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Tindersticks e os filmes de Claire Denis

As músicas que nos fazem sonhar

Incluído na programação do Festival IndieLisboa, os britânicos Tindersticks voltaram mais uma vez a Portugal (como tem vindo a ser habitual) no passado dia 11 de Maio, mas desta vez inseridos num contexto diferente – vieram apresentar as bandas sonoras que compuseram para seis filmes da realizadora francesa Claire Denis no dia em que também foi lançado para o mercado mundial uma caixa com todas as bandas sonoras e as suas apresentações ao vivo.

A banda, composta por 8 elementos, apresentou-se em palco ao mesmo tempo que iam sendo projectadas numa tela (como se estivéssemos numa sala de cinema), as sequências fílmicas a que corresponde cada melodia e, sem uma setlist pré-definida, as interpretações iniciam-se consoante as imagens que aparecem.

A música «Ma Soeur» do filme “Nénette et Boni” (1996) foi a primeira a ser interpretada pela banda enquanto na tela aparecia Nénette a flutuar na piscina e seguiram-se mais três músicas relativamente a sequências do mesmo filme.

Seguiram-se imagens do filme “35 Shots de Rum” e toda a musicalidade remeteu o imaginário do espectador para o estilo sonoro típico francês, onde os instrumentos de sopro e cordas criavam sensações de harmonia e bem-estar. Entre o toque de um xilofone e também de um copo de vidro, Stuart Staples coloca-se em pé de frente para a plateia e começa a cantar «Friday Night». E aqui, toda a timidez mostrada inicialmente por Staples desvaneceu-se e transformou-se numa demonstração de amor e de desejo. Mas foi ao interpretar «Trouble Everyday» que o público ficou em êxtase e os aplausos causaram arrepios.

Os minutos passavam, a sala estava rendida, o cenário perfeito com efeito penumbra de modo a dar destaque às imagens como se a banda estivesse ali de passagem, embora fossem os próprios Tindersticks os protagonistas da noite. Continuamente passavam imagens de “Trouble Everyday” (2001) onde cenas literalmente nuas e cruas (grande plano para uma cena de canibalismo) eram acompanhadas de melodias mais intensas e o ritmo da bateria e do trompete causava tensão nos espectadores.

De facto qualquer filme de Claire Denis tem por trás algo comovente, mas que também provoca repulsa. Exemplo disso foram as imagens transmitidas do mais recente filme – “White Material” (2010) – que combinou com melodias mais tensas, mas ao mesmo tempo mais revigoradoras e transportadoras de uma liberdade imensa.

Para terminar, Stuart Staples encantou toda a sala ao cantar «Tiny Tears» enquanto são projectadas novamente imagens do filme “Nénette et Boni” e a plateia retribuiu aplaudindo fortemente e em pé.

E assim se passou o tempo, onde o seu significado naquele momento não tinha qualquer valor, pois todos queríamos continuar ali a ouvir a magnífica musicalidade dos Tindersticks. As dicotomias entre amor e separação, liberdade e nostalgia estiveram fortemente presentes e intrinsecamente marcadas e foram transpostas, ultrapassando a barreira entre a banda e o espectador, mesmo não havendo grande troca de palavras entre a banda e o público.

E cá os esperamos de novo.



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