The Legendary Tigerman @ Fábrica da Pólvora

Endoscopia rock’n’roll.

À minha frente, um gajo falava a um amigo sobre uma endoscopia que ia fazer em breve. No bar, outro tipo pedia “uma preta e uma branca”, assim em jeito de chalaça alcoólica, ao empregado. Atrás, duas amigas conversavam junto à máquina do tabaco. Porreiro, tudo normal, coisas comuns em bares. O mais chato é quando isto decorre durante um concerto, ao mesmo tempo que o músico (e que músico!) malha forte em palco, discorre suor, estilo e canções, mas em troco, de alguns, não recebe mais que desprezo, ignorância e limões (não recebe nada, era só para rimar e faltava-me um termo qualquer).

A solução foi avançar para mais perto do palco – e aí sim, uma pequena falange de adeptos de The Legendary Tiger Man abanava a cabeça em jeito de aprovação.

A Fábrica da Pólvora é um sítio giro. Por lá filmam-se os “Morangos com Açúcar” (as cenas na escola deles), por lá passeia-se com a família aos domingos, por lá uma imperial vale €2 – não está mal. A amêndoa amarga vale €3 mas é mal servida, mais vale ficarem-se pela cerveja, dica de amigo. Adiante. Apesar de toda a pintarola da Fábrica da Pólvora, uma dúvida residia na minha cabeça. Uma dúvida prévia ao concerto do autor do novíssimo “Masquerade” – ora bem, como se sabe (se não se sabe, fica-se a saber) o meridiano Linha de Sintra (com as suas belas estações de comboio da Damaia, Reboleira e Cacém) /Oeiras nunca foi, e dificilmente será, propício a grandes manifestações e demonstrações culturais. (Sim, aparte a própria cidade de Sintra, ok).

Quinta-feira à noite, um artista não muito projectado mediaticamente – como estaríamos de público? Não estávamos mal, não senhora. Algumas dezenas acorreram à Fábrica da Pólvora para ver o “Mister Rock” Portugal 2006 (e vencedor de todas as edições de anos recentes) interpretar as faixas do seu novo disco, não esquecendo viagens a momentos musicais anteriores. Depois, havia ainda os outros que foram lá conversar como se o artista em palco fosse mero cantor improvisado de ocasião. Compreende-se, na boa. Mas é um bocadinho chato se o que estamos à procura é de uma noite rock com o espírito certo e ajustado.

The Legendary Tiger Man esteve muito bem, pois claro. O novo disco transpira sexualidade, sensualidade, carne fria, corpos em sintonia. Ao vivo, projecção de vídeos e curtas-metragens atrás (comprem o disco, podem ver no DVD bónus), o homem à frente a tocar o que lhe aparece à frente, o bombo, as guitarras. Depois, ainda canta o sexo, as gajas, e mais umas coisas. Tiger Man, nota-se, está satisfeito com o seu novo trabalho (já o havia confessado em entrevista à rua de baixo) e ao vivo isso nota-se.

A digressão continua estrada fora e será uma pena perder este espectáculo. Nota final apenas para desejar boa sorte ao senhor da endoscopia – que corra tudo pelo melhor!



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