The Weatherman @ ZDB

Boas vibrações em dia de Inverno.

O dia, 23 de Março, quinta-feira, começou feio. Chuvoso, cinzento, depressivo, o oposto total à música de Alexandre Monteiro, The Weatherman, em disco. Depois da passagem acústica, no mês passado, pelo palco do Lounge, o músico regressou a Lisboa na passada quinta-feira, desta vez na companhia da sua banda. O espaço escolhido foi a galeria Zé dos Bois, em pleno coração do Bairro Alto.

Antes do concerto de Weatherman, o palco ficou entregue a Dienz Zithered, projecto com raíz assente em paisagens electrónicas, num universo recheado de diferentes horizontes sonoros. Uma boa fatia do público preferiu, injustamente, aguardar fora do “aquário” pelo concerto de Weatherman. Apesar de algo desequilibrado e pontualmente pouco estimulante, o projecto de Christof Dienz mostrou, ao longo da sua meia hora de actuação, alguns momentos muito elegantes, numa assaz curiosa manipulação sonora. A rever.

A plateia estava já bem composta, nesta altura da noite. A boa recepção de que “Cruisin’ Alaska” – disco de estreia de The Weatherman – foi alvo justifica já algum interesse por um projecto quase ovni na música nacional. Apregoam-se as virtudes pop do músico, as canções descomprometidamente adultas, a estética harmoniosa de The Weatherman. Os coros, coisa rara em Portugal. Tudo com razão.

Às duas primeiras canções, o grande problema deste concerto começava-se a notar: a deficiente qualidade sonora, um baixo cujo volume fazia jus ao nome do instrumento, problemas nos monitores, uma voz demasiadamente alta, por vezes, comparada com os instrumentos. Tudo factores externos à actuação dos músicos, mas que acabou, inevitavelmente, por influenciar a própria confiança da banda.

O dia era de chuva, já se disse, mas tal não foi, ao contrário dos problemas técnicos, impeditivo para as good vibes que se fizeram sentir na ZDB. À quarta canção, «If You Only Have One Wish», já alguns sorriam, abanavam a anca, cantarolavam, os menos tímidos. E urge o lançamento em single deste tema, agora que já faltou mais para o Verão. Não muito depois, tempo para a única novidade do concerto, um tema novo, «Floating Downwards», Alexandre sozinho com guitarra acústica, voz, em registo intimista. Lindíssimo.

De resto, desfilou-se “Cruisin’ Alaska” na íntegra, aparte «Intermission» e «Sierra del Sol», com evidências maiores na já referida «If You Only Have One Wish», «Down To The Bits» (em versão menos produzida, igualmente certeira, contudo) ou ainda «Cosmic Life», repetida em encore. Menção também para o teclista Pedro Marques (dos Alla Pollaca), destaque maior pela eficiência e apurado sentido musical nas teclas e samples.

O dia, lá fora, continuava chuvoso e cinzento. The Weatherman, por adversidades externas, já se disse, não trouxe o sol por completo, mas, ao longe, os mais imaginativos conseguiam vislumbrar um arco-íris. Tal como o concerto de Alexandre e restante banda, ficou o dia parcialmente ganho.



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