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The Datsuns

A banda neo-zelandesa regressa a Portugal, três anos após Vilar de Mouros, para apresentar um novo baterista e “Head Stunts”, o mais recente disco de originais. Dia 28 de Fevereiro no Santiago Alquimista em Lisboa.

Ainda se lembram do Datsun 1200? Este clássico modelo da marca japonesa ainda hoje tem milhares de seguidores em todo o mundo. Um culto fomentado pelas características do carro e pelo desparecimento da marca em 1986. Catorze anos mais tarde, numa ilha da Polinésia, um grupo de jovens decide formar uma banda com o nome da marca nipónica e edita um dos discos mais marcantes do proclamado indie rock do início do século. Nove anos depois, com quatro discos de originais editados, continuam com vontade de fazer boa música. Provavelmente, não vão criar um culto superior ao do Datsun 1200, mas o seu nome já se encontra inscrito na história do rock do novo milénio.

Tendo iniciado a sua carreira no mundo da música ainda na escola, em Cambridge, com um projecto denominado “Trinket”, Dolf de Borst (voz e baixo), Phil Buscke (guitarra), Matt Osment (bateria) e Christian Livingstone (guitarra) deram-se a conhecer musicalmente ao mundo em 2000, já como os The Datsuns, com o primeiro single «Super Gyration!». Após alguns concertos na Austrália e mais algumas faixas editadas em vinil, através da editora que os próprios criaram (Hell Squad Records), a banda decidiu mudar-se para Londres.

Depois de passarem meses a dormirem em sofás, a banda caiu nas graças de John Peel e de toda a imprensa britânica que os considerava o futuro do rock. Este mediatismo no Reino Unido rendeu-lhes um contrato com a editora V2 Records, fundada por Richard Brandson (que agora é detida pela Universal) e passaram a ter as contas dos hotéis pagas.

Beneficiando de uma época em que o revivalismo do garage rock estava em “alta”, a banda neo-zelandesa aproveitou da melhor forma a sua designação, bem como o seu visual, apostando num grafismo retro para a capa do seu primeiro disco (“The Datsuns”, editado em 2002). «In Love», o primeiro single extraído do disco, entrou no UK TOP 30 abrindo as portas para uma série de concertos no Reino Unido e Austrália, sempre ao lado de bandas rock mais “pesadas”. Actuaram no Ozzfest em 2003 ao lado de Ozzy Osbourne, Marilyn Manson, Korn e Disturbed e abriram os concertos da tour Australiana dos Metallica em 2004.

Durante esta primeira década no século XXI o conceito de indie rock sofreu várias mutações. O som da banda neo-zelandesa não. Sempre fiéis ao rock mais musculado, energético e minimalista, tendo como referência natural os The Stooges, a banda prosseguiu o seu caminho. O segundo disco de originais, “Outta Sight, Outta Mind” (2004), produzido por John Paul Jones dos Led Zeppelin, foi um pouco negligenciado pela crítica. O mesmo aconteceu com o seu sucessor, “Smoke & Mirrors” (2006). Este último disco marcou também a saída da banda do baterista Matt Osment.

Já com um novo baterista, Ben Cole, amigo de escola dos elementos dos Datsuns, a banda decidiu viver durante o último ano na Alemanha, mas acabou por gravar o mais recente trabalho, “Head Stunts”, editado pela independente Cooking Vynil, na Suécia. Numa entrevista publicada pela revista electrónica “Lost At E Minor”, o vocalista e baixista Dolf de Borst explicou a opção, referindo que “tivemos que sair da Alemanha porque a nossa música estava a tornar-se demasiada psicadélica (…) e a Suécia foi uma excelente opção porque adoram rock n’ roll”.

Embora não se possa considerar que “Head Stunts” marque uma viragem declarada na sonoridade da banda, este novo registo é muito mais eclético, abordando diferentes aspectos do rock n’ roll. O disco abre com uma faixa punk-rock com pouco mais de 2 minutos («Human Error»), terminando nuns longos oito minutos pisicadélicos de «Somebody Better» (talvez influenciados pela sua passagem por terras germânicas). Pelo meio encontramos um conjunto de temas que procuram não descaracterizar o som da banda, mais minimal e pesado, mas que ao mesmo tempo piscam o olho ao formato “pop” de canção.

Com base estabelecida na Europa, a banda teve oportunidade de compor os temas ao mesmo tempo que actuava ao vivo. No final do ano passado, já depois de ter sido editado “Head Stunts” chegaram a actuar 40 vezes em apenas 50 dias. Assim, no dia 28 de Fevereiro, no Santiago Alquimista, será de esperar um concerto bastante rodado que irá passar pelos quatro discos da banda.



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