The Glockenwise

The Glockenwise | Entrevista

A conversa com os The Glockenwise, momentos antes de subirem ao palco da ZDB

Antes do concerto na Galeria Zé dos Bois, no passado dia 16, conversámos com os The Glockenwise sobre as letras, a duração do novo disco e a actuação no Optimus Primavera Sound.

O que traz este álbum de novo?

O novo álbum é um bocado o upgrade daquilo que fizemos com o “Building Waves”. Pegámos naquilo que fizemos e começámos a apercebermo-nos das falhas que aquilo tinha, das coisas que gostávamos de aperfeiçoar… então, basicamente a principal influência para o disco novo foi precisamente o disco anterior. E é isso que trazemos de novo, é essa vontade de fazer as coisas melhor.

É um álbum mais fresco; temos a presença do saxofone e de sintetizadores brincalhões…

Está fresco, sim, quer dizer, vamos lançá-lo em Maio, ele tem de estar fresquinho para o Verão.

O que mudou, desde o último álbum, lançado em 2011?

Até agora demos mais concertos. Tocámos em sítios melhores. Aproveitámos e fizemos uma tour europeia, portanto o disco novo vem um bocado na continuação desse trabalho. De querer dar uns saltitos lá fora e fazer mais e melhor cá dentro.

Em relação às letras, existe uma maior solidez. Concordam?

Sim, se calhar é porque este disco fala de temas um bocado mais pessoais. No “Building Waves”, era mais sobre o quotidiano e sobre lugares comuns e assim. O “Leeches” é um disco muito mais pessoal e fala mais sobre experiências que tivemos pela primeira vez e portanto é mais fácil falar sobre elas.

Não há um momento exacto para escrever uma letra, aquela epifania. Falamos sobretudo do desencanto das coisas que nos rodeiam e essa vontade de nos rirmos precisamente disso.

Porquê um álbum mais curto? Querem dizer muito em pouco tempo?

O álbum acaba por ser mais curto, mas não foi nada propositado da nossa parte. Não chegámos e dissemos “vamos fazer um  álbum super curto”. O tempo do disco vem no seguimento do que fizemos no primeiro disco, ou seja, quando nos preparámos para gravar, basicamente recolhemos a informação toda que tínhamos e achámos que devíamos mudar algumas coisas. Uma dessas coisas era o tempo a mais que havia no primeiro disco e que acabava por se tornar um bocado repetitivo e maçador. Só nos demos conta do tempo do disco ao fim de o gravar e nunca vimos nisso qualquer tipo de entrave ou problema. Não nos preocupa de todo.

É portanto mais incisivo?

Sim, sim, mas não foi nada premeditado. Simplesmente aconteceu.

Quais são as vossas influências musicais?

Isso é uma pergunta um bocado complicada porque gostamos de ouvir muitas coisas, e muitas coisas diferentes, e às vezes passamos imenso tempo sem ouvir garage rock, que é aquilo que tocamos. Consoante aquilo que tocamos, ouvimos essencialmente bandas dos Estados Unidos, a nova vaga de garage rock – Ty Segall, um bocado dos Waves. Depois, ao nível pessoal, muita coisa mesmo: música pop dos anos 60, 70, 80, 90, bossa nova, black metal…

A principal influência para o disco novo é precisamente o disco anterior, por isso a pergunta das influências é um bocado falsa porque sabemos qual é o som que estamos a fazer e queremos fazê-lo com base naquilo que já fizemos; portanto, somos a nossa maior influência.

Neste álbum existem novas participações musicais, desde o saxofone às teclas. Quem foram as pessoas que colaboraram convosco?

Sim, temos alguns elementos que não aparecem nos “Building Waves”. Aqui, usámos alguns órgãos e um teclado acústico, que fui eu (Nuno) que gravei. Depois há uns sintetizadores que foi o João Vieira (X-Wife) que gravou e o saxofone foi o Pedro Sousa, um saxofonista cá de Lisboa.

Já são conhecidos em Barcelos? O pessoal já vai ter convosco para dizer o quanto gostou da vossa música?

Barcelos é um sítio pequeno; não precisamos de muito para sermos conhecidos. Mas não somos muito bem amados. O pessoal não gosta muito da nossa sonoridade – ali é mais do stoner rock – e, portanto, Barcelos não é bem a nossa praia.

Fazem parte do cartaz do Optimus Primavera Sound. Já alguma vez pisaram os mesmo palcos que as bandas que vão passar por lá? Qual é a sensação de estarem num festival com esta dimensão?

Com essas bandas não, mas com outras bandas já, como os Tame Impala e assim, mas obviamente que é avassalador estar num cardápio de classes cinco estrelas. Claro que acresce uma responsabilidade mas também é festival, o público dos festivais é sempre mais descontraído. É muito mais assustador tocares para uma sala vazia e pequena onde estão quatro pessoas, do que tocares para um grupo de festivaleiros; não é assim nada que nos preocupe demasiado.

Goodbye, outra vez, porquê?

É a nossa maneira de nos despedirmos. É uma maneira de falarmos na primeira pessoa às que pessoas que trabalharam e que estiveram connosco. É mais isso que se vai reflectir no disco do que propriamente para o público em geral, mas também é para toda a gente que ouviu o álbum. Chega ao fim e sentimos que há um elo de proximidade nas pessoas.

E esta vida de roqueiros, é para continuar?

Enquanto nos formos divertindo, enquanto nos for possível, sim. Nós só cá andamos porque nos divertimos imenso a fazer isto. Se não nos estivermos a divertir, eventualmente deixa de fazer muito sentido.

Fotografia por Rita Sousa Vieira



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