The Stills

Até a lógica é composta de mudança.

Já não era a primeira vez que os Stills vinham do Canadá para tocar no “The Club That Cannot Be Named”, o espaço que fica situado no andar de cima do clube britânico The Zodiac, em Oxford, e onde a estreia havia tido direito a lotação esgotada. E a provar que essa mesma lógica de que fala o vocalista Tim Fletcher também tem caminhos que a razão desconhece, esse passado comum, feliz, entre a banda e o público britânico, não soube como contornar o constrangimento inicial que escurece obrigatoriamente um reencontro tão aguardado, aqui materializado no dia 12 deste mês.

Casa cheia mais uma vez, mas um público desconfiado, que manteve uma postura de passo atrás até Tim Fletcher ter aberto o jogo: “Este foi um dos sítios onde mais gostámos de tocar e onde fomos mais bem acolhidos. Por isso, estamos de volta e queremos fazer deste um concerto inesquecível para vocês e para nós, porque depois desta digressão vamos para casa trabalhar no novo disco e só voltamos a Inglaterra daqui a oito meses!”.

O concerto começou aqui. Para trás haviam já ficado “Lola Stars and Stripes”, “Gender Bombs” e “Changes Are No Good”. Confirma-se: os Stills seguem o alinhamento do álbum por boa parte do concerto. Perde a graça para quem conhece o disco. Siga. Ainda que com pouca receptividade do público, não se perdeu tudo nas melodias iniciais, ou não fossem aquelas três das canções mais fortes de “Logic Will Break Your Heart”. Uma “Lola Stars and Stripes” bastante mais rock n’ roll do que melódica, mas que para bem de todos os pecados cometidos naquela hora, conservou a suavidade do refrão como a conhecíamos.

Pelo contrário, o hino “Changes Are No Good” foi tudo menos suave. E daí? As mudanças não se querem suaves, e esta é uma canção para ouvir alto, tocar alto, distorcer se a ocasião assim o exigir – um arranque muito mais dançável do que estava previsto (?), e depois dos primeiros versos que dão conta das mudanças em curso, as guitarras em desgarrada com a bateria potentíssima de Dave Hamelin, que acabou por não dar hipótese a qualquer adversário sonoro. Abrandou apenas para deixar entrar novamente a batida comandada por Liam O’Neil que marcou o ritmo da música até aos acordes finais novamente com Fletcher a cantar em passo de dança.

Ainda a par de “Love and Death” e da mais requisitada da noite “Still in Love Song”, um dos momentos-chave do concerto foi protagonizado por Dave Hamelin, o baterista-engraçadinho (e com graça, diga-se de passagem) que antes do encore trocou os pratos pelo microfone e mostrou não só os dotes vocais, que já deixara antever na faixa que encerra o álbum, “Yesterday Never Tomorrow”, mas também os de entertainer. Aliás, o baterista Hamelin mostrou em cinco minutos ter mais espírito de palco e de mestre de cerimónias do que Fletcher ao longo de todo o espectáculo. Fez questão de realçar que apesar não estar ninguém atrás dos pratos, a bateria continuava a soar. “É um dom que tenho. E só estou à venda numa cor!”. As luzes destacaram de seguida Liam O’Neil, discretamente posicionado lá atrás no comando das teclas e da maquinaria.

Por esta altura já o público sorria e dançava animadamente, enquanto a “Still in Love Song” era pedida a plenos pulmões por parte da assistência feminina que gritava como se estivesse na última fila da Wembley Arena e se quisesse fazer ouvir no palco. À escala portuguesa, o “clube sem nome” devia levar metade da lotação do Paradise Garage, e as entusiastas fãs estavam na segunda fila. Pouco depois, soava a batida inicial da música mais pedida da noite. Lógico.



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