Tigerman @ Mercado

A nova máscara do homem tigre.

Aproveitando a passagem por Lisboa, onde actuara dias antes com os Wraygunn, Paulo Furtado apresentou o novo disco do seu alter-ego, o The Legendary Tigerman, no palco do Clube Mercado. Desse álbum ainda só se sabia o essencial: que se chamará “Masquerade”, que chegará aos escaparates no início de 2007, que foi produzido por Mário Barreiros e que conta com as participações dos Dead Combo, do percussionista João Doce e do próprio Mário Barreiros.

Há medida que os anos vão passando, nota-se um domínio cada vez maior por parte do músico sobre o seu universo musical. Por isso, não é de admirar que o palco agora apresente uma tarola electrónica, a acrescentar ao bombo, ao prato de choques, ao kazoo e à inevitável guitarra. Se os blues necessitassem de uma licença para serem tocados –algo como um curso intensivo, ou isso – Paulo Furtado seria dos que a tirariam em dois tempos. E esta relação que ele tem ao tratar os blues por tu, fá-lo manter uma proximidade cada vez maior com o rock, que se evidenciava na passagem de «Naked Blues» para «Fuck Christmas I Got The Blues» e que se parece agora projectar em “Masquerade”.

Foi contudo com dois temas do álbum de estreia “Naked Blues”, que Tigerman abriu o concerto: primeiro «Gonna Shoot My Woman» e depois «I’ll Make You Mine». O público começava a proximar-se timidamente do palco e, com «Crawdad Hole», começaram-se a ver as primeiras cabeças a abanar e os primeiros pés a bater. O Legendary Tigerman desafiou o público a aproximar-se ainda mais e, de seguida, o primeiro tema de “Masquerade” – «Walking Downtown (Paris)», um tema com um inesperado groove e um ritmo acelarado, que fez abanar as ancas.

Se deveria haver um tema obrigatório no reportório do Legendary Tigerman, esse tema seria «Route 66». Apesar de não aparecer no alinhamento de nenhum dos discos até agora editado, já nos habituamos a escutar o clássico nas actuações ao vivo do músico. Desta vez não foi excepção. Tigerman seguia pela auto-estrada blues-rock a uma velocidade invejável e o público manifestou-se ruidosamente após os primeiros acordes de «Mannish Boy», o lendário tema de Muddy Waters.

“The blues ain’t nothing but a woman / on a poor boy’s mind” canta Tigerman em «Naked Blues», tema que interpretaria depois. Mas provando que a sua música também é amor, o músico apresentou «The Whole World’s…», uma love song sensual do seu próximo registo, que dedicou a uma das mulheres presentes na sala, num dos momentos altos da noite.

Até ao final, um ataque cerrado de blues-rock incansável e suado, sem tempo para respirar: “«Till You Find Your Honey», mais um dos temas novos, «Bad Luck R’n’B Machine», «Your Life Is A Lie» e «Big Black Boat».

Completamene rendido, o público exigiu mais quatro músicas a Tigerman e o músico não se fez rogado. E, por entre os temas novos e antigos, surgiram os tributos às lendas desaparecidas este ano, que Tigerman adjectivou de “um ano difícil”: primeiro foi «Rumble», original de Link Wray, o padrinho do power chord; e para terminar «She Said», de Hasil Adkins, o primeiro one-man band da história do blues.

De “Masquerade” ficou a impressão de ser um álbum mais rock do que os seus antecessores. No entanto, apenas uma promessa: dificilmente desiludirá.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This