É verdade que às vezes preferiam “um pouco mais de vida doméstica”, mas estão conscientes de que, “no futuro, vão ter tempo para isso”. Além disso, viverem em grupo tantos dias seguidos “até é giro”. Uma vez que são todos “bons amigos, quase como uma família, que se respeita e se compreendem uns aos outros”.

E quanto ao melhor sítio para tocar? Joe Bradley opta – inesperadamente, digo eu – pela resposta politicamente correcta: “Todos são bons”. “As pessoas são todas iguais e, apesar de algumas diferenças culturais, todas gostam de dançar, comer comida e ouvir música”. No entanto, aposto que se houver umas meninas mais atrevidas disponíveis para mostrar alguma pele e, assim, responder ao repto da banda no próximo dia 11 de Novembro, os Black Lips terão isso em consideração numa próxima entrevista. Afinal, mamas fazem uma grande diferença.



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