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The Horn The Hunt

Paisagens sonoras. Dia 10 de Novembro, no Musicbox Lisboa.

Clare Carter e Joseph Osborne. Dois nomes como quaisquer outros que até este momento podem não vos dizer nada. Até este momento. Clare e Joseph dão corpo aos The Horn The Hunt (THTH), uma banda pop de Leeds, Inglaterra, daquelas que tem tudo para dar que falar. Falámos com eles a propósito da passagem deles por Portugal no próximo dia 10 de Novembro no Musicbox, para a terceira edição das “Noites da Rua”. A banda actua pelas 00h00, depois da apresentação de “Drunken Sailors & Happy Pirates”, o novo álbum dos a Jigsaw.

Para começar, sentimos uma necessidade tremenda de saber a história por detrás do nome da banda. THTH não é propriamente o nome mais usual para uma banda e para Clare e Joseph tem um significado muito próprio. “Significa trabalhar por prazer ou tentar atingir algo pessoal mas necessário. Explorar, procurar um desejo primitivo. A violência da natureza”. E as particularidades deste duo de Leeds não se ficam pelo nome. Desde logo salta à vista a referência que é feita a Melanie e Goya, dois pintores russos do século XIX, como influências no seu trabalho. Clare Carter conta-nos de que maneira isso acontece começando por explicar que a forma de contar histórias de Melanie a influenciou. “Há algo selvagem nessa forma que me fala sobre o que é ser uma mulher. Goya também foi um grande contador de histórias que retratava a escuridão da condição humana”, e termina a dizer que gostam “de pensar que a nossa música conta bem histórias e que nos encontramos no lado negro da pop”.  Algo latente em toda a música dos THTH e que, de facto, a banda não faz por esconder.

Se tivermos em conta o background de Clare como artista visual, a referência a pintores torna-se compreensível mas a forma como tudo se liga é algo ainda mais intrínseco e a própria faz questão de realçar isso mesmo. “Vejo formas e cenas na música. Tenho a certeza que toda a gente vê. Vejo cores em números e letras. É instintivo criar camadas de som e melodias, como grafite e pinturas a óleo ou fazer uma canção desenrolar-se como a cena de um filme”. A música dos THTH está espelhada nestas palavras. Cada tema leva-nos para uma paisagem diferente e o duo de Leeds revela-se realmente exímio nesta transposição entre a música e o cenário, tendo sempre em mente que as suas canções devem transportá-los “através de um terreno interessante”. Numa perspectiva mais terrena, Clare acrescenta que “não são uma banda que se junta para uns jams ou que pretende tornar a escrita de música uma agradável experiência social. Nós trabalhamos sozinhos e partilhamos o nosso trabalho um com o outro quando estamos prontos. Isto permite-nos ser livres para explorar e ser espontâneos sem que a outra pessoa nos interrompa e altere o processo”.

O primeiro álbum homónimo dos THTH foi o resultado de viagens que levaram Clare e Joseph a vários países ao longo de três anos, mas não foi a música que os levou a viajar. A ideia inicial era mesmo viajar para se desligarem da sua cultura por um bocado, fruto de uma desilusão com o mercado de trabalho e uma ausência de um sentimento de realização. A experiência não podia ter sido mais positiva: “Deixámos Inglaterra e visitámos países diferentes, onde vivemos e trabalhámos em projectos individuais três ou seis meses de cada vez. Estávamos sempre a trabalhar mas dentro de ambientes distintos, procurando descobrir o que queríamos da vida”. O resultado foram os THTH ou, nas palavras da banda, “The Horn from our hunt”.

“Depressur Jolie” é o segundo álbum da banda (o terceiro já está a ser preparado ao que parece) e soa quase de imediato a um álbum conceptual, algo que Clare se apressa a desmentir e a esclarecer. “Eu tinha este sentimento de uma viagem a várias ilhas, muitas ondas e encontros com animais selvagens. Plantas carnívoras gigantes. Como uma saga colonial. Para muitas pessoas isso quereria dizer que estavam perante um álbum conceptual, porque foi planeado com ideias pré-concebidas sobre como deveria ser mas nós não pensámos assim… o álbum não seguiu quaisquer regras. Deixámos o instinto guiar-nos e quando o álbum estava completo soava de forma muito diferente das imagens que eu tinha na minha cabeça. Algo mais humano e mecânico”.

The Horn The Hunt – ‘Animal Magic’ [OFFICIAL music video] from The Horn The Hunt on Vimeo.

As viagens da banda trouxeram-nos até Portugal e Clare e Joseph por pouco não ficaram a viver em Mértola durante um tempo, mas o valor da renda impediu que tal se concretizasse. A primeira visita a Lisboa ainda não aconteceu mas agora é mesmo uma questão de tempo. Para terminar perguntámos o que podíamos esperar dos THTH ao vivo. “Existem muitos sons provenientes do computador por isso não existe muito espaço para o material mais antigo. Por vezes apenas tocamos uma ou duas do álbum de estreia. Para além disso ao vivo temos um baterista, é mais intenso penso eu. A nossa música é feita de muitas camadas e por isso procuramos perder o menos possível do seu carácter, embora por vezes sejam interpretadas apenas com bateria, baixo e um sintetizador analógico, pelo que soam muito diferentes e despidas”.

Não se esqueçam, dia 10 de Novembro, Musicbox, Lisboa. The Horn The Hunt. A festa continua até de manhã ao som do melhor que Londres tem para nos oferecer com o showcase da editora How The Other Half Lives.

Os bilhetes para os dois concertos custam 8€, com direito a uma bebida, e estão à venda na Blueticket. Para o clubbing, o valor é de 6€, com direito a uma bebida.

As “Noites da Rua” contam com o apoio da Lacoste L!VE.



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