Tiago Vilhena | Entrevista

Foi no passado dia 18 de Outubro que Tiago Vilhena editou “Portugal 2018”, pela lisboeta Pontiaq, o que serviu de desculpa para lhe colocarmos algumas perguntas.

Tiago Vilhena começou o seu percurso como compositor nos Savanna e prossegue, num segundo capítulo, este já a solo, como George Mavison. Este terceiro capítulo dá-nos a conhecer “as canções que melhor refletem aquilo que eu sou agora assim como as canções do álbum “Chill Wild Life” eram as que melhor refletiam o que eu era na altura. As pessoas mudam e nunca nenhuma música vai refletir na totalidade o que eu sou, simplesmente por eu ser uma entidade em constante mudança, ao contrário de uma música que é uma gravação fixa, inacabada, mas ainda assim, que vive do que ela é e não do que ela pode vir a ser.”.”Portugal 2018” é também o primeiro álbum em que Tiago opta por compôr em português porque como o próprio confessou, “gosto muito de escrever e um dia fartei-me de usar o Google tradutor. Agora só uso um dicionário de sinónimos e um dicionário de rimas”. Quem não, pensamos nós!

Ao escutar as canções deste álbum salta à vista uma veia activista, que nos tempos que correm parece ser mais essencial do que nunca. Que passa por ter a capacidade de chamar a atenção para temas que são muitas vezes “esquecidos” ou, no mínimo, muito mal discutidos e abordados. Tiago Vilhena consegue fazê-lo de uma maneira interessante através das suas canções. Mas quem é o Tiago Vilhena activista, perguntamos. “É um privilegiado homem branco que nasceu sem problemas financeiros numa cidade pacífica que cada vez mais se aproxima da conclusão de que as injustiças que algumas pessoas vivem neste mundo são culpa do coletivo ser humano e de que todo o homem consciente tem o papel e o dever de alertar, de ajudar e de lutar pela igualdade e pelo bem estar do resto do mundo”. 

«D’Esta Vida» é uma canção curiosa (e bem bonita, por sinal) porque nos dá 3 perspectivas diferentes sobre a vida e cada uma dessas perspectivas é cantada por uma pessoa diferente. Para além de Tiago Vilhena, é José Penacho (guitarra e voz dos Marvel Lima) e April Marmara que emprestam as respectivas vozes. De vez em quando imaginamos grandes histórias por de trás das decisões que são tomadas, como dar a voz a «D’Esta Vida» mas às vezes a explicação pode ser a mais simples: “o único motivo foram as suas vozes. Nada mais. São duas pessoas das quais eu gosto muito”. 

Estas 10 canções soam todas diferentes, mas ao mesmo tempo parecem que têm também alguns um traços comuns. Há aqui uma identidade. Estão repletas de detalhes e arranjos que dão prazer ouvir e descobrir. Segundo Tiago, todas as canções que fez até hoje “tiveram de ser trabalhadas até atingirem um estado que me satisfizessem. Claro que há músicas que resultam imediatamente mesmo sem compor arranjos. A música «Beni» do meu álbum anterior é um exemplo disso. A música «O Mar» deste novo disco é outro exemplo. Contudo isso não me priva de compor uma aura em volta da canção. Esta aura vive das texturas que no álbum “Chill Wild Life” eram criadas com sintetizadores, reverbs, delays e modulação do som com phasers, chorus e muitos mais artifícios. No álbum “Portugal 2018”, quis fazer algo que dependesse menos da máquina, então crio esta aura com chocalhos, shakers, tambores e muitos mais instrumentos percussivos, com flautas e com um acordeão, uivos e berros e muito mais”.

Todos nós somos um pouco daquilo que ouvimos. Para alguém que esteja a compôr um álbum isso pode ganhar uma importância ainda maior, pela influência que pode representar e Tiago Vilhena não é excepção: ”as músicas do Victor Jara estavam constantemente a tocar nos meus phones na altura que compus este álbum. George Dalaras era outro que não me saia dos ouvidos. Agora ando numa fase mais erudita onde o Stravinsky reina e onde o Maurice Ravel, Gustav Mahler e o Prokofiev não passam um dia sem serem ouvidos”.

Antes de acabarmos perguntamos se há alguma canção que dê mais prazer interpretar e mais uma vez somos surpreendidos pela honestidade e simplicidade da resposta. “Gosto muito de tocar o «Milagre Da Oportunidade». Simplesmente porque, para as minhas limitações ou habilidades técnicas, é uma música muito fácil de tocar e de cantar, e porque gosto muito das palavras que estão registadas nesta música”.

Para já não estão previstas apresentações ao vivo das canções de “Portugal 2018”. Até lá, recomendamos vivamente que descubram e escutem o disco com a toda a atenção que merece.



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