The Florida Project

“The Florida Project” de Sean Baker

Todas as histórias têm direito a um final feliz.

Moonee, interpretada por Brooklynn Prince, é uma menina que vive nos arredores do parque temático Disney World, em Orlando, estado da Flórida, EUA.

É tempo das férias de verão e como é natural para todas as crianças de seis anos o lema é combater o tédio. Por exemplo, comprar um gelado é entretenimento para uma tarde. Moonee e os seus amigos caminham ao longo da estrada, passam pela loja da laranja gigante e pela loja das lembranças com um bruxo no telhado. Ao chegar ao quiosque dos gelados (com forma de gelado) à que pedir umas moedas a quem passa para comprar um. Conseguido o gelado, ela partilha-o com os amigos enquanto regressam para o motel. Sem dinheiro para ir ao parque temático, Moonee serve-se das pessoas e da cidade à sua volta para criar o seu parque de diversões e através dela conhecemos os locais e as pessoas que vivem ao lado do maior e mais visitado parque temático do mundo.

Apesar de ser um dos locais mais turísticos do mundo, este é impessoal, rodeado de vias rápidas, lojas com produtos a preços económicos e inúmeros motéis com aspecto de imitação “frágil” dos hotéis do resort da Disney. Moonee vive com a mãe num destes motéis, o “Magic Castle”, o “Castelo Mágico”. Em vez de turistas estes motéis têm como “hóspedes” famílias de poucos recursos financeiros que não tendo dinheiro para alugar uma casa, preferem pagar uma diária, do que dormir na rua. Moonee mostra-nos esta espécie de “bairro social”, onde vivem reformados, famílias monoparentais e desempregados.

A figura principal deste ambiente é o Gerente, pois é ele que decide quem fica ou não hospedado. Há gerentes que só querem é livrar-se destas pessoas e há gerentes como o motel de Moonee, o Bobby, interpretado por Willem Dafoe. Ele estabelece as regras e certifica-se que são cumpridas, protege as pessoas que ali vivem e serve de intermediário quando há problemas com polícia ou a segurança social.

Chris Bergoch e Sean Baker, contam uma história sobre a Infância e os seus predicados. A Amizade que é duradoura, eterna e redentora, a Perda como um castigo infligido pelos Adultos, a Liberdade para se ser o que se quiser, a Invencibilidade e Inconsequência que trazem consigo, quase sempre, sarilhos. Brooklynn Prince é uma força da natureza, é a rainha, é a endiabrada, é a aventureira e é a doce criança que emociona. Moonee faz lembrar que, um dia, todos os adultos acreditaram que tudo o que é Bom é para sempre. Ainda encontramos um Dafoe comovente, protector, num papel diferente dos que costuma interpretar, que lhe valeu uma nomeação para Melhor Actor Secundário nos Globos de Ouro, BAFTA e Óscares deste ano.

Na realização, Sean Baker optou por um estilo documental que se foca na maneira como Moonee vê o mundo à sua volta. Baker aposta no contraponto entre as incoerências e alguma bizarria da paisagem urbana e a paisagem natural, terrenos baldios, lagos e casas abandonadas. Em termos de definição de personagens, esta é muito simples, imitando o modo como uma criança de seis anos filtra o mundo dos adultos.

Ainda é cedo para dizer que este é um dos filmes de 2018, mas seguramente é um que não nos deixa indiferentes pela sua originalidade e ternura.



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