The Supervisor

The Supervisor

"O nosso som vive de contrastes muito fortes"

Os The Supervisor apresentaram recentemente o seu primeiro longa-duração, “Hold”, o primeiro trabalho desde que lançaram o EP em 2009. No entanto, já são banda desde 2007.

“Hold” tem quase uma hora de rock, dividida em 12 faixas. Mas apenas dizer que The Supervisor é rock é como resumir a Torre Eiffel a ferro; apresentam-nos um som baseado em guitarra, baixo e bateria e agora teclas, é verdade. E as teclas deram mais complexidade à banda; o seu som tornou-se mais construído e completo. A banda cresceu a nível sonoro e lírico, e cresceu muito bem… Há mais do que simples rock, mas navega nos satélites deste.

A voz de André Banza, a bateria de Pedro Ramalho, o baixo de Renato Silva e as teclas de Rui Pereira valem mais do que uma simples escuta. Vale a pena pegar no álbum e andar com ele por perto, pois músicas como «In Rotation», «10.000 Lies», ou mesmo a faixa que dá nome ao álbum, «Hold», são dignas de revista constante. Ao vivo são electrizantes, mais do que supervisionarem-nos, passam-nos a pente fino e arrancam de nós longos momentos de soft head-banging.

Nos dias de hoje é realmente um desafio lançar um longa-duração, é a fast-food era. Mas quem ouve “Hold” de uma ponta à outra não fica com a sensação de que está a ouvir mais do mesmo; de faixa para faixa reinventam-se e mostram sonoridades novas.

Lançámos meia dúzia de perguntas aos The Supervisor e o Pedro Ramalho respondeu. Da entrevista vê-se que a base é forte e coesa, e o caminho é construído calmamente mas de forma muito estruturada.

Há quanto tempo é que os The Supervisor existem? Quando e como começou o vosso caminho pela música?

Nós estamos juntos, como banda, desde Maio de 2007. Nós (Banza, Renato e Pedro) conhecemo-nos devido ao nosso percurso profissional. De início não trabalhávamos todos juntos mas sim em empresas que tinham projectos comuns, o que acabou por promover a interacção entre os três. Depois, com o tempo, fomos descobrindo que tínhamos referências musicais comuns e acabou por se marcar uma jam. De início a ideia nem era ter um projecto de originais ”a sério”, mas sim um espaço semanal em que podíamos ir descomprimir um pouco da semana de trabalho. Depois tornou-se um vício, um bom vício.

“Hold” surge 3 anos depois do primeiro EP… O que aconteceu durante esses anos?

Este álbum demorou mais tempo a concretizar-se do que aquilo que pretendíamos. De facto, houve vários factores que contribuíram para isso, nomeadamente os nossos compromissos profissionais. 2011 foi um ano de trabalho árduo e acabámos por deixar os The Supervisor em suspenso.

O facto de trabalharmos por turnos acaba por nos condicionar um pouco, dado que nunca podemos ensaiar antes da meia-noite. E isso, com a nossa idade, já ”mói”… contudo, se calhar se ensaiássemos às horas ”normais” talvez soássemos completamente diferentes… e não sabemos se isso seria bom.

Este álbum conta com a presença de mais um elemento. Apresentem-no (como se chama, o que toca, o que trouxe de novo)?

É verdade. O Rui integrou-se na banda da forma mais harmoniosa e natural possível. Ele já tinha estado connosco em vários concertos em Lisboa e também nos acompanhou na estrada em várias ocasiões. Nestas ocasiões ajudava-nos a nível de som, material, etc.

Nós sabíamos que ele tocava guitarra e teclas mas fomos deixando que as coisas acontecessem naturalmente. Até que chegou o momento certo para o convidarmos. E ele, felizmente, aceitou. Isto deu-se no início de 2011.

O Rui entrou numa fase em que já tínhamos vários temas compostos mas aos quais sentíamos que faltava algo mais, nomeadamente em termos de arranjos, pormenores, frases sónicas mais arrojadas, etc. Ele trouxe essas ideias todas, acrescentou muito aos temas e até acabámos por recuperar alguns que já estavam guardados num baú. No fundo, acreditamos que somos uma banda mais completa, mais coesa e mais consentânea com aquilo que sempre quisemos fazer.

Por curiosidade, até se pode dizer que o Rui já está na banda pelo menos desde 2009. Nesse ano, num concerto na Fábrica do Braço de Prata, o Banza mandou-se para o piano que estava disponível na sala em que estávamos a tocar e espontaneamente desafiou o Rui a pegar na guitarra e tocar a «Faded Away» connosco. E o Rui chegou-se à frente e correu muito bem. Sem ensaio nem nada. Às tantas, até foi aí que tudo começou.

Como definem o vosso som? Rock indie alternativo? Sejam ousados, rasguem esse rótulo e criem um novo só vosso….

O nosso som vive de contrastes muito fortes, que varia entre harmonias, ora mais luminosas, ora mais soturnas, e momentos de tensão sónica muito vincados. A voz do Banza tem um papel preponderante nesta manta sonora – ele tem uma facilidade incrível em variar de registo e a voz dele funciona, literalmente, como um instrumento desde o início de cada canção. Muitas vezes as músicas nascem de uma melodia vocal improvisada num ensaio, por exemplo. Em termos de rótulo, somos uma banda rock, com os mais variados elementos que pertencem a essa universo.

Quais as vossas influências neste momento? Que bandas ouvem e onde vão buscar inspiração de alguma forma?

É difícil enumerar todas as influências que acabam por estar presentes naquilo que fazemos. Somos quatro indivíduos que ouvimos muita música, dos mais variados géneros, e esta diversidade depois acaba por se reflectir naquilo que são os The Supervisor. Gostamos de mostrar e trocar música entre nós, desafiamo-nos muitas vezes a ouvir coisas novas e muitas vezes acabamos por descobrir gostos em comum. Outras vezes nem tanto, o que também acaba por ser interessante.

Há uma matriz anglo-saxónica, claro, ou seja, vamos beber muito a coisas que vêm dos E.U.A. e Inglaterra, que são os países que se destacam dentro do panorama com que mais nos identificamos mas depois existem um sem-número de projectos vindos de outros lados que também entram nas nossas contas.

Qual a estratégia para “Hold”? Concertos e mais concertos ou algo mais do que isso? Passa por tentar exportar mais?

Estamos a lançar o “Hold” em duas fases, por uma questão estratégica e circunstancial. Nesta fase não temos uma editora ou distribuidora a trabalhar connosco, o que nos levou a encontrar uma estratégia para levar o disco às pessoas.

Numa primeira fase, estamos a apostar numa edição exclusiva com a Fnac, através de um digipack que contém o “Hold” e o nosso primeiro EP. Estamos a promover esta edição com vários showcases Fnac nos meses de Junho e Julho e é possível que façamos mais alguns showcases em Setembro.

Numa segunda fase, iremos lançar o “Hold” a 24 de Setembro para o mercado global, tanto a nível físico como digital. Esta segunda edição terá alguns extras, novo artwork e será promovida com concertos em nome próprio por todo o País. Contamos tocar este disco ao vivo o mais que pudermos, assim haja condições para o fazermos.

A questão da exportação é obviamente algo que nos interessa mas que não é nada fácil de concretizar. Contudo, hoje em dia, existem vários projectos portugueses que por mérito próprio começam a ter algum mercado além-fronteiras.

A ideia que temos é que esse objectivo só pode ser concretizado mediante um grande investimento da banda, em todos os aspectos. Por vezes, no nosso caso, o mais difícil é exactamente ter a disponibilidade suficiente para conseguir atingir e trabalhar determinadas situações. Mas se surgir uma janelinha, vamos tentar abri-la, claro!



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