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The school of Life, ideas to live by

A outra escola.

Há muitas maneiras de começar o ano. Com champanhe e passas, com desejos e cuecas azuis, com fogo de artificio e binóculos, com traje de gala e dores nos pés. Há ainda resoluções para ele e para ela. Deixar de fumar, comer vegetais e beber seiva, fazer jogging nas sete colinas, emigrar para o Timbuktu ou para Londres. E ir à escola. Mais propriamente, ter umas quantas aulas na School of Life, a escola que fica para a vida ou, pelo menos, faz o que pode para ficar.

Nesta escola da vida não há professores da velha guarda, secretárias de madeira escura ou refeitórios onde servem rancho de carne guisada, muito menos recreios com grades e solo assassino. Há antes uma filosofia de vida que se aprende entre estórias ouvidas e partilhadas, livros oferecidos e recebidos. Acima de tudo, há muita vontade de aproveitar a vida, numa espécie de carpe diem dos anos 2000.

A School of Life, apesar da cimentada base filosófica, não serve moralismos; transmite aprendizagens e experiências através de workshops, palestras, refeições e sermões. Porque a Filosofia é para aprender em tom de estória e o resto fluir entre dois ou mais dedos de conversa.

Por isso, guardem o torcer de nariz aos dogmas, às verrugas professorais e aos ratinhos e cartilhas decorados de trás para a frente. Nesta escola da vida perdida em Londres nas bandas de King’s Cross, o máximo que podes ter que decorar é o nome de outros curiosos que, tal como tu, vão lá ver o que se passa. Em poucas palavras, a Filosofia, a Literatura e a Psicologia mas também as artes no geral, dão o mote para uma atmosfera fun de exploração.

Mais que um reitor

E quem é que se lembrou disto? A história de Alain de Botton não será novidade para muitos mas fica sempre bem relembrar. Este senhor que é escritor acabou de fazer 49 anos – nasceu a 20 de Dezembro de 1969 em Zurique, Suíça e vive em Londres. Alain de Botton é também filósofo, contador de experiências, psicólogo de fim-de-semana, pai e marido a tempo inteiro. Entre os livros que já escreveu, ensaiou o amor em “Essays In Love”, passou-nos a arte de viajar, as consolações da Filosofia e explicou-nos como Proust pode mudar-nos a vida.  Chegou mesmo a defender que a arquitectura e a felicidade estão intimamente relacionadas mesmo quando não damos por isso. Talvez a ideia da escola seja um misto de tudo isto. Entre aulas, escritas e outras boas acções vai-se divulgando o uso da Filosofia no quotidiano. Consta que não é preciso ser-se um Sócrates ou um Platão para dar um pouco de ética à vida.

Lições de vida

Na School of Life provocam-se os alunos a pensarem na vida sem, contudo, pararem de vivê-la. Assim vai-se criando um espaço onde se partilham pensamentos, ideias e experiências entre este e aquele que por lá aparecem. Mentes abertas são sempre bem-vindas.

As aulas, ao fim do dia, querem dar bons insights para encontrar respostas ou, se preferirem, caminhos para as grandes questões da vida. Podemos optar por sessões focadas no Amor e nos segredos das relações saudáveis, outras no Trabalho e em como daí tirar maior satisfação pessoal, outras ainda na Política, Família ou Ego. Por exemplo, ainda no mês passado houve um workshop para aprender a estar sozinho. Talvez assim seja mais simples sentar sozinho no café por opção e não por que ninguém atendeu o telefone.

Então e quem é que tem tamanha sabedoria para ensinar estas coisas? Evidente que não há licenciaturas, nem mestrado ou doutoramentos para professores destas andanças. A escolha recai em autores, artistas, cantores e outros mentores que, independentemente da matéria, são peritos em passar a mensagem. Como? Combinando as experiências pessoais com as ideias que os grandes pensadores nos foram deixando ao longo dos tempos. Conclusão, nascem novas formas de reinventar a Filosofia e pensá-la. É (mesmo) para o menino e para a menina.

A la carte

Bom dia, está na hora do pequeno-almoço. Temos pão, queijo, croissant e leite mas também uma ementa de objectivos. Pensa no que queres fazer do teu dia, do teu fim-de-semana ou noutro período qualquer de tempo. Agora foca-te tanto nos objectivos como no caminho que tens que percorrer até atingi-los, sem maquiavelismos à mistura. Depois lê a dica do menu, descontrai e começa a conversar com o colega do lado entre um golo de latte e uma trinca de um pão qualquer. Cedo erguer pode não dar saúde, mas certamente dá mais tempo para aprender.

Já no que toca a jantares, esses são servidos fora da School of Life, em restaurantes vizinhos como o Konstam do chef Oliver. São jantares de conversas, os “Conversation Dinners” e só não vale ficar calado. É a lógica dos bons negócios que são decididos à mesa, aqui na versão das grandes questões. Não é de estranhar que estejam quase sempre esgotados.

Finalmente, férias!

“A Arte de Viajar”, 2002, é provavelmente uma das obras mais populares de Alain de Botton. Este livro cortou com o paradigma da literatura de viagens até então, defendendo que a viagem em si é tão ou mais importante que o destino, quer na gestão de expectativas quer na experiência dos diversos ambientes que nos preparam para o destino final. E isto antes da moda dos viajantes não turistas, dos Rough Guides, dos comboios e autocarros em vez dos aviões. Viajar é fugir e entrar noutro mood, é evadir do quotidiano e voltar mais leve de espírito. E isso não se consegue a almoçar no Mac Donald’s de Seul, a subir de elevador à Torre Eiffel ou fotografar as very tipical criancinhas da Amazónia. Até se pode conseguir mas é, no mínimo, mais complicado. É preciso esquecer o mapa em casa, falar com gestos toscos e palavras atabalhoadas, fazer um turismo mais sustentável. Neste sentido, a School of Life dá aquela mãozinha, desvendando novos itinerários e segredos locais. Um bocado a tendência mas lá está, ouvir uma dica de um professor tem sempre outra pinta.

Biblioterapia

Poucos serão os corajosos que nunca largaram um livro poucas frases depois de o começar a ler. Culpa do autor que não agarra o leitor ou do leitor que não percebe o autor? Não importa, importa resolver. E impingidos bastaram o Lusíadas e os Maias que só voltámos a pegar 10 anos depois. A questão está em aprender a seleccionar.  Escolher entre as dezenas de livros publicados a cada 30 segundos, blogs, revistas, webzines, sites e outras coisas interessantes neste mundo e no digital não é fácil. Já ler um texto até ao fim é obra hercúlea. Ainda estás aí?

Para resolver isto, nada como um boa sessão de Biblioterapia, a prima da Psicanálise que gosta de livros e tem como objectivo ajudar-te a descobrir que tipo de livro precisas. Sem aditivos ou remédios milagrosos, apenas com (bons) conselhos. Moral da história, talvez a Filosofia não seja mesmo para todos. Mas esta, pelo menos, é.



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