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The Gift @ Aula Magna (09.05.2019)

Na sala de bem-estar dos The Gift.

Vinte anos mais tarde, os The Gift acharam que seria uma boa oportunidade para retornar à Aula Magna, onde registaram uma das suas actuações mais históricas, mercê da natureza mais calma e contemplativa de “Verão”, o álbum que recentemente chegou às estações e apeadeiros nacionais. Tal como a banda indicou durante o concerto, a tour em questão pretende celebrar, além dos temas mais recentes, outros que se enquadrem nesta perspectiva mais íntima que trouxeram à sala da Cidade Universitária.

Sónia Tavares surgiu com uma espécie de touca de lantejoulas, da cor azul para respeitar a imagética do conceito criado para o novo disco, que com o reflexo das luzes faziam assemelhar-se ao mar banhado pelos raios de sol. A vocalista entrou para cantar «Hammock», após o concerto ter arrancado de forma instrumental com «Blue», tal e qual o disco. «Books» provou ao vivo o belíssimo tema que é, um dos que mais apreciamos em “Verão”, trazendo de volta os trejeitos trip-hop com que o colectivo de Alcobaça praticou principalmente nos seus primórdios. O tema-título soou pouco depois e é, de facto, uma canção maior. Uma música para ouvir no carro, de janela aberta, numa roadtrip onde revisitamos o local onde passámos as férias grandes da nossa infância. Além da esperança que transmite, contém igualmente uma saudade imensa, com sabor a Sétima Legião.

«Primavera» e «Fácil de Entender» funcionaram com um lusco-fusco de outras estações mais comerciais, que fazem igualmente parte do périplo musical dos The Gift. Supostamente, a segunda nem estaria nos planos, mas Nuno Gonçalves foi embalado pelo coro do público e surpreendeu os colegas de palco ao interpretar os acordes da mesma. Nuno Gonçalves que foi dividindo as diferentes partes do concerto com um par de intervenções, mais alongadas que o que costumamos ter em espectáculos ao vivo, mas que serviram para aproximar ainda mais a banda da audiência. O compositor dos The Gift, que quis reproduzir o ambiente confortável de uma sala de estar, aproveitou para contar diversos pormenores que levaram a banda ao resultado final de “Verão”, não deixando de gozar aqui e ali com todos aqueles que acusam sempre de altivez.

A performance teve uma parte mais serena, focada essencialmente em voz e piano, seguindo o mote dado por «La Terraza» (tema que descreve o observar de diversas personagens, numa qualquer tarde estival) que iniciou tal etapa. Mais à frente, justamente antecedendo o encore, surgiu o segmento mais vibrante de “Verão”, composto por Cabin, que Nuno considera como a melhor letra concebida por Sónia (cuja gravidez influenciou bastante este trabalho), e por uns destacáveis «Lowland» e «Vulcão».

A habitual adenda após a saída de palco teve como grande novidade uma versão de «Live To Tell», de Madonna, que serviu para Nuno Gonçalves fazer as pazes com a rainha da pop após um bitaite humorístico na sua intervenção inicial. Os The Gift tinham interpretado este tema originalmente num concerto na sua terra Natal. A derradeira «Big Fish», já com todo o público em pé, não conteve uma nova invasão de palco, a imitar a actuação de 1999, ainda que eventualmente menos efusiva. Mas, ainda assim, provando que The Gift são um dos peixes mais graúdos da música nacional, com pleno direito.


Alinhamento

– Blue
– Hammock
– Books
– Serpentina
– Verão
– Variação do Verão
– You Will Be Queen
– La Terraza
– Open Window
– Meaning of Life
– Primavera
– Fácil de Entender
– Cabin
– Lowland
– Sol
– Vulcão
– Love Without Violins
– Impressiveness

(encore)

– Music
– Live to Tell [Madonna cover]– Big Fish



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