The Dodos @ Musicbox (06.03.2013)

The Dodos @ Musicbox (06.03.2013)

Energia eléctrica e ritmos no novo voo da banda californiana

O palco do Musicbox recebeu ontem mais um regresso dos The Dodos a território português. No culminar de uma digressão intermédia (com novo disco prometido para o fim do Verão), a banda de São Francisco repartiu o curto alinhamento entre temas dos registos editados e uma boa porção de novidades.

Apresentando-se para uma plateia francamente composta que os aguardava com alguma ansiedade, passava pouco das 23 horas quando Logan Kroeber pegou nas baquetas (na frente direita de palco) e Meric Long ligou o jack à guitarra – bastante eléctricos ao vivo, ao contrário dos registos maioritariamente acústicos – para depressa, e sem grandes apresentações, se atirarem a «Black Night». Resgatada também à primeira posição do último disco de originais (“No Color”), foi uma explícita declaração de intenções – uma máquina de energia crua e componente rítmica impecavelmente oleada.

Depressa se atiraram a inéditos – novas composições ainda sem edição – com o risco associado a este tipo de demonstração. Mas os The Dodos contornaram bem a prova-de-fogo de atingir uma fasquia facilmente tangível com um desfile de singles mais orelhudos e a recepção não podia ter sido melhor. Agradeceram à audiência por ter ouvido os novos temas e não os ter odiado – visivelmente satisfeitos com o entusiasmo com que as composições foram recebidas.

Fora do alinhamento terão ficado, contudo, temas de “Time to Die” – como nos confidenciaram antes do concerto, trata-se de um disco com uma produção menos crua, cuja transposição para o formato ao vivo se torna mais difícil. A curiosidade mantém-se em saber como é que esses temas encaixariam num alinhamento como o de ontem, mas as dúvidas acabaram por não ser desfeitas – nem sinal dos portentosos «The Strums» ou «Fables».

Recuperando a guitarra acústica de Meric, que teve problemas com os perdidos e achados no aeroporto – contaram que vinha afinada num tom diferente, insinuando que alguém se terá divertido com ela pelo caminho –, apresentaram um dos momentos mais altos da noite. Originalmente composta na mesma guitarra, a sequência «Walking»/«Red and Purple» foi recebida com uma das maiores ovações da noite – curiosamente o momento mais intimista e, seguidamente, um dos mais turbulentos.

Já a caminhar para o final, os The Dodos introduziram um novo elemento; quem os ouve em disco, talvez não imagine que a dupla tenha grandes competências em produzir sons atmosféricos. A verdade é outra, e os temas que rodearam a pausa do encore colocaram em marcha um momento de quase odisseia espacial bastante surpreendente. Viria a ser quebrada por «Good», que encerraria de forma exímia as hostes de um concerto que só pecou por ser demasiado curto.

Fotografia por Rita Sousa Vieira



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