Tim Burton

Ele está de volta com “Charlie and the chocolate factory”.

Nesta estreia do mês de Julho especial destaque para o mais recente filme de Tim Burton, o remake de “Charlie and the chocolate factory” de Roald Dahl, onde mais uma vez temos a presença genial de um dos habituées do realizador – Johnny Depp que, apesar do penteado esquisito, continua constantemente a surpreender-nos em cada filme que faz, quer seja em “Eduardo Mãos-de-Tesoura”, “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça” ou mesmo em “Piratas das Caraíbas”, em que, segundo o próprio, era uma reprodução do guitarrista dos Rolling Stones (Keith Richards). Depp continua a dar cartas no mundo do disfarce, e tão extravagantes são seus trejeitos, expressões e sorrisos, que quase nem nos apercebemos que se trata do actor.

Como já é habitual no seu estilo criativo, Burton apresenta-nos uma história imaginária repleta de magia. Depp faz o papel de Willy Wonka, o excêntrico proprietário dos chocolates Wonka que fazem sucesso em todo o Mundo.

A própria fábrica dos chocolates é tão misteriosa que acaba por despertar todo o interesse e atenção das crianças que ficam desejosas de a conhecer, então Willy, há muitos anos afastado da família, lembra-se de promover um concurso internacional com o objectivo de escolher um herdeiro para o seu império “chocolatiano”.

Cinco crianças, entre elas Charlie (Freddie Highmore), encontram bilhetes dourados nas barras de chocolates Wonka, e ganham uma visita guiada à misteriosa fábrica que nunca ninguém visitou em 15 anos. Surpreendido com tudo o que o rodeia, Charlie fica extasiado pela fantasia do mundo de Wonka, nesta fábula tão extraordinária, em que o próprio espectador fica fascinado.

Está, assim, dado o mote para mais um filme de Tim Burton, que desde a mais tenra idade já manifestava talento e jeito para o desenho, o que o levou a frequentar o California Institute of the Arts. Entre os seus  primeiros projectos destaca-se “Vincent”, de 1982, uma animação de seis minutos com traços góticos, um tributo a Vincent Price.

Apesar de toda a criatividade e originalidade já então demonstradas, é só a partir de 1989, com “Batman”, que se revela um enorme sucesso, com um elenco de excelência com nomes como Michael Keaton, Jack Nicholson ou Kim Basinger, que o realizador começa a ganhar bastante notoriedade e credibilidade na meca de Hollywood.

Pouco tempo depois, em “Eduardo mãos-de tesoura” (1990), talvez o filme de mais sucesso até hoje, teve Johnny Depp como protagonista, o que levou o actor a estabelecer uma relação de “fidelidade” com Burton… até hoje.

Seguiu-se “Batman Returns” (1992), um pouco mais obscuro e assustador do que o registo anterior, em que é mais do que visível que a criatividade de Burton não tem limites, mas cujo resultado final não agradou à Warner Bros.

Em 1994 apresentou o seu tributo a Edward D. Wood Jr, com a obra “ Ed Wood”, que, apesar de se ter revelado um fracasso total de bilheteira, foi o filme de toda a sua carreira que melhores críticas levou.

Dois anos depois, com o filme “Marte Ataca!” (1996), apesar do elenco de luxo, como Jack Nicholson, Glenn Close, Pierce Brosnan e Michael J. Fox, não convence. É dos filmes que mais destoa na sua carreira; tentou mudar o tom escuro habitual para um registo mais colorido e vibrante; contudo teve péssimas críticas e não foi propriamente um sucesso de bilheteira.

Três anos mais tarde, Burton regressa então ao seu estilo mais negro e fantástico com “ A Lenda do Cavaleiro sem cabeça” (1999), com Johnny Depp, Christina Ricci e Christopher Walken, o filme foi aclamado pelos cenários, pelos efeitos especiais, pelos trajes, pela reconstituição fiel da obra de Washington Irving.

Seguiu-se em 2001 um remake de “ Planeta dos Macacos”, em que no set de filmagens viria a conhecer a actriz Helena Bonham Carter, com quem vive actualmente.

Pouco depois veio “ Big Fish” (2003), um filme muito mais convencional do que todos os outros, mas que ainda assim não perdeu a marca Burton, cheio de magia e fantasia e de personagens um tanto ou quanto excêntricas; esta metáfora entre a relação de um velho pai adoentado e um filho que no fim de contas mal conhece o pai, recebeu excelentes críticas, mas ao mesmo tempo desapontou os “die-hard” fãs que há muito estão habituados à escuridão dos mundos mágicos de Tim Burton.

Apesar das mudanças e flutuações na sua carreira, o cineasta veio a tornar-se num dos mais geniais e populares realizadores do século XX e parece que quantos mais filmes faz, mais o nome de Johnny Depp sobressai, como se prova pela sua interpretação em “Charlie and the Chocolate Factory”.

Nota: O filme deve estrear em Portugal apenas em Agosto



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This