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The Walkmen @ Coliseu

14 de Novembro de 2010. Entrega e devoção.

O Coliseu dos Recreios em Lisboa recebeu, no dia 14 de Novembro, os The Walkmen. A banda nova iorquina apresentou “Lisbon”, o disco que vai colocar o nome da capital portuguesa na lista dos melhores discos do ano em algumas das mais importantes publicações internacionais e que demonstra a ligação que a banda mantém com a cidade.

A primeira parte do concerto ficou a cargo d’os Golpes, que perante uma plateia muito bem composta aproveitaram muito bem a oportunidade para actuar no Coliseu. Com uma curta mas bem articulada setlist, o projecto de Manuel Fúria mostrou não ser uma banda de um reef só, demonstrando uma excelente postura e energia em palco tendo motivado uma aclamação de pé no final da actuação por grande parte da plateia.

Temas como “O Canto” e “Vá lá Senhora” já se tornaram hits, tendo sido reconhecidos de imediato pelo público que acompanhou com palmas e com um tímido sing a long do público. A actuação dos Golpes provou que na grande maioria dos casos e preferível escolher projectos nacionais com os quais os fas da banda “principal” se identifiquem do que trazer um qualquer projecto estrangeiro de qualidade duvidosa.

A carreira dos The Walkmen tem, em certos aspectos, semelhanças com os The National. São dois projectos de Nova Iorque, representantes do indie rock norte americano, partilham o mesmo grupo de fãs e os seus primeiros discos foram quase ignorados pela imprensa, tendo atingido a consagração com os mais recentes lançamentos. Através desta analogia podemos afirmar que “Lisbon” é o “Boxer” dos The Walkmen.

O concerto de dia 14 de Novembro foi muito eficaz tendo roçado, em determinadas alturas, a perfeição. À saída todos os comentários elogiavam a voz de Hamilton Leithauser e a forma como a banda interpretou os temas. “Foi igualzinho ao disco só que mais potente”, disse um dos espectadores enquanto abandonava o Coliseu após cerca de hora e meia de actuação.

Em palco, a ligação não foi espelhada apenas em palavras já que Hamilton Leithauser é parco em palavras, mas sim em musica e energia. O concerto arrancou com a suave e belissima “While I Shovel The Snow”, tendo explodido logo a seguir com três das mais potentes musicas do grupo,”New Year”, “Angela Surf City” e “The Rat”, curiosamente, três faixas de três discos distintos. A reacção do público foi imediata e as cadeiras com que foi preenchida a plateia tornaram-se simples elementos decorativos.

Se o inicio do concerto foi electrizante  tudo o que se passou depois daqueles 15 minutos foi mágico e espelhou a devoção do publico português e empatia que foi criada com a banda. Em cada musica, em cada acorde, sentiu-se que a banda estava a dar o máximo, como se cada musica fosse a ultima do alinhamento.

O concerto terminou com “Juveniles”, faixa que abre “Lisbon”. Pelo meio apresentaram a canção “mais triste” da banda – nas opinião de Leithauser – “Woe is Me”, hipnotizaram o público com a romântica “Canadian Girl” e, como não podia deixar de ser, dedicaram “Lisbon” à cidade que os inspirou para escrever um dos discos do ano.

A banda ainda regressou para um encore tendo guardado para o fim, “We’ve Been Had”, faixa do disco de estreia da banda, “Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone”.

Em conversa com a revista Spinner, a meio de uma actuação que pode ser encontrada no Video Podcast “The Interface” (altamente recomendado) a banda confidenciou que a escolha do titulo deste novo disco esteve relacionado com a tremenda ligação que a banda criou com a cidade, a qual visitou duas vezes durante o processo criativo que levou a este álbum. Esta ligação ficou provada através da entrega que os The Walkmen demonstraram em palco e pela intensidade com que actuaram. Este vai ser um ano muito difícil para seleccionar o “melhor concerto do ano”, mas a actuação dos The Walkmen no Coliseu de Lisboa será uma das concorrentes.



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