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“The Ides of March”

A realidade crua e dura.

“É um bom filme, mas não um filme extraordinário.”

Esta foi uma das frases que mais apareceu quando li acerca deste filme. Se é verdade? Talvez… a verdade é que filmes extraordinários aparecem uma vez por outra, quando menos estamos à espera; por isso mesmo não podemos esperar que todos os filmes que vemos nas salas de cinema sejam foram de série. Não sou muito exigente em relação a filmes, acho que por vezes os mais simples e práticos, são os que melhor resultam. Nem todos me enchem as medidas até se tornarem os meus filmes de eleição, mas saio muitas vezes satisfeita do cinema.

Foi o que aconteceu com “The Ides of March”, o tão falado novo filme de George Clooney, que já nos tinha mostrado os seus dotes de realizador com “Good Night and Good Luck” ou “Leatherheads” e que volta a demonstrar que, não só é um óptimo actor, como o seu trabalho enquanto criador lhe cai divinamente bem.

Neste filme, conseguimos ver mais de perto, o que todos nós sempre pensámos, as manobras políticas, as facadas nas costas de supostos amigos ou colegas, as corrupções, as intrigas e as invejas.

O cenário é uma enorme campanha para as eleições primárias democráticas em Ohio e tem como personagens principais imensas caras conhecidas, como o governador Mike Morris (George Clooney), que conta com a ajuda preciosa do seu braço direito Paul Zara (Philip Seymour Hoffman) e do seu secretário de imprensa Stephen Meyers (Ryan Gosling), mas que tem também como seu rival Tom Duffy (Paul Giamatti).

Ryan Gosling mais uma vez tem de ser mencionado com todo o mérito neste “The Ides of March” estando, sem dúvida alguma, no auge da sua carreira, trazendo-nos um papel extremamente consistente, inteligente e maduro, com Stephen, que está na origem do tão falado escândalo político, e onde consegue demonstrar o que é o início de ascensão nesta área, comprovando que a ingenuidade, em postos como estes, não tem qualquer tipo de lugar.

Esta é uma história bastante envolvente, com personagens e diálogos extremamente inteligentes e audazes e com pormenores significantes. O desenvolvimento do filme mostra-nos de uma maneira simples e reveladora toda a preparação para umas eleições, todo o trabalho necessário indicado para cada tipo de cargo profissional e quem tem de pisar e ser pisado para chegar a cada diferente objectivo.

De referir também a prestação de Evan Rachel Wood que interpreta Molly, uma estagiária que demonstra ingenuidade, mas que se torna a origem de muitos problemas e conflitos. Para quem não se lembra, Evan era a jovem adolescente que interpretou um dos papéis principais no tão conhecido “Thirteen”.

Numa altura em que nos encontramos em tamanho descalabro, com todas as crises políticas e sociais nos dias que correm, este filme pode torna-se numa bela comparação e numa crua e dura visão de uma realidade difícil de alcançar.



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