The Blood Brothers em Portugal

Ruim, grosseiro, obsceno... mas no bom sentido! 20 de Fevereiro em Corroios.

O Português e o Inglês são duas das línguas mais faladas no Mundo. A primeira deriva do latim, e a segunda provém dos dialectos celtas e dos povos anglo-saxónicos do Norte da Europa. Por isso, são duas línguas bem diferentes, tanto gramaticalmente como foneticamente.

Se por sua vez o inglês é uma língua mais musical, com uma fonética que melhor se encaixa nas melodias e nas estruturas da música contemporânea, o português é uma língua mais romântica, com uma grandiloquência mais nobre para a exaltação oral da poesia. Claro que estas são opiniões estritamente pessoais. Mas servem aqui para introduzir uma pertinente questão.

Tal como existem palavras portuguesas cuja tradução para o Inglês não é cem por cento literal – “saudade” é, quiçá, a mais famosa –, o oposto também acontece. E um desses exemplos é a palavra “nasty”, quando utilizada como adjectivo musical. Quando dizemos que uma banda rock pratica uma sonoridade “nasty”, queremos dizer que é um rock rugoso, áspero, cru ou visceral. No entanto, nenhum destes adjectivos tem o mesmo valor que “nasty”, que vem traduzido no dicionário como “ruim”, “grosseiro” ou “obsceno”.

Esta longa introdução apenas para introduzir os Blood Brothers, que se vão estrear ao vivo em solo português. É que os Blood Brothers são, sem dúvida, a banda rock em actividade mais nasty de todas – ruins, grosseiros, obscenos… mas no bom sentido!

Formaram-se em Seatlle, em 1997, mas contornaram o grunge, as camisas de flanela e o folclore inerente. A eles interessava mais o punk-rock rebelde, volátil e agressivo dos Stooges, a electricidade da no-wave nova-iorquina dos Sonic Youth e o estilo vocal do harcore. Por isso, os Blood Brothers sempre se colaram mais aos Mudhoney ou aos Fugazi do que aos seus conterrâneos Nirvana ou Pearl Jam.

Ao longo dos discos a sua sonoridade foi evoluindo para algo mais perto do noise, do experimental e até do electrónico, que alguém catalogou como art-punk, seja isso o que for. Contudo, com “Young Machetes”, o álbum de originais de 2006, a banda regressou às origens do rockabilly alucinado, do funk demoníaco e às guitarras abrasivas do pós-punk que lhes valeram o reconhecimento inicial.

Subindo a pulso com muitos quilómetros de estrada e suor gasto a carregar amplificadores e colunas, os Blood Brothers chegam finalmente a Portugal, na velhinha tradição do rock, longe dos adventos recentes do myspace e do mp3. 

A digressão europeia termina então no nosso país, na (pouco usal) cidade de Corroios, no próximo dia 20 de Fevereiro. A acompanharem-nos vêm os The White Crime Club, que têm sido os seus companheiros de estrada, e os portugueses If Lucy Fell. As portas do Ginásio Clube de Corroios abrem às 21 horas.

Quer-me parecer que no próximo dia 20 muita gente vai conhecer Corroios pela primeira vez…



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