THE XX | I SEE YOU

THE XX | I SEE YOU

Tudo o que precisava de saber sobre “I See You” descobri no título. O novo trabalho dos The xx revela-se no nome: foca-se em examinar os outros ao invés de a si próprio. Esta viragem marca as várias diferenças em relação aos álbuns anteriores, claramente mais introspectivos.

Talvez esteja aí o desgosto que alguns fãs expressaram com este disco, esperavam mais uma banda sonora para as dores de crescimento que todos sentimos e depararam-se com música quase feliz. Nestes tempos confusos, soa a traição.

Se quisermos apontar um culpado, e queremos, porque dá algum conforto, a responsabilidade recai sobre Jamie Smith. “I See You” está cheio de salpicos das cores que Jamie usou para compor o seu “In Colour”, mas que talvez devessem ter sido limpos. As experiências de Jamie não resultam tão bem no seu regresso à banda. A sensação é que quando toca a sons mais pop, ter Jamie ao comando com participações de Oliver Sim e Romy Madley Croft funciona melhor do que tê-los todos ao mesmo nível. Equilíbrio e igualdade não são sinónimos e aqui percebe-se porquê. Acontece.

Felizmente, a banda continua a ser terribly british, no melhor dos sentidos. Ainda soa a noites londrinas que começam cedo, não se sabe quando acabam ou com quem se vai esbarrar. E essa parte é fundamental: os pequenos dramas e desgostos, encontros e desencontros, continuam a fazer parte de uma saída com os The xx e são, talvez, mais importantes que nunca. As suas, são noites sempre de ténis nos pés e onde qualquer vestígio de lantejoulas ou excesso de maquilhagem é irónico.

E sim, o som está mais poluído, o que prejudica a vertente atmosférica que sempre caracterizou a banda. Por outro lado, as músicas são mais catchy, o que pode ser muito positivo quando os The xx se apresentarem perante 50.000 pessoas este Verão no NOS Alive. Ser pop não é um defeito, o problema com “I See You” é que ainda não concilia bem as várias influências de modo a criar um álbum coeso.

Mas temos tempo. O trio de The xx ainda está a crescer, a procurar novas coisas dentro deles, a olhar em volta e sim, eles estão mais felizes. Tudo isso há-de ficar gravado para nós ouvirmos. E o facto é que o processo de amadurecimento está cheio de avanços e recuos. Aqui está a prova.



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