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The Gift | Entrevista

Estivemos à conversa com a Sónia Tavares e o John Gonçalves.

Depois de um ano em digressão pelo mundo, o novo álbum dos The Gift “Altar” chega aos Coliseus. Estreou-se no Cineteatro de Alcobaça – cidade onde se formaram – e cujo mosteiro foi o lugar eleito para a sessão de fotos deste trabalho. “Altar” contou com a colaboração do produtor inglês Brian Eno que já trabalhou com músicos como Coldplay, Talkings Heads e Laurie Anderson.

Em entrevista à Rua de Baixo, Sónia Tavares e John Gonçalves contaram-nos como tem sido esta fase da banda e o que esperam dos concertos no Porto e em Lisboa.

Como tem sido a digressão deste novo álbum?

John Gonçalves: Muito bem! A digressão começou logo em Abril e nessa altura não era ainda o que é hoje porque as pessoas precisavam de conhecer o álbum. O álbum tinha acabado de sair. Portanto, estávamos a começar uma tournée de apresentação do álbum que nós fazemos sempre. O álbum saiu no dia 7 de Abril e nós tocamos no dia 12 ou seja, estávamos em cima do álbum. A tournée percorreu os grandes teatros portugueses para o apresentar e agora estamos com uma tournée muito rodada em Portugal e no estrangeiro. Temos neste momento uma experiência do Altar tour muito boa e achamos que estamos talvez, na melhor fase, no melhor momento da carreira dos The Gift.

Sim, porque vocês vão agora apresentar nos Coliseus, mas já estiveram no CCB e na Casa da Música.

JG: Exatamente, é isso mesmo. Na altura foi uma apresentação do Altar e agora já foi ouvido por mais pessoas. Nós agora temos 4 singles que já passaram nas rádios, que têm videoclips com muita promoção. Eu não tenho dúvidas que neste momento vai haver pessoas que só agora chegam ao disco ou que só chegaram ao disco há cerca de seis/ sete meses e nunca nos viram ao vivo. Portanto este é o primeiro espetáculo nos Coliseus e p’ra quem já é repetente da Casa da Música e do Centro Cultural de Belém, não tem nada a ver. Estou a falar de um espetáculo completamente diferente, de preparação cénica diferente, não tem nada a ver.

E o que é que Altar traz de novo em comparação com os álbuns anteriores?

Sónia Tavares: Acho que é um disco, que apesar de continuar a “obedecer” à personalidade musical e às características musicais dos The Gift, é um disco que é mais apurado, é mais maduro. É lógico que agora temos mais experiência e também houve o dedo do grande mestre Brian Eno que nos abriu portas para um mundo inteiro, isto falando tecnicamente, que nós desconhecíamos e que nos obrigou a reinventar um bocadinho, mesmo na maneira como fazemos as coisas. E foi ótimo, foi uma experiência fantástica e acho que esses bons momentos que passamos estão bem representados neste disco. Apesar de ser um disco com um lado íntimo muito forte continua a ser um disco com um fator esperança e um fator cor e alegria muito presente. Isto tudo, que já fazia parte das características musicais dos The Gift. Agora está esteticamente mais apurado porque eu acho que o Brian percebeu muito bem quem nós éramos e mais do que mexer naquilo que nós somos, preferiu realçar os aspetos positivos das nossas canções.

E como é foi trabalhar com esse grande mestre, o Brian Eno?

ST: Foi ótimo! Foi uma experiência única, aprendemos imenso como já disse, muita história e quando eu falo de história é a da música. É importante percebermos que para fazer música é importante saber de onde é que ela veio, como é que apareceu: as grandes bandas, os grandes músicos, as grandes vozes, porque realmente conhecimento é poder. E de facto, percebendo a história da música podemos chegar a outros caminhos sonoros e a outras estéticas, que se calhar não tínhamos percebido que fazia sentido na nossa música. Mas foi sobretudo uma experiência fora do comum, porque ele é realmente uma pessoa extraordinária, não só profissionalmente como pessoalmente. É uma pessoa dotada com uma inteligência fora do comum e de um sentido de humor fantástico, que nos proporcionou momentos maravilhosos nesta gravação que chegou a durar dois anos.

Como é ele chegou até vós?

JG: Ele conheceu o Nuno no Brasil, estavam juntos num projeto.

ST: Num projeto musical para as favelas…

JG: Depois estava de férias em Vigo, nós tocamos em Vigo, ele foi-nos ver e aí sim, já houve uma ligação com a banda e depois a Sónia foi a Londres.

ST: Sim, ele gostou da banda. Senão eu nunca teria perguntado se ele quereria trabalhar connosco. Houve essa empatia profissional e que depois nos permitiu fazer o convite para produzir este disco no qual ele disse que não gostaria só de produzir, mas também fazer parte das canções desde o início.

Sim, porque há algumas músicas compostas entre a Sónia e o Brian.

ST e JG: Todas! Todas são Nuno, Sónia e Brian.

ST: Portanto, mesmo as músicas que já estavam praticamente feitas e que ele produziu só um bocadinho ou outras que fizemos juntos desde raíz, têm sempre a assinatura dele.

E ele cantou convosco no ano passado em Londres?

ST: Sim, cantou. Cantou no “Love Without Violins” que é uma música que ele canta também connosco no disco, apesar de cantar no disco inteiro e não se perceber porque faz parte dos coros e por aí fora. O featuring Mr. Brian Eno existe no “Love Without Violins” e que ele nos deu a honra de podermos fazer isto juntos em Londres, o ano passado no Bush Hall.

E é curioso… agora vão ter uma violinista a abrir os concertos nos Coliseus.

ST: Sim, vamos ter uma violinista connosco para abrir nos Coliseus. É um projeto de uma amiga nossa, que nós respeitamos imenso enquanto artista que é a Ianina. É uma violinista russa que para além de ter o seu trabalho na orquestra metropolitana vai agora apresentar-se em nome próprio com um projeto interessantíssimo eletrónico com o qual nós nos identificamos muito e que temos o prazer de receber nos palcos dos Coliseus.

Como é que surgiu o nome Altar? Vocês sentem-se de alguma forma num patamar diferente…

ST e JG: Nós não, nem pensar.

JG: Nós não, mas o nome aparece como um altar de celebração e não onde nós estamos ou onde queremos estar.

ST: Não queremos deificar nada nem ninguém.

JG: Não, se alguém chegou a isso está errado. A ideia aqui do altar é porque a palavra resume o contentamento e a celebração que nós tivemos a fazer este disco. E então apareceu por aí, por esse conceito de celebrar.

E aproveitaram o facto de serem de Alcobaça para fazerem a sessão no Mosteiro de Alcobaça.

JG: Exatamente.  Fizemos lá a sessão fotográfica, que foi uma ideia do nosso fotógrafo Hans Peter, que é holandês, e nós aceitámos. Já há muitos anos que não fazíamos sessão fotográfica, desde 1997, no Mosteiro de Alcobaça e assim foi. Acho que ficaram muito boas, representam bem aquilo que é o disco.

Vocês em alguns álbuns têm músicas em português e em inglês, não têm um álbum só de músicas portuguesas?

ST: Não, não. Nós na realidade temos sete discos e cinco músicas portuguesas. Há dois deles que não têm música portuguesa nenhuma.

Como é o caso deste. Tem um nome português, mas não tem músicas portuguesas.

ST: Altar é um nome que pode ser português, inglês, espanhol…

JG: É um nome internacional. Nós temos feito vários discos com isso.

ST: Vinyl também, AM-FM… Nós tentamos sempre escolher nomes que sejam transversais.

JG: O Explode que também dá para inglês e português.

E há alguém com quem gostariam de colaborar num projeto futuro?

ST: P’ra já nem sequer pensamos no futuro. Ainda estamos focadíssimos neste Altar que nós achamos que vai durar pelo menos até ao fim da tournée, até ao fim do ano de 2018. Em 2019 começaremos a pensar nisso. Como não temos ainda ideia nenhuma, vamos deixar essa notícia para depois.

Que temas é que nunca faltam nos vossos concertos? Agora estão a fazer a digressão do Altar, mas incluem outros hits?

JG: Claro! Sim, hits e não só. E músicas chamadas “lados B’s” que são aquelas que não tocamos muito e vamos tocar no Coliseu. Eu acho que se tivermos de dizer uma músicas que nunca falta no nosso concerto é a “Music”.

ST: A “Music” é aquela canção que nunca falha, que está lá sempre. É o nosso hino, que nós cantamos fervorosamente com os nossos fãs, todos em uníssono.

E qual é o temas das vossas músicas? O que é que vocês mais gostam de exaltar quando compõem, quando fazem os arranjos musicais?

ST: Falamos sobretudo de pessoas e de sentimentos. Normalmente não temos mensagem política nenhuma, somos bastante melodramáticos nesse aspeto porque falamos muito de sentimentos de amor, de encontros e desencontros. E acho que sobretudo falamos do quotidiano das pessoas, por isso é que elas se identificam com as nossas letras, em alguma parte já viveram aquilo que nós estamos a dizer.

Com a digressão internacional e com os concertos que ainda vão ter como é que conseguem conciliar isso com a família?

ST: É complicado, mas tudo se faz com a ajuda da nossa família e com muito boa vontade. Com um espírito de sacrifício enorme porque são muitos dias sem ver os nossos filhos. O meu marido, por exemplo, está em tournée há praticamente um mês e meio tanto que já não vê o filho há um mês e meio, nem a mim. É complicado, mas faz parte da profissão. Olha, como é que diz o outro “foi a vida que eu escolhi!” (risos) E portanto, com mais ou menos sacrifício as coisas têm de ir e eles começam a perceber que é a profissão dos pais e que tem mesmo que ser.

E eles gostam das músicas dos pais?

ST: Gostam, gostam. Gostam mais de músicas infantis, pelo menos o meu filho, mas gosta da música dos pais.

Com mais de 20 anos de carreira vocês já pensaram em lançar um best of ?

JG: Já pensamos e já lançamos. Chama-se 20. Quando foi os vinte anos da banda fizemos um best of, mas não lhe chamamos best of.

Mas também tem originais?

JG: Também, é isso que eu ia dizer. Fizemos um álbum duplo.

ST: Sendo que eram originais que nós já estávamos habituados a tocar ao vivo.

JG: Menos a “Clássico”.

ST: Exato. A “Clássico” foi a única que foi feita propositadamente para a comemoração destes 20.

JG: Não é um best of, em nenhum momento chamamos-lhe best of, mas chama-se 20 e é uma comemoração desses 20 anos.

Para acabar, há expectativas para os Coliseus? Vocês já passaram por vários sítios em Portugal, mas há alguma ideia de como podem correr estes concertos no Porto e em Lisboa?

JG: Claro, nós temos uma expectativa muito alta e acho que as pessoas que vão assistir também têm de ter essa expectativa alta porque estamos a preparar um grande espetáculo. Estamos a preparar um espetáculo com as canções do Altar que nós temos muito orgulho em defendê-las no palco, mas também com músicas mais antigas. E estamos a preparar uma cenografia especial para os coliseus e acho que estamos na nossa melhor forma. Em termos de banda, de carreira, é uma fase única na vida dos The Gift. Portanto, o que se pode esperar nos Coliseus é algo de histórico e é isso que estamos a tentar criar. Queremos que as pessoas que decidam passar connosco a noite de sexta-feira no Porto e a noite de sábado em Lisboa fiquem, eternamente na memória, com esta imagem dos The Gift. E se possível, o melhor espetáculo da nossa vida, é esse nível de exigência que está a passar para o palco.

 



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