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The Parkinsons @ Caixa Operária

Adivinha quem voltou.

Pouco interessará se a música é tão só a soma de três acordes dispostos de variadas formas. De nada interessará o facto de os Sex Pistols já terem “inventado” isto há mais de três décadas. Pouco interessará verificar que a Caixa Económica Operária está a meia casa para receber uma das mais entusiasmantes bandas do final da década de 1990 e início da que se lhe seguiu, a dos zeros. Interessará pouco que John Peel, porventura, o mais influente radialista de todos os tempos, tenha considerado os Parkinsons uma das mais entusiasmantes bandas do seu tempo e que estes tenham aberto espectáculos para gente como os Fall ou os Jon Spencer Blues Explosion.

Interessa antes perceber que os Parkinsons voltaram a subir a um palco, interessa perceber que Afonso Pinto voltou a ser banhado em cerveja, a fazer a espargata, a incitar a plateia e a ser levado em ombros. Interessa perceber que voltámos a presenciar o caos num concerto dos Parkinsons. As canções a sucederem-se umas atrás das outras sem tempo para descansar ou respirar. Algum mosh, algum crowd-surf, várias invasões de palco. Afonso Pinto e Vítor Torpedo a provocarem a plateia. O prefixo “feios, porcos e maus” assenta melhor aos Mata Ratos – donos e senhores de uma primeira parte em que estiveram iguais a si próprios -, mas também acaba por se associar facilmente a esta malta que tem nome de doença crónica e que ajudou a construir uma cena, a de Coimbra, que ainda hoje é recordada com saudade e nostalgia – passe a redundância.

No final, apenas uma questão nos aflige: Fará isto algum sentido hoje, num tempo que parece já não ser o deles? Os saudosistas dirão que sim. Outros irão torcer o nariz. À entrada ouvimos alguém dizer, enquanto tentava comprar bilhete: “Não me lixem, eu quero ver Parkinsons, quero um bilhete”. Antes do encore ouvimos: “Vocês já foram bons”. A escolha é sua.



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