Tiga vs Keegan

Empate técnico.

A última (cumpli)cidade da temporada não podia ter sido melhor. Para além do aguardado regresso  do canadiano Tiga ao Lux, após noites memoráveis no passado, a festa de dia 14 de Julho teve a presença de um dos nomes mais importantes da dinamização da Nova Iorque dançante, Dominique Keegan. O agradável duelo entre os dois pisos foi intenso e quem ganhou foi o imenso público que mais uma vez encheu o espaço lisboeta.

TIGA “RAW” MODE

Depois de gloriosas passagens pelo Lux, Tiga era sem dúvida o nome mais aguardado da noite. Depois de um excelente warm up de Pink Boy, o dj canadiano tomou conta dos pratos já bem perto das três da manhã e levou à loucura um imenso mar de pessoas, que enchia por completo o piso inferior do espaço de Santa Apolónia.

Não foi preciso muito tempo para perceber que a direcção do seu set seria um pouco diferente daquilo a que estávamos habituados. Conhecido pelo seu ecletismo e diversidade de escolhas nos seus sets, Tiga surgiu bastante mais “cru” e “duro”, mantendo-se fiel a um electro mais pesado que melódico. Obviamente que quem estava na pista não ficou nada chateado e recebeu muito bem todas as suas escolhas.

Os sons escolhidos por Tiga foram obviamente influenciados pelo espaço. Se a sua actuação tivesse acontecido no piso superior do Lux, os discos teriam sido outros e a sua veia de entertainer teria sido mais evidente. Assim ficámos a conhecer o outro lado de Tiga, mais provocante e incisivo, que pode ser o caminho a seguir no futuro.

Durante as quatro horas em que esteve atrás dos pratos, o canadiano esteve sempre bastante discreto e pouco efusivo, concentrado apenas em presentear o público com uma grande dose de energia, boas vibrações e excelente música. O fim da sua actuação foi recebido com uma merecida salva de palmas que mostraram o apreço e carinho que o público lisboeta tem perante o dj/produtor.

Até à próxima.

DOMINIQUE “PARTY” KEEGAN

Enquanto o piso inferior estava a pegar fogo com a actuação de Tiga, a música do magnífico “bar” do Lux estava a cargo do surpreendente Dominique Keegan, cativando muitos dos habituais frequentadores. O irlandês conseguiu entender a essência do espaço e apresentou um set muito diversificado que passou pelo rock, electro e house, sempre com escolhas e passagens muito bem estruturadas e interessantes.

Quem costuma frequentar o Lux conhece a mística do primeiro piso, ou se preferirem, do “bar”. A longínqua distância qualitativa que separa esta discoteca das outras demais advém da existência deste espaço que é de culto para muitos dos noctívagos da capital. Keegan captou muito bem toda a essência e espírito do Lux e presenteou-nos com um set estonteante e uma excelente banda sonora para um nascer de sol à beira rio.

O set de Keegan deverá ter começado mais ou menos ao mesmo tempo que o seu “rival” do piso de baixo e acabou alguns minutos antes. Em todas estas horas de música passaram pelo gira-discos do irlandês alguns dos hits mais recente do indie rock, remisturados ou não, como por exemplo “Banquet” dos Bloc Party ou “Honest Mistake” dos The Bravery, muito bem intercalados com alguns dos êxitos electro/house/whatever conhecidos por todos os “luxianos” presentes.

Esta tremenda capacidade de organizar a set list, transformou o sóbrio Keegan num verdadeiro entertainer, que colocou ao rubro todos os presentes.

Em suma, a noite de 14 de Julho de 2005, é mais uma para acrescentar ao enorme rol de grandes festas que passaram pelo Lux. Ficamos à espera que o defeso traga boas contratações para a próxima temporada de cumpli(cidades).



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