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Tim Bernardes @ CCB (19.09.2019)

À saída da sala lisboeta ouviram-se expressões como "preciso de apanhar", "não aguento o fôlego" e "verti algumas lágrimas", o que revela bem o resultado final deste concerto.

Sala quase esgotada no CCB – Centro Cultural de Belém para receber o músico brasileiro. As expectativas eram elevadas e o artista não nos deixou rogados.

Nesta noite qualquer limite criado, o brasileiro conseguiria quebrá-lo devido à sua magia.

O espectáculo num todo foi uma aproximação à inspiração e criação de todo o “Recomeçar”. Ambiente silencioso, respeitador e intimo. A intimidade começa nos primeiros acordes de «Abertura (Recomeçar)» tocada ao piano e com apenas um simples candeeiro de secretária, ideal para criar o clima certo na sala certa. O silêncio presente durante todo o concerto foi respeitado e fez com que a magia do romântico Tim fosse maior.

O músico apresenta-se em palco acompanhado das suas guitarras, do seu piano e do poder da sua voz. O performer Tim Bernardes emprega nas suas interpretações todo o seu romantismo. O álbum lançado em 2017, pensado a partir de 2012 no seu quarto, como o próprio afirmou na sua primeira intervenção, foi feito em estúdio de uma forma e ao vivo projectado para outros voos. A intimidade do próprio concerto é brilhante e perfeita. O poeta brasileiro do século XXI acrescenta ao seu leque musical, uma versão de Black Sabbath («Changes») de fazer verter umas quantas lágrimas ao próprio Ozzy Osbourne, de Jorge Ben Jor («Que Nega É Essa») e uma de Jards Macalé («Soluços») que a tornou tão sua e maravilhosa porque consegue criar o seu ambiente preferido de total solidão, ambiente escuro e respeitado.

O quarto gigante deste concerto, segundo o próprio, que não tem tanta roupa que caiba naquele espaço, pode ser pequeno para o seu guarda roupa, mas a sala foi pequena para o seu coração gigante e o seu talento inexcedível.

O herdeiro de grandes nomes da música brasileira como Caetano, Jards Macalé, Os Mutantes e Los Hermanos sacia-nos os nossos ouvidos com dose recomendada e alguns ingredientes extra. A duração do concerto serviu para que o público ouvisse o artista sem os seus Terno, mas com a certeza de que Tim Bernardes, ainda sem 30 anos de existência, saiba fazer uma interligação entre o amor, a dor, a separação e a perda da melhor forma.

A aproximação ao público em «Ela», «Talvez», «Recomeçar» e em «Volta» foi eficaz e o público agradeceu. Ainda teve tempo para fazer o encore, pedido em alta voz por parte da audiência com vários gritos de “Volta”. O concerto terminou com uma cover mais recente, deixando para trás as músicas dos anos 60 e 70 de uma música escrita para Gal Costa («Realmente Lindo»).

Neste concerto recordou as passagens pela ZDB e pelo Tivoli, em Lisboa, e deu especiais agradecimentos aos Capitão Fausto (presentes na plateia) e a Salvador Sobral.

À saída da sala lisboeta ouviram-se expressões como “preciso de apanhar”, “não aguento o fôlego” e “verti algumas lágrimas”, o que revela bem o resultado final deste concerto.

 

 

 



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