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The Dorian Effect

I changed my face, now I’m beautiful.

O que têm em comum Pamela Anderson, Carla Bruni, Princesa Letizia, Elsa Raposo e Cláudia Raia? Sim, são mulheres na casa dos 40 anos, reconhecidas por todos nós, mas mais que isso, são mulheres que fizeram operações plásticas e o assumem, sem pudor. Até 27 de Setembro, vamos poder cruzar-nos com estas e outras personalidades nas mesmas condições, no centro de Lisboa.

Roberto Benevides Martins criou “The Dorian Effect”, projecto que junta pintura, vídeo e publicidade onde pretende reflectir sobre o conceito de beleza na actualidade. Partindo dos pontos que mantém com a Antiguidade até à influência que a tecnologia e, particularmente, a cirurgia estética, exercem na noção que temos hoje de beleza. “O conceito é o mesmo de há uns séculos atrás, mas a sua definição é completamente distinta”, afirma Roberto Martins, 31 anos, Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

“The Dorian Effect”, inspirado no romance de Oscar Wilde “O Retrato de Dorian Gray”, procura representar não apenas o desejo de beleza e juventude eternas, mas sobretudo a forma como cada um de nós vê a beleza e encara as diferentes possibilidades que temos actualmente de corporizar essa mesma beleza.

Até 27 de Setembro a arte vem até nós entre cartazes do Pingo Doce, da PT ou de um qualquer perfume. Não teremos de nos deslocar a nenhum museu ou galeria de arte. São dez telas expostas em diferentes MUPI’s da cidade de Lisboa, acessíveis a qualquer um que passe, menos distraído, pela Praça da Estrela, Av. da Liberdade, Parque Eduardo VII, Rua Ferreira Borges, Rua Alexandre Herculano e Rua Artilharia Um.

A ARTE ANUNCIADA

“Queria retirar a pintura do atelier, da galeria e do museu, com o intuito de chegar mais imediatamente às pessoas e também para explorar a área da comercialização”, afirma Roberto Martins que, assim, alia a exposição das obras de arte à lógica da publicidade. Coloca as 10 telas em locais que estamos habituados a associar a cartazes publicitários, sejam paragens de autocarros, passeios, etc., e, assim, começa o processo de comercialização, não da arte, mas do conceito de beleza, a ideia “é mesmo vender a beleza como se de um outro produto se tratasse”, remata o artista.

Roberto Martins utiliza técnicas tradicionais de pintura a óleo num jogo de cores intensas e garridas que acentuam o realismo extremo das figuras representadas. “A cor ajuda-me a exteriorizar aquilo que uma pessoa é, alguns dos pontos mais fortes da sua personalidade”. E é através das tonalidades e energias de cada tela que vamos percebendo e distinguindo as diferentes noções de beleza e ideais que se nos apresentam.

Para chegar à ideia final deste trabalho, Roberto Benevides Martins estudou, investigou e percebeu que, actualmente, dispomos de todas as condições para atingir quaisquer que sejam os nossos ideais e, no que toca a questões de beleza, estes desejos intensificam-se. “Queremos, acima de tudo, corporizar imagens, recriar looks e estilos que admiramos; o que acontece é que o paradigma muda quando surge a possibilidade de transformarmos o nosso próprio corpo para representar esses mesmos ideais. O que aconteceu com as nossas noções de beleza para que ser belo seja algo tão subjectivo e, ao mesmo tempo, tão fundamental que chegamos ao ponto de mudar o nosso corpo, com todos os riscos que isso implica?

Vivemos numa época em que a oferta é de tal forma exagerada que acabamos por querer ser e corporizar todos os nossos ideais”, confessa o autor de The Dorian Effect. “Somos cada vez mais egocêntricos e hedonistas e torna-se mais fácil alcançar a idealização que criámos da beleza em nós mesmos.”

A questão da cirurgia estética aparece precisamente como mais uma possibilidade que, hoje em dia, temos de ser aquilo que idealizamos, “talvez se esta não existisse nem faria sentido falarmos deste novo conceito de beleza subjectiva.” A cirurgia estética permite que cada pessoa “desenhe” no seu próprio corpo aquilo que entende como beleza, daí surgirem diferentes resultados de um conceito que parece, à partida, ser o mesmo.

Estudante do mestrado de Pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, Roberto Benevides Martins pinta celebridades tão díspares, em termos físicos, como Pamela Anderson – com um nítido enfoque para a transformação do peito –, e Jocelyn Wildenstein, onde os típicos padrões do que é belo – lábios grossos, olhos rasgados, etc. – são exagerados a ponto de se poder considerar feio. No entanto, o artista não pretende “chegar a uma conclusão tácita de que isto é belo e isto é feio, não existe isso. O belo é algo que faz parte do interior de cada um e não do exterior.”

O projecto The Dorian Effect vai ter um after-expo no dia 29 de Setembro, no Clube Ferroviário de Lisboa.



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