The Bravery

Entrevista com os nova-iorquinos.

“The Bravery”, disco homónimo de estreia dos norte-americanos, foi editado há já alguns meses, mas só agora começa a expandir-se verdadeiramente. «An Honest Mistake» e «Unconditional» são temas quase obrigatórios em qualquer discoteca.

As referências são relativamente óbvias: ao apelo dançável dos Duran Duran e às descendências electrónicas dos New Order alia-se uma alma rock muito vincada que fez dos The Bravery um caso evidente de sucesso em tempos recentes. Em Fevereiro regressaram a Portugal, depois de no ano passado terem marcado presença no Festival Paredes de Coura. Desta vez, o motivo foi outro: fazer a primeira parte dos Depeche Mode. Numa tarde solarenga, e à beira-rio, o baixista Mike H. analisou o passado, comentou o presente e projectou o futuro dos The Bravery à Rua de Baixo.

RDB: Como tem corrido a digressão com os Depeche Mode?

Mike H.: Muito bem. A começo estávamos com algum receio que os fãs dos Depeche Mode não fossem gostar de nós, mas as reacções até agora têm sido óptimas. Os próprios Depeche Mode são pessoas muito simpáticas, tínhamos algum receio a começo de falar com eles nos bastidores mas eles são óptimas pessoas.

Sumariamente, como tem vindo a evoluir a carreira dos The Bravery até hoje?

No início, a nossa preocupação maior era tocar ao vivo. Éramos péssimos, para que conste (risos). Tocámos imenso em Nova Iorque e Boston e uns tempos depois fomos para o Reino Unido dar concertos também. Metemos algumas canções na Internet para as pessoas ouvirem e ao mesmo tempo fomos gravando o nosso primeiro disco. Creio que hoje em dia somos uma banda muito mais forte e coesa do que a começo.

Referiste a Internet como forma de promoção. Como vês um site como o MySpace, onde qualquer pessoa pode ter uma conta lado a lado com bandas consagradas e nomes menores que dão a ouvir os seus temas, etc?

Os The Bravery foram das primeiras bandas a ter MySpace, curiosamente. Hoje em dia o site funciona de uma forma um bocadinho diferente. Mas a verdade é que ajudou-nos bastante e é uma arma promocional muito forte.

O vosso disco de estreia foi gravado num método muito Do-It-Yourself. Contudo, hoje em dia os The Bravery têm um forte apoio editorial. Não será isso um paradoxo?

A grande vantagem de ter uma editora a apoiar-nos é que neste momento já não somos nós que carregamos o nosso material (risos). A verdade é que a editora não funciona como as pessoas pensam. Não nos dão ordens, bem pelo contrário, adoram as nossas ideias para telediscos, etc. Obviamente que para o nosso segundo disco as coisas já serão mais trabalhadas, já teremos um produtor fora da banda, por exemplo.

Os The Bravery fizeram versões de gente como os Cars ou os U2. Como se sentem a trabalhar nas canções de outras bandas?

É interessante, mas não tão estimulante como criares as tuas próprias músicas. Fazíamos imensas versões a começo porque tínhamos poucos temas originais, sinceramente era mesmo por isso (risos). Curiosamente, há uns dias vi o contrário, vi na televisão uma amostra dos Athlete a tocar uma versão acústica da «An Honest Mistake». Infelizmente não consegui encontrar essa versão na Internet (risos).

Como sentes a cena musical de Nova Iorque actualmente?

Honestamente já não vou a Nova Iorque há algum tempo. Há alguns anos, por voltas do primeiro disco dos The Strokes e depois com os LCD Soundsystem, Nova Iorque parecia a cidade ideal para se ter uma banda. Hoje em dia creio que já não será tanto assim.

Terminada a digressão com os Depeche Mode, quais são os planos mais imediatos para os The Bravery?

Este ano vamos fazer muito poucos Festivais de Verão, ao contrário do ano passado em que houve uma aposta forte nesse sentido. Temos estado actualmente, ao longo da digressão, a gravar temas novos no estúdio montado no nosso tourbus e contamos dar seguimento a isso nos próximos tempos. Temos de acelerar o processo de composição e gravação do segundo disco.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This