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The Courteeners

Long Live Manchester

Os The Courteeners apresentaram-se, pela primeira vez em Portugal, no já longínquo Paredes de Coura 2010. Apesar de jovens, pode-se ler na capa da NME que são a “maior banda de culto do Reino Unido”. Os críticos não foram em cantigas mas o Morrissey convenceu os fãs. A Rua de Baixo falou com Liam Fray, o frontman da banda, para saber mais sobre este fenómeno.

Liam Fray (guitarra/voz), Michael Campbell (bateria/ coros), Mark Cuppello (baixo) e Daniel Conan (guitarra) são os The Courteeners, a actual banda sensação do Reino Unido. Editaram o seu primeiro disco “St. Jude” em 2008 e, no início de 2010, o seu sucessor, ‘Falcon’, ambos com a assinatura da Universal.

Crescer em Manchester, o berço de ouro da pop britânica, é uma faca de dois gumes, se por um lado é a cunha perfeita para bandas que estão a começar, por outro não deixa de ser um fardo por todas as comparações feitas ao que de melhor Manchester viu nascer. Ainda assim, Liam Fray não hesita em afirmar que Manchester é “definitivamente um sítio especial”. Não é na cidade onde nasceu que vai buscar as suas bandas de sempre. Apesar de não influenciarem a sua música, foi a ouvir Bob Dylan, Neil Young, Joni Mitchell ou até os Clash – que fizeram parte de uma curta das suas muitas fases musicais – que quis ter uma banda.

Em “St.Jude”, conta o vocalista da banda, pode-se ouvir muito de Sex Pistols, The Libertines ou Clash. Sobre o apelido pós-The Libertines que atribuem à banda assume-o: “foram uma banda muito influenciável na Inglaterra, por isso podemos concordar”. Acrescenta ainda que Pete Doherty “tem um jeito incrível com as palavras”.

Já em “Falcon”, “somos uma banda mais coesa que há dois anos atrás”, conta, também porque admite ter crescido emocionalmente enquanto compositor de canções. “Escrevi o “St. Jude” quando tinha 18, 19 anos, estava sempre chateado com o mundo e a pensar no que deviam ser os anos noventa”, por outro lado, “quando tens 23, 24 anos escreves sobre coisas diferentes. Já viste o mundo e é difícil queixares-te sobre a vida, se viajaste pelo mundo com os teus melhores amigos e conheceste pessoas todos os dias e viveste culturas diferentes e comeste coisas diferentes”, confessa Fray. ‘Falcon’ é, naturalmente, mais confiante, um disco onde se nota que levaram as coisas mais longe. O que leva Liam a crer que o próximo disco será ainda melhor.

As suas músicas falam sobre experiências muito pessoais e seria muito mais difícil se assim não fosse, diz. Tem noção de que “se a crítica diz algo de negativo nunca é sobre a música é sobre mim, nunca é sobre a música é sobre a letra”, mas não se demonstra incomodado, afirma-se como um compositor egoísta: “não me importo do que as pessoas pensam sobre as letras que escrevo”.

Quando se fala dos The Courteeners todos os caminhos vão dar a Morrissey. Muitos diriam que o talento da banda está naquilo que o líder dos extintos The Smiths diz sobre ela. Afirmar que os The Courteeners são a melhor banda que a Inglaterra viu nascer nos últimos tempos gerou alguma controvérsia, a crítica e o público não parecem estar de acordo. Crê-se que é a Morrissey que os ‘The Courteeners’ devem o seu sucesso. O orgulho de Fray nessas declarações é visível. Quando lhe pergunto se apesar de toda a crítica a opinião de Morrisey é o melhor elogio que os The Courteeners podem ter, não hesita em responder: “sim, sim, a cem por cento” e ainda nos relembra, orguhoso: “nem todos conseguem isso”.

A propósito do nome que deu ao primeiro disco, “St.Jude” – padroeiro das causas perdidas –, quisemos saber quais são as causas que considera perdidas. Mas é ao contrário, para Liam Fray não existem causas perdidas: “não somos causas perdidas, há sempre alguma coisa que nos ajuda a conseguir”. Passou um ano a estudar Gestão, na Universidade, rodeado de pessoas com quem não se identificava, mas quando se poderia pensar que estava tudo perdido, decidiu desistir da Universidade, começou uma banda e passado uns meses assinou pela Universal: “foi uma vitória”, confessa. É por isso que remata: “não devemos desistir de nada”.



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