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Timeless

Menos é melhor. Exposição integrada na EXD 09, patente no Museu do Oriente.

Em mais um dia de reflexão crítica colectiva, a Experimenta Design continua a trazer nomes de peso a Lisboa para que se proponham novos desafios e se ultrapassem novas barreiras. Ontem, dia 11 de Setembro, foi a vez da italiana Paola Antonelli servir de Talk Host em mais uma Open Talk que trouxe ao Mercado de Santa Clara o debate sobre as novas formas de design e a sua importância na conjuntura actual. Na parte da tarde a habitual Conferência ficou a cargo dos criativos Dario Buzzini e Leif Huff, do gabinete IDEO, e de Michael Young.

Ainda no dia de ontem, foi inagurada mais uma das exposições nucleares que irá estar presente em Lisboa durante os próximos dois meses. “Timeless – Menos é melhor”, patente até dia 08/11 no Museu do Oriente, divide-se em 4 partes executadas por 4 países diferentes. Criativos Portugueses, Ingleses, Sul Africanos e Indianos foram desafiados e pensar a escassez como uma mais valia, valorizando a utilização de pouco material, ou matéria desperdiçada como forma de pensar o futuro da arte e da vivência criativa num contexto de profnda diminuição de recursos disponíveis. Numa re-utilização perversa da máxima de Mies van der Rohe – Menos é mais – a EXD ’09 abre as portas à reflexão colectiva e global.

“O ponto de partida para a reflexão de cada um dos 7 designers gráficos e de produto portugueses que convidámos foi uma peça que achassem que reprentaria um momento histórico do design em Portugal. A partir daqui adicionámos à premissa inicial Timeless o tema do Valor Acrescentado, um valor não comercial que vai além do valor estético de uma peça” diz-nos Rita João, curadora da secção portuguesa em conjunto com o seu colega Pedro Ferreira – Pedrita – e Frederico Duarte.

Contudo, neste trabalho colectivo internacional, Rita prefere destacar a importância dos momentos e das histórias individuais de cada país: “As abordagens a que aqui assistimos conseguem ser tão diferentes porque as realidades de cada país são, de facto, bastante diferentes. Nem sequer houve contacto, debate criativo entre os países porque realmente, tendo um mote comum bastante alargado, cada país deveria adequar o trabalho à sua realidade local”.

Daniela Pais, uma das criativas portuguesas, optou por reflectir sobre o design têxtil em Portugal partindo de um casaco desenhado por Miguel Rios. Através da empresa têxtil holandesa com que colabora, Daniela procurou “interferir no seu processo de produção, particularmente nas fases de transição, falhas de tecido que depois é deitado fora e conseguir identificar o valor acrescentado que esses erros de produção conseguem ter num processo de re-utilização de materiais”. Assim a designer criou para a exposição um vestido e uma faixa de tecido que podem adquirir formas variadas.

Na colaboração Sul-Africana reflectem-se soluções criativas que possam responder às carênciais sociais do continente Africano. Ravi Naidoo, para além de ter participado na segunda Open Talk da Experimenta também comissaria, através do estúdio Indaba, esta parte da exposição e refere que “se tentou criar uma nova geração dets designers, mais conscientes do papel da criatividade em assuntos tão sérios como o HIV, a habitação, o acesso a água potável, entre outros…” Podemos encontrar nesta secção, por exemplo, um aplicador de preservativos do gabinete …xyz Design bastante funcional que responde a uma questão tão  simples como a não utilização de protecção, pura e simplesmente, pelo tempo gasto a colocá-la.

“Um espírito generoso de design gastando menos e ganhando mais” é como a comissária do British Council, Alison Moloney, descreve um dos valores que orientou a construção da colaboração Inglesa na exposição. Procurou-se com este trabalho criar “um novo tempo e espaço e um novo espaço no tempo” através das áreas da arquitectura, design gráfico, joalharia, interiores e mobiliário que intervieram directamente numa série de espaços da cidade de Lisboa. Desde “vandalização” de bancos de jardim por Linda Brothwell à exploração invulgar da zona de Odivelas pela mão de Fabien Cappello que enriqueceu a sua intervenção ao travar conhecimento com artesãos, carpinteiros ou metalúrgicos e criando conjuntamente objectos para o local.

Por sua vez, a curadora Alice Cicolini tentou transmitir em Timeless a “intemporalidade do Artesanato Indiano”. Partindo de indústrias de baixa tecnologia e de técnicas artesanais, elementos de grande importância para a cultura e património da Índia, 10 artistas e designers foram convidados para trabalhar formas tradicionais num contexto contemporâneo, desenvolvendo um projecto sustentável com base na escassez de recursos.



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