Tiguana Bibles

A ténue linha entre o sagrado e o profano.

Na passada quarta-feira, 25 de Março, os Tiguana Bibles transformaram a sala da Oficina Municipal do Teatro, em Coimbra, numa autêntica espelunca. Espelunca com classe, entenda-se.

Depois da estreia em Londres e estando de passagem para o Porto, o quinteto que divide a ascendência entre Portugal e Reino Unido apresentou-se na cidade que, em parte, lhe deu origem. Numa noite de evangelização profana, a primeira parte ficou a cargo do mais brilhante satélite dadaísta de todo o universo da música portuguesa, António Olaio & João Taborda, que revisitaram os seus 3 discos, numa altura em que contam quase 15 anos de carreira.

Composto por Vitor Torpedo,  empunhando a guitarra que o acompanha desde o tempo dos Tédio Boys, Parkinsons e Blood Safari (com a qual deve fazer amor regularmente); Kaló, de volta à mais discreta e confortável traseira do palco, já que tem andado habituado a maior protagonismo nos Bunnyranch; P-Rocka, a pentear as cordas do contrabaixo,  melhor ainda que o cabelo,  tal como fazia nos Ruby Ann & The Boppin’ Boozers; e, finalmente, a frontwoman e dona de uma excelente voz, Tracy Vandal (Karelia, Giant Paw, Lincoln) a quem corre nas veias o sangue de femme fatale.

Ao vivo recrutam ainda um quinto elemento (envergando uma esplendorosa camisa em pele de leopardo), que funciona como uma espécie de extensão de Boz Boorer, o guitarrista, compositor e director musical de Morrissey, que se apaixonou por este novo projecto e que, para além da produção, participou ainda com os seus dotes de instrumentista no registo de estreia dos Tiguana Bibles. Chama-se “Child of the Moon”, o EP de 5 faixas, que tem a sua edição marcada para o próximo dia 17 de Abril, com o selo Lux Records/Músicavariada.

O nome da banda define de imediato as coordenadas que os Tiguana Bibles transportam para a sua música: a sensualidade proibida e subversiva da fronteira México – Estados Unidos da América. Foi por lá que, entre os anos 20 e 60, se celebrizaram pequenos livrinhos de banda desenhada erótica que faziam as delícias dos meios alternativos. Num alinhamento de 9 canções, enraízadas na essência do rock ‘n’ roll, com pitadas de surf, num ambiente algo mezcalero e fumarento, houve ainda espaço para um par de baladas bastante quentes, incluindo a interpretação para «Lonesome Town», de Ricky Nelson. Destaque também para «Lost Words» (incluída no myspace da banda e que contou com uma versão “slow” no encore) e ainda para «Hometown», tema presente no CD Novos Talentos Fnac, de 2008.

As águas em que navegam os elementos dos Tiguana Bibles são agora um pouco mais calmas do que em tempos passados; por vezes quase pop. Aqui Torpedo não abre as pernas num salto, Kaló e P-Rocka contêm-se, Vandal não grita. Mas novamente tudo faz, maravilhosamente, sentido. Entre amigos, costuma ser assim.

Uma nota final para a Oficina Municipal do Teatro, espaço que com este concerto alarga os seus horizontes no que respeita a espectáculos, prometendo uma agenda que inclui variados projectos musicais.



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