Com-Truise-header

The Festmen, Dreams e Com Truise

O sofá é para meninos.

As escadas de acesso ao Espaço Cultural Maus Hábitos são míticas. É um caminho sombrio que nos traz à ideia os prédios de Berlim, ou as festas da VoodooHop em São Paulo. Anteontem, dia 27 de Novembro, foi altura de subi-las para uma tarde recheada de sons sintetizados, um revival dissimulado dos anos 80 com The Festmen, Dreams e o norte-americano Com Truise.

Foi um Domingo passado em família. Caras conhecidas, algumas que se tinham cruzado no dia anterior, renegaram a uma tarde passada no sofá para assistir aos concertos de The Festmen, Dreams e Com Truise no Maus Hábitos. Fotógrafos, editores, promotores, artistas e artesãos, uma percentagem que forma o núcleo empreendedor do Porto, subiram até ao quarto andar de um dos emblemáticos prédios dos anos 50 da rua Passos Manuel para um concerto vespertino, dos muitos que a fértil programação portuense tem vindo a oferecer e que todos agradecem. É graças ao trabalho desta “massa” activa, e em particular ao trabalho da Lovers & Lollypops, promotora deste concerto e de muitos outros este mês, que temos tido uma agenda tão preenchida.

Foi uma tarde de som electrónico e electrizante, fruto dos sintetizadores de que os músicos se fizeram acompanhar. O projecto The Festmen, que combina beats com 8bits, trouxe tons fortes e corridinhos com projecções visuais numa pequena tela. Os temas do músico, que proclama pertencer à vaga chungwave, carregam um lado alegórico e irónico. «Filetes», «Panela Drepessão» e «Mario Mushroom» são alguns deles. O público, que ainda era pouco porque ao domingo não há pressa nem horários, à medida que ia chegando ia instalando-se em semi-círculo pelos cantos da sala.

Dreams veio a seguir. João Chaves fez-se acompanhar por mais dois elementos para mostrar o seu género lo-fi e chillwave com máxima inspiração em Washed Out. O Ernest Greene português, ao cargo da voz e guitarra, teve uma actuação peremptória. «Step 4» e «Don’t Leave Me» foram alguns dos temas apresentados. De pé ou sentados, o centro da sala ia sendo ocupado pelos presentes.

Já em Com Truise ninguém quis ver de longe o que Seth Hailey tinha reservado para o Porto. Vindos de Princeton, New Jersey, Com Truise e o seu simpático baterista retiraram a timidez e puseram os vestidos bonitos que reinavam entre o público a dançar. Olhando para os pés dos presentes reparávamos na coerência dos movimentos de quem assistia, uma perna esticada e a outra a marcar o ritmo dos beats arrastados e sons galácticos oriundos de “Galactic Melt”, o mais recente álbum lançado pela Ghostly International. No entanto, à medida que o concerto ia avançando, a cabeça e os ombros já começavam a marcar o ritmo e os corpos iam-se soltando. De forma suave, foi um evento que na sua totalidade remeteu para os anos 80, devido à inspiração que os músicos transportam para os seus projectos: The Festmen com os 8bits, Dreams com o seu lo-fi e Com Truise, produtor “doméstico” que tem uma carga consistente tanto na música como vídeos, em que mistura o seu ambientalismo lo-fi e mi-fi com leggings e fatos de aérobica (em «VHS Sex») nos vídeos. E assim foi, um Domingo tranquilo na companhia de amigos, bons concertos, o qual que gostaríamos que se tornasse (um mau) hábito, paralelamente com uma happy hour para que fossemos dormir mais leves e com a carteira mais pesada.

Fotografia por Ricardo Almeida.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This