todosOSonhosdoMundo

“Todos os Sonhos do Mundo”, de Laurence Ferreira Barbosa

Um retrato de saudade e auto-descoberta.

De entre várias as razões que nos podem levar a ver Todos os Sonhos do Mundo ao cinema, uma delas é a história. Uma história que poderia ser a de qualquer jovem que teve de emigrar para França com a família à procura de uma vida melhor, mas que volta todos os anos no verão à terra natal.

Depois de A Gaiola Dourada, este filme volta a lembrar-nos do sentimento de saudade dos portugueses que têm que deixar a paz das aldeias em busca de garantias de futuro para a família. Mas esta história tem muito de documental, ao contrário do filme de Ruben Alves. E isso sente-se nas imagens que nos aparecem das aldeias de Alturas do Barroso em Montalegre,  na participação dos próprios habitantes (sem mirones a fixar o olhar nas câmaras) e ainda na clara participação de atores não profissionais, o que dá ao filme uma pureza e lhe confere  uma verdade única, quase como se tratasse mesmo de um documentário. Os planos e a estética do filme são tão simples que o foco fica apenas em Pamela. E tudo se passa à volta dela. As diferenças entre a vida agitada que esta família leva em França e a paz que encontra quando regressa a Portugal está presente desde os décores até ao guarda-roupa. Tudo parece pensado ao mínimo detalhe para realçar esse oposto entre o trabalho e o descanso. E o mais cativante é que nenhum minuto chega ao ponto do aborrecido, principalmente para quem se identifica com os cenários e com os momentos recriados.

Pamela é uma rapariga que não se  encaixa nos padrões de beleza comuns, é gordinha, tímida, mas nem por isso deixa de ser destemida e de acreditar nos seus sonhos que são visíveis no seu rosto e que a câmara não larga. O rosto, que foi uma inspiração para a realizadora por ver nele a singularidade de alguém que procura um rumo para a vida sem grandes pretensões e sem maldade. Só pode sonhar aquele que procura ser feliz e a inocência do rosto de Pamela (da atriz cujo o nome se manteve no filme) compreende essa ideia.

É sem dúvida um filme que qualquer português podia assistir, tanto os que conhecem a realidade de viver lá fora e de só poder visitar o país de origem nas férias ou os que têm parentes a viver no estrangeiro, como os que não fazem ideia da dor que se sente quando a necessidade leva as pessoas a deixarem o conforto do lar para viverem diariamente com obrigações laborais. São os sonhos que alimentam a crença de que o esforço compensará. São os sonhos que mostram a esta rapariga um caminho para ser feliz.

Estreia a 26 de outubro em Portugal e França.



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