TMN Garage Sessions

S. João deu mais que um balão aos 2008.

Sexta-feira, 28 de Junho, 20h30 da noite. O tempo está frio para a época mas na Aula Magna o termómetro marca a temperatura de Verão. Embora meia vazia (facto que não se alterou muito com o passar das horas, exceptuando no hórário anunciado como actuação de Josh Rouse), a sala de espetáculos da cidade universitária já vibra ao som dos Money Makers, primeira banda a actuar nesta fase final do Tmn Garage Sessions. Detentores de um rock com toques pop e aspirações punk, fazem lembrar um pouco uns Blink 182, fórmula que funcionaria se já não estivesse mais do que vista. A sua apresentação termina sob uma chuva de moedas (de chocolate, que a vida está díficil), confirmando assim a razão de ser do seu nome.

De seguida actuam os 2008, jovem trio nortenho oriundo da Maia, que se revelou o grande vencedor da noite. Cantam em português, embora infelizmente a qualidade do som não permita que se entenda perfeitamente a letra. O estilo é próprio, trata-se de um rock melódico que ,de quando em vez, solta uns riffs mais agressivos.

Mas não nos é dificil perceber onde é que os 2008 foram beber inspiração… As referências são de qualidade, por isso acreditamos que esta semelhança se irá atenuar com a experiência. A banda realmente promete; emotividade e energia não lhes falta. Incansavelmente apoiados por um grupo ainda grande de groupies conterrâneos, os 2008 mostraram a sua verdadeira cor na performance de encerramento: claramente extasiados com a vitória, surpreendem com uma actuação mais relaxada, tocada com muito feeling. Terminam em beleza, com um bis dedicado ao S.João. Gostamos da laracha, que revela um lado espirituoso que fica sempre bem em qualquer actuação musical.

Caem bolas de sabão sobre um palco onde se acumulam pessoas. Os Cristal deveriam ser Os Cristais, de tal maneira a banda adiciona  elementos em palco. Uma voz doce e afinada ecoa pela sala, desfilam músicas que nem sempre parecem fazer parte do mesmo set… Há aqui uma certa incongruência que nem o esforço por criar uma imagem de marca cuja intenção seria folk ou neo hippie, mas que na realidade se assemelha mais a uma Kelly Family “tuga” do que a outra coisa qualquer. A música é politicamente correcta, a atirar para o senssaborona. Merecem um comentário relativamente à cover que fizeram da canção «99 red balloons» (nunca iremos perceber o porquê desta escolha): realmente suporta-se melhor quando tocada eles, e por isso merecem os parabéns.

Em estilo acústico, Gaelle Cardoso, ruiva de guitarra em punho e dona de uma voz potente, conduz-nos até ao fim desta primeira parte da noite. Presença segura em palco, a cantora deu mostras de maturidade e profissionalismo. A sua sonoridade é menos comercial do que se imaginaria, pois possui uma latente melancolia que não apela às massas . No entanto, marcou pela diferença. E não foi só por causa do raro tom de cabelo.

22h00. Josh Rouse, pontualíssimo, prepara o palco. O público reconhece-o de imediato, e ruge de entusiasmo. Josh sorri timidamente e retira-se para regressar escassos minutos depois acompanhado pelo tal quarteto de cordas (o cantor apresenta-nos mais tarde, ainda que sem se lembrar do nome, chama-se Quarteto São Roque). «Quiet town» inaugura o concerto, as notas do quarteto envolvendo elegantemente a voz aveludada de Rouse. A viagem prevê-se cor-de-rosa: “Portugal is for lovers” , afirma entre canções o franzino cantor. Começa sem acidentes, percorrendo os caminhos de terras distantes mas que nos soam familiares sob estes acordes. Desfilam por nós paisagens da California, S.Francisco, Nebraska, Nashville, e até a Noruega fazem parte deste itinerário onde não faltam hits («Sunshine», «Come Back», «Love Vibration») e baladas.

O acento foi posto sobre Espanha, ou mais propriamente, sobre o mais recente albúm, “Subtítulo”. Percebemos a meio que se calhar faz falta uma banda para dar ritmo a este concerto que se tornou demasiado unplugged, com toda a monotonia que daí advém. No entanto, Josh Rouse demonstrou mais uma vez que é um excelente músico e um carismático mestre de cerimónias, que nos conseguiu manter em suspense até ao final, fazendo-nos acreditar todas as vezes que o concerto terminava ali, exaltando assim ao máximo os ânimos de quem ainda não tinha ouvido a sua música preferida ser cantada pelo trovador dos tempos modernos.



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