The Dandy Warhols

The Dandy Warhols – Aquela máquina

12 anos depois, as teorias da conspiração regressam em força, 12 anos depois, acreditamos que os Dandy Warhols já não sobrevivam das royalties de “Bohemian Like You”.  A relevância da banda de Courtney Taylor-Taylor é a que lhe quiserem dar. Entrevista ao vocalista que acha que o único sucesso dos Dandys em 15 anos de banda foi um acidente

“Cause i like you, yeah i like you, and i’m feeling so Bohemian like you, yeah i like you, yeah i like you, and i feel uuh, uuh, uuh, uuh!”. Lembram-se? Estes são os Dandy Warhols de “Bohemian Like You”, canção longínqua, de 2000, ainda hoje o grande sucesso comercial da banda de Brent DeBoer, Peter Holmstöm, Zia McCabe e Courtney Taylor-Taylor. Entrevistar os Dandys, 12 anos depois de “Thirteen Tales from Urban Bohemia”, o disco de «Bohemian Like You», significa que já não estamos perante jovens de 20 e poucos anos, significa que estamos na presença de trintões, veteranos desta guerra que é manter relevância no rock do século XXI. Afinal de contas, os Dandy Warhols já existem há mais de 18 anos, o que, no que diz respeito a longevidade, nos dias que correm, é notável. Assim, de repente, pensando no assunto durante 15 segundos, pensamos numa outra banda que sucumbiu perante a incapacidade de renovar a sua base de seguidores, os Supergrass, esses mesmo que com essa muito Rolling Stones «Pumping On Your Stereo» obtiveram os seus 15 minutos de fama. Os Supergrass chegaram ao fim, depois de quase 20 anos de álbuns e muita estrada.

Os Dandy Warhols já cá andam há mais de 18 anos. “Acho que a única coisa que não mudou é o facto de a música para miúdos espertos não vender tanto como a música para miúdos estúpidos. O entretenimento vende mais que a arte, o rock não vende tanto como a música para discoteca”. Este primeiro discurso de Courtney Taylor-Taylor, vocalista e cérebro da banda, parece inflamado e incomodado, mas logo acrescenta: ”mas nada disto nos interessa.” “This Machine” é mais um disco dos Dandys, o oitavo de uma carreira regular, ainda que isso não signifique elevados níveis de entusiasmo. “This Machine” é mais um disco dos Dandy Warhols, portanto, um disco que nada acrescenta ao que já fizeram antes, um álbum que não tem essa pretensão. “ Continuamos a ser uma banda de rock. O nosso som continua a ser único, mas aparentemente não tão estranho como quando começámos.”

Em 2000, o mundo achava que a mudança de milénio precipitaria o seu final, a extinção humana. Em 2012, acreditamos que os Maias tinham razão, acreditamos que no dia 21 de Dezembro tudo chegará ao fim. Em 2000 os Dandys deram-nos o seu maior sucesso comercial «Bohemian Like You». E agora, em 2012? “Talvez a «Autumn Carnival», mas é apenas um «talvez». Qualquer parecença com sucesso que tenhamos feito foi um acaso, um acidente. Se acidentalmente tivermos um sucesso este ano, gostaria que fosse a «Autumn Carnival»”, diz-nos. «Bohemian Like You» é irrepetível? “Não faço a mínima ideia”, conclui.

Os Dandy Warhols não são uma banda de hoje, acreditamos. Continuam, por exemplo, a dar uma grande importância ao trabalho gráfico dessa peça em risco de extinção que é o compact disc (CD) – o artwork é, por exemplo, um trabalho complexo. “Exacto [a capa tem imensos significados]. Na América, tivemos uma tendência das bandas para o ar livre, pelo que estávamos bastante relutantes em ir para o «nordeste pacífico» com a nossa capa, mas, no fim, sentimos que precisámos de documentar isto e preferíamos assemelhar-nos à tendência de outrem que está fora de moda a uma [coisa] que está na moda. De uma forma ou de outra, honestamente, é o que nós somos”, explica. E o futuro, o que têm a dizer sobre o “fim” da indústria? “Oh, quem sabe? Eu não sei.”

“This Machine” – O álbum

Façam uma pequena sondagem, perguntem a uns cinco amigos/conhecidos quantas são as canções que conhecem dos Dandy Warhols. A resposta, a não ser que incluam Zé Pedro, o dos Xutos, nessa sondagem, será invariavelmente uma, «Bohemian Like You». Não tem mal, são os próprios Dandy Warhols a assumir que colocar mais de 10 ou 15 singles no TOP 10 de, pelo menos, 30 países não é o seu objectivo. Não, o objectivo dos Dandys é outro, é manterem-se relevantes e, ao mesmo tempo, fiéis a todos os que os seguiram até hoje. Problema: os fãs serão cada vez menos. A relevância do quarteto, nesta altura de um cada vez mais difícil campeonato, é quase nula. Em Portugal, deve ser comparável à de uns Stereophonics por exemplo – que, a propósito, colocaram mais singles nos TOP 10 de todo o mundo. Mas voltem a perguntar aos tais cinco amigos, voltem a perguntar a esses cinco se sabem que os Dandy Warhols têm novo disco, este “This Machine”.

É mais um disco dos Dandys, pois então, mais um disco com elevadas doses de nada de novo – coros, guitarras carregadas de distorção, os Jesus & Mary Chain, psicadelismo, os Velvet Underground, canções a preto-e-branco, os Joy Division. Nada contra, dos Dandy Warhols já não esperamos grandes revoluções, já nem sequer esperamos um novo hino radiofónico. “This Machine” é isso mesmo, um disco sem sobressaltos, com tudo o que isso tem de bom e mau.



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