Tiga@Lux

Djs are not Rockstars?

E à sétima vez, o Hype.

A actuação de Tiga no Lux, na passada quinta-feira, teve um impacto fora das previsões de qualquer um. Se bem que fosse previsível uma maior afluência de público que nas restantes seis (!) vezes, a confusão que se gerou à volta da discoteca de Santa Apolónia assemelhava-se mais à entrada para um concerto num estádio do que propriamente à actuação de um Dj.

Enviado pela Rua de Baixo, costumo chegar relativamente cedo aos locais (em comparação com a maioria). Isto tem como objectivo relatar tanto o que se passou antes como depois do objectivo em questão. Entre as 00h e a 01h, costuma ser pouco o movimento, geralmente estaciona-se o carro facilmente e poucas são as pessoas que se aglomeram à porta. Porém, esta vez ultrapassou os limites da racionalidade.

Ao aproximar-me da zona da Bica encontro uma fila enorme, contornando a praça de táxis em frente da discoteca. Não se tratando de uma simples fila indiana de um ou duas pessoas lado a lado, literalmente aglomeravam-se pessoas em bloco, semelhante à entrada para um estádio de futebol. A aproximação à realidade futebolística domingueira era reforçada por um autêntico clima de romaria encontrado em inúmeros carros estacionados onde, em volta de porta bagagens abertos muitos se reuniam em pequenos grupos partilhando bebidas em copos de plástico.

Junto à entrada, ao lado da imponente fila principal, juntavam-se outra de corta-filas – pessoas que, de telemóvel em punho, tentavam de todas as formas e conhecimentos possíveis contornar uma inevitável espera de horas.

Subindo ao piso superior, aberto já em simultâneo com a discoteca, encontravam-se muitos precavidos que tinham comprado os bilhetes com antecedência e notando-se um certo clima de ansiedade pela actuação do canadiano. Tiago Miranda debitava uma dose de Mutant Disco que se prolongou até ao início do set principal da noite.

A progressiva entrada de pessoas não parecia diminuir a densidade da fila, e a discoteca estava praticamente no limite pelas 02h – uma hora antes da entrada de Tiga. Normalmente seria impossível para tanta gente assistir a este evento, no entanto (numa iniciativa inédita?) este iria decorrer em simultâneo na discoteca graças a uma transmissão ao vivo de som e imagem. O final de set de Zé Pedro Moura foi já de total expectativa para o que seguiria, a reacção imediata do público aos temas revelava um anseio pouco comum.

Sendo assim, pelas 03.15h, perante uma audiência que preenchia na totalidade todos os espaços possíveis de ocupar da discoteca, Tiga inicia o seu set com uma remistura a «Over and Over» dos Hot Chip, seguido da remistura de Simian Mobile Disco para o «Walking Machine» dos Revl9n. Duas faixas mais leves que antecipavam a dose de graves e o groove típico dos seus sets.

Ao longo das +/- 3h de set desenrolaram-se alguns dos temas de Sexor – «You gonna want me», «Far From Home» (num misto de original e remistura de DFA), «Louder than a Bomb», temas antigos como o «Hot in Herre» (com um bootleg ao vivo com o «Spastik» de Plasticman) remisturas suas para o «Washing up» de Thomas Andersson, «Suffer Well» de Depeche Mode ou para o «Tribulations» dos Lcd Soundsystem, a par de uma grande dose de outros temas, uns conhecidos outros desconhecidos ou por editar.

De destacar o acompanhamento em coro dos presentes às letras de «You gonna Want Me», à remistura de Boyze Noize para «Banquet» dos Bloc Party, e principalmente ao «Tribulations» – quem não soubesse parecia que os Lcd Soundsystem estavam a actuar ao vivo (ponto alto da noite, definitivamente).

Nota curiosa para o cantarolar do “refrão” (naaaa-nanananananan) do «Washing up», uma música instrumental (!) que, à semelhança do «Rocker» dos Alter-Ego, parece não a impedir de ser cantada.

Perto das 6h a.m., Zé Pedro Moura tomou novamente os comandos da cabine depois de uma aclamada actuação de Tiga.

Quem assistiu às outras actuações (menos carregadas de expectativa e bem mais relaxadas em termos de ambiente) dirá que a partir deste hype as coisas não voltarão a ser como antes. Todavia, é uma análise errada. Tiga não mudou, apenas tem mais exposição, a linha que segue impede a monotonia pois os temas da sua autoria (ou escolhidos por si) não assentam num padrão rítmico castrador mas num formato mais aproximado da “canção”, mais livre.

Muitos queixaram-se que a aderência massiva de uma faixa etária mais baixa bloqueou a entrada dos verdadeiros apreciadores – talvez – porém, o que se poderá dizer é apenas: chegassem mais cedo.

Voltará certamente a Portugal enquanto mantiver o seu nível qualitativo e, pelo ritmo que as actuações têm evidenciado, provavelmente regressará em Junho.

Dessa vez só cairá no mesmo erro quem quiser.



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