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This Is Pacifica

Destacam-se pela diferença e qualidade do seu trabalho e são um dos nomes a ter em conta quando falamos de design português.

[A Pacifica é um atelier de design que trabalha a criatividade em projectos transversais e diferenciadores, desenvolvendo as suas competências sobretudo em iniciativas globais e multidisciplinares.]

São sem dúvida um dos nomes a ter em conta quando falamos de design português, apesar da sua recente formação. Com um espírito jovem e um olhar atento sobre as mais recentes inovações tecnológicas, a Pacifica é um estúdio criativo de comunicação integrada com base na cidade do Porto. Destacam-se pela diferença e qualidade do seu trabalho. Com apenas três anos de existência, actuam em áreas complementares como Design Gráfico, Editorial, Branding, Ambientes, New Media, Advertising e interactividade. Os seus fundadores, Filipe Mesquita, Pedro Serrão e Pedro Mesquita criaram este atelier com o objectivo de trabalhar a criatividade e concretizá-la em projectos transversais e diferenciadores, desenvolvendo as suas competências sobretudo em iniciativas globais e multidisciplinares, que têm originado reconhecimento da crítica e de organismos que lhes têm vindo a agraciar durante estes anos com mais de uma dezena de prémios, tanto nas áreas do Print como em New Media.

Recentemente, um dos seus membros, Pedro Serrão, esteve a trabalhar em Londres, na aclamada agência AKQA UK, que no ano passado foi reconhecida como agência do ano no Reino Unido, experiência essa que permitiu não só o amadurecimento pessoal de Pedro, como também, agora com o seu retorno à Pacifica, o estabelecimento de parcerias e contactos com agências e clientes no Reino Unido. Neste momento colhem já alguns frutos da sua estadia, ao ter acordado recentemente com a AKQA uma parceria em projectos internacionais na área mobile e new media válido para 2010, em que se destacam clientes como a Nike, por exemplo.

Numa entrevista concedida à Rua de Baixo, Filipe Mesquita fala-nos um pouco sobre o percurso do atelier e algumas considerações sobre o design em geral.

Questionado sobre os três anos de existência da Pacifica e o seu crescimento marcado pelo reconhecimento e projecção cada vez maior do seus trabalhos, Filipe considera que “um período de evolução e amadurecimento do atelier é um período em que a cadência de trabalhos e prémios são indicadores de que estamos no bom caminho e que nos deixam optimistas. Estes primeiros três anos, e olhando para trás, são também marcados por projectos que nos deram alguma visibilidade, mas que nos permitiram igualmente mostrar algumas das nossas competências e metodologia criativa, e isto foi realmente importante para nós.”

No seu portfolio, a Pacifica conta com trabalhos para o Diário de Noticias, Optimus, Throttleman, OFFF, Fitei… assim como inúmeros reconhecimentos e prémios em festivais e publicações na área. Como colectivo, será que sentem que todo este reconhecimento levanta o nível de exigência e altera a qualidade do trabalho ou conseguem manter-se fiéis à estética inicial que potenciou a criação da agência?

“Acreditamos que a estética da Pacifica (se a há) se reflecte nos nossos trabalhos. Não existem clientes privilegiados, existem bons briefings e maiores ou menores desafios. A criatividade não se reduz a grandes budgets ou a projectos livres. Os prémios ou reconhecimento advêm, na maior parte das vezes, de projectos onde existem grandes limitações, mas onde os clientes acreditam mais no poder da comunicação como forma de inspirar e comunicar a sua marca. A sistematização de trabalho na Pacifica passa por apreender o que nos é pedido, clarificar e, a partir daí, assumir um compromisso de qualidade em parceira com o cliente, quer este seja de grande ou pequena dimensão.”

Com estes clientes de “peso”, é de esperar que os dias de trabalho sejam certamente muito absorvidos por projectos essencialmente comerciais. Ainda encontram espaço/tempo para a diversão e projectos pessoais dentro desta área? A resposta é afirmativa. Munidos dum atelier com um ambiente familiar com o qual se identificam e uma proximidade com a praia, possibilita, mesmo com bastante trabalho, encontrar um espaço para outras actividades que os permitem libertar-se da tensão que este tipo de trabalho possa causar. “O dia-a-dia é muito intenso, o atelier fica perto da praia, existem bons restaurantes e esplanadas, existe a marginal onde andamos de skate, a praia de Matosinhos e Leça onde vamos surfar (muitas vezes à hora de almoço), temos dois cães labradores a trabalhar connosco todos os dias. Vamo-nos arranjando!”

Sobre a origem da inspiração para cada novo trabalho, Filipe aponta como ponto de partida o cliente e o briefing, mas também a oportunidade de superar as expectativas. Potenciar e superar o que lhes é requerido, acrescentar e tornar em mais-valia um pedido, uma causa ou trabalho, por mais pequena ou grande que seja. Acrescentar camadas e leituras aos trabalhos, com conceitos sólidos e assertivos, não ceder à tentação de resolver cada trabalho apenas com premissas estéticas.

Ainda explorando um pouco o portfolio e carteira de clientes do atelier, tentamos saber se há algum projecto em particular que tenha dado mais prazer em trabalhar, mas Filipe Mesquita não consegue apontar apenas um:

“Existem na verdade alguns. O FITEI é sempre um projecto estimulante porque nos permite desenvolver um conceito global diferente de ano para ano. No último ano a imagem do FITEI foi feita de raiz com uma cenógrafa. A cenografia foi muito importante na imagem do FITEI porque integrou quase todas as peças. Desde o mupi, até ao programa (onde as primeiras páginas têm fotos do making off da sessão fotográfica) até ao próprio anúncio de televisão, todas as peças usaram material construído como um cenário e uma peça de teatro. Outro projecto muito interessante foi o Daily Journal criado para o OFFF 2009 (International Festival for the Post-Digital Creation Culture, que no ano passado teve lugar em Oeiras) em parceria com a agência 50 Done desenvolvemos um conceito de Jornal diário encartado com o Diário de Notícias, com uma tiragem de mais de 45.000 exemplares por dia, com todas as notícias e destaques de cada dia do OFFF. O conceito editorial da capa e do programa permitiram que este jornal gerasse uma visibilidade e um buzz enorme. Foi também uma oportunidade de a Pacifica estabelecer uma parceria com o tipógrafo português Hugo D´Alte, com quem trabalhamos no uso de algumas das suas fontes. Cada edição do Jornal foi trabalhada quer a nível cromático, quer a nível tipográfico, tornando cada edição única e irrepetível. A grande limitação, mas também mote conceptual, era que no próprio local cada número/edição teria de ser editado (conteúdos, fotos e artigos), sendo que trabalhámos arduamente durante cada dia para poder fechar a edição até às 18 horas para enviar para as rotativas do DN.”

E em relação a um projecto ou cliente de sonho? Haverá algum em particular que a equipa da Pacifica gostasse de trabalhar? Mas, mais uma vez, com uma resposta politicamente correcta não nos aponta um trabalho em específico. Diz-nos apenas que para um projecto aliciante apenas necessitam de um cliente que reconheça no designer um consultor especializado e competente para com ele estabelecer uma equipa de trabalho real e com ele desenvolver um trabalho inspirador.

Numa perspectiva mais de opinião pessoal, quisemos saber também que outros criativos ou colectivos portugueses ou internacionais na área de Design são admirados e seguidos por perto pela equipa da Pacifica, em que foram destacados as agências R2, João Faria, Martino&Jana,  Alva (de quem já falamos na RDB), Musa, Silva Design, a nível nacional, e como referências internacionais Hort, MM Paris, Universal Everything, Studio Output, Hugo and Marie, AKQA, TED.com entre outros.

Em tom de fecho desta conversa, pedimos a Filipe um balanço do design e do seu crescimento no nosso país. “O design português precisa de se afirmar como uma área criativa, muito próxima da inovação e tecnologia”, diz-nos acerca do design em Portugal. “O design tem de ser tido como uma alavanca do produto made in portugal. Essa postura deve ser potenciada, numa perspectiva de exportação da capacidade e qualificação do design que fazemos, precisa de mais e novos interlocutores que medeiem e articulem, além-fronteiras, o posicionamento do design na sistematização da produção e imagem do mesmo. A afirmação do design depende também da postura que os designers têm sobre o que deveria ser um código de ética e de corporativismo. A esse nível estamos muito atrasados, existem poucos links entre designers, ateliers e agências, que ajudem a fomentar um diálogo deontológico e ético, sem o estigma concorrencial entre agências. Ainda há bastante para fazer na imagem que o design e os designers têm junto da sociedade e do público geral, fomentando uma cultura do design integrante e participativa.

Na Pacifica acreditamos e assumimos que podemos ser diferentes por comunicar essa diferença a clientes, colaboradores, fornecedores e a todos os que podemos envolver nesse processo de mudança.”



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