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Tom Clancy’s Ghost Recon: Wildlands | Análise

Ghost Recon está de regresso e mais ambicioso do que nunca!

No dia 7 de Março, os jogadores de PC, PlayStation 4 e Xbox One viram chegar às lojas um dos projectos mais ambiciosos da Ubisoft, sobretudo no que diz respeito à icónica série Ghost Recon de Tom Clancy. Para trás ficam as dinâmicas e mecânicas de jogo futuristas, introduzidas em Advanced Warfighter e recuamos no tempo, para uma viagem sem tréguas à Bolivia de 2019. A Ubisoft brinda os jogadores com uma entrada mais convencional na série, em termos de mecânicas, mas mantendo a vertente táctica que a caracteriza e que agora se vê complementada por uma enorme novidade. Falo do seu incrivelmente vasto mundo aberto – o maior que alguma vez agraciou a série Ghost Recon e um dos maiores que a Ubisoft alguma vez produziu – repleto de actividades que irão prender o jogador durante horas a fio. Façam as malas e sejam bem vindos a Ghost Recon: Wildlands!

De facto, assim que acabei de criar a minha personagem e entrei no jogo, se houve algo que logo à partida me impressionou foi o vasto cenário, todo ele vibrante e rico em detalhe, que se estendia para lá da linha do horizonte. Recebi algumas indicações e informações que me deixaram pronto para explorar as missões da história deste Ghost Recon: Wildlands mas gostei sobretudo que não me tivesse sido imposta a obrigatoriedade de as seguir por uma ordem específica. Melhor do que isso foi abrir o mapa do jogo e reparar nos vários objectivos que tinha para completar. Tanto “trabalho” pela frente e isto apenas numa das 20 províncias que o jogo tem para oferecer!

Em verdade vos digo que conteúdo é coisa que não falta neste jogo. O vosso principal objectivo será derrubar El Sueño, o chefe do Cartel Santa Blanca que no ano de 2019 conseguiu tornar a Bolívia num estado narco-capitalista. Só que antes do confronto final, terão de desmantelar o seu cartel e isso acarreta o confronto contra os sicarios ao seu serviço e os bosses de cada província que os lideram. Para chegarmos até eles ou para os atrairmos para fora do seu esconderijo, teremos de levar a cabo uma série de quatro a seis missões principais. Essas missões implicam a recolha de informações, seja por intermédio de fotografias a documentos ou interrogações feitas a indivíduos com relações com o cartel; roubo de veículos ou destruição de esconderijos do cartel com equipamento ou cocaína. Nada má esta variedade, certo?

Certo, só que o problema é que este ciclo se irá repetir em todas as 20 províncias do jogo. A início não reparamos mas com o passar das horas acaba por ser inevitável cair no sentimento de repetição. No entanto e apesar de alguma previsibilidade à mistura e da pouca variedade de inimigos, os bosses, graças à sua personalidade bem vincada, bem como às suas taras e manias – algumas bem distorcidas – conseguiram agarrar o meu interesse. Ajudou também o facto de que paralelo à história principal, em cada província temos ainda armas e acessórios escondidos, inimigos para interrogar ou abater, pontos de fast travel para descobrir, skill points para recolher e aplicar na nossa personagem (ou recursos necessários para que os possamos aprender) e bases para conquistar. Mas mais do que tudo isso, houve algo que me fez sempre voltar à Bolívia de Wildlands e que foi o que mais me ajudou a impedir que a monotonia se instalasse. Acontece que independentemente do objectivo que quiserem cumprir, a viagem até lá fica inteiramente ao nosso critério. Para esse efeito os veículos terão um papel fulcral no vosso jogo. Não é fácil controlá-los, sobretudo no PC (versão analisada, se bem que com o comando ficou mais fácil). Aliás, pela forma como patinam na estrada nota-se que tanto os carros como as motas estão prontos para perseguições (ou fugas) a grande velocidade mas não para uma viagem calma pelo território da Bolívia. Ainda assim, pelo ar ou em terra, a forma como abordamos o cenário continua, como disse, ao nosso critério e o mesmo se pode dizer da forma como quisermos abordar o objectivo em questão.

O facto de nos oferecer um vasto mundo aberto implica um leque de abordagens igualmente extenso. Em zonas de floresta ou até mesmo nas zonas mais áridas como desertos ou montanhas, argumentos não faltam para que possamos optar entre uma abordagem mais ofensiva ou furtiva. No meu caso optei por uma abordagem mais calma e calculista e acho que é aí que a jogabilidade de Ghost Recon: Wildlands mais se destaca. O jogo permitiu-me sempre tomar o tempo que achasse necessário para estudar o cenário onde me queria infiltrar. Enquanto isso, o ciclo entre dia e noite vai passando, fazendo as delícias aos nossos olhos. Quando os binóculos não serviam, chegava a vez de recorrer ao Drone que uma vez mais faz o seu regresso à série. Lá mais para a frente podem aplicar upgrades que reforçam a sua utilidade mas mesmo na sua forma inicial, esta mostrou-se uma ferramenta super-intuitiva de controlar e indispensável para analisar o território inimigo. Caso estivesse distraído, um dos meus companheiros de armas lançava o alerta sobre inimigos nas proximidades e o equipamento que transportam. Identificados os sicarios que teremos de derrubar, nada como recorrer ao Synchronized Shot, uma acção que permite aos membros do nosso esquadrão o abate de um máximo de três (mediante upgrade no ecrã de habilidades) inimigos em simultâneo: marcar, dar a ordem, aguardar que todos se posicionem e disparar. Glorioso!

Claro que nem sempre as coisas correm bem. Quando o confronto é inevitável, a acção aumenta a cada vaga de inimigos que derrubamos, até cumprirmos o nosso objectivo e fugirmos dali para fora. Ora se em single-player as coisas podem ficar complicadas, em co-op com amigos e ou desconhecidos, o caos que podemos desencadear em Ghost Recon: Wildlands pode atingir proporções épicas, dignas dos melhores filmes de acção de Hollywood! A jogabilidade aliada à aleatoriedade do sucesso ou insucesso das nossas abordagens fazem com que nunca nada seja igual neste jogo e a necessidade de termos constantemente de nos adaptar às imprevisíveis adversidades foi o que me fez sempre voltar para mais umas horas de jogo. Em co-op foi, sem dúvida como mais me diverti, pelo que se tiverem alguém com quem partilhar o jogo não hesitem em fazê-lo pois será aí que poderão desfrutar desta experiência ao máximo.

Mas atenção porque a dificuldade acresce. Apesar de pouco pertinentes nas suas intervenções, os nossos três companheiros que nos acompanham no modo single-player são uma enorme ajuda em combate. O facto de poderem aguentar com um maior número de tiros – em comparação com o jogador normal – permite que quando formos derrubados nos possam reanimar com maior facilidade. Além disso o Synchronized Shot nunca corre mal (a não ser que não esperem que todos assumam as suas posições) uma vez que conseguem tiros a distâncias que nenhum ser humano será capaz de replicar. Com amigos, entra o factor humano e, como podem calcular, este é tudo menos perfeito. Conseguir levar a cabo uma abordagem furtiva até ao fim, à primeira, é sempre motivo de jubilo. Quando um de nós falhar um tiro sincronizado e daí resultar o inevitável caos é motivo de alarido. Levantar cuidadosamente o drone para verificar o número de inimigos que teremos de superar e ver pela câmara o nosso companheiro de armas a atirar granadas e a correr que nem um louco – qual Leeroy Jenkins – a disparar sobre tudo o que mexe e a ser alvejado, é impagável!

À medida que vamos jogando e cumprindo objectivos, a progressão da nossa personagem vai-se desenvolvendo. Ajudando os rebeldes na luta contras as forças corruptas da Unidad vários são os pontos de habilidade que vamos desbloqueando que se traduzem em aumentos dos nossos atributos ofensivos e defensivos mas também em acessórios, como lança granadas, que podem facilmente virar situações mais adversas a nosso favor. A busca por melhor loot, em termos de armas, está também presente. Não que o armamento inicial não seja capaz de dar conta do trabalho mas vale sempre a pena derrotar um boss nem que seja para recolher a sua arma específica, com aquela skin “toda bonita”. Só é pena que não possam ser alvo de modificações, o que compromete o tempo em que ficarão nas nossas mãos até encontrarmos algo melhor.

Como open-world que é, mentia se dissesse que não encontrei alguns bugs, como uma granada que parecia não querer rebentar e depois o fez duas vezes seguidas ou o indivíduo que precisava de interrogar e que caiu pelas texturas abaixo, custando-me a missão porque já se encontrava “muito longe”, de acordo com o jogo. Mas não se preocupem que foram apenas umas situações pontuais que certamente já estarão a ser abordadas pelos produtores. A minha experiência nunca ficou realmente comprometida. Aliás, por terem ocorrido em sessões co-op mais acabaram por resultar em situações hilariantes.

Ghost Recon está de volta e mais ambicioso do que nunca! Conteúdo é coisa que não faltará para prender os jogadores, apesar de pecar por alguma falta de variedade. A história não deixa de oferecer momentos interessantes mas onde Ghost Recon Wildlands mais se destaca é pelo facto de oferecer aos jogadores um dos maiores e mais belos mundos abertos que a Ubisoft alguma vez produziu. A pé, de carro, de mota ou até mesmo pelos ares, o leque de abordagens é imenso e nunca uma operação se irá desenrolar da mesma forma que outra. Claro que isto é algo que só melhora, se tiverem um amigo com quem jogar, uma vez que a experiência atinge aqui o seu auge. Aliás, tendo em conta que o progresso de jogo é partilhado entre vocês, não há desculpa para não desfrutarem juntos do melhor que este jogo tem para vos oferecer!



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