Tora Tora no Maxime

Dose redobrada de Vítamina C.

O Maxime já estava cheio quando os 12 músicos entraram no palco. A “orquestra” composta por uma secção de sopros, um teclista, um baixista e dois percussionistas foi apresentada por um mestre de cerimónias digno de cabaret que, envergando uma cartola e fato preto, anunciou mais uma Big Band no palco do Maxime.

Desta feita, os Tora Tora passearam-se maioritariamente pela América Latina e Caraíbas, não se esquecendo de passar por África.

Aliás, foi no continente africano que tudo começou, com uma participação especial de um spoken man que sugeriu aos presentes que fechassem os olhos e abrissem bem os ouvidos. Uma viagem musical estava prestes a começar. Dali, os 12 deram-nos um bilhete de ida para uma volta ao mundo dos sons e do ritmo.

As referências da banda fizeram-se sentir com força e nem as revisitações faltaram no concerto. Assim, os Tora Tora reinterpertaram Mongo Santamaria, Afro Blue e Charles Mingus, proporcionando momentos de uma riqueza musical latente e nos quais a secção dos metais e o recente adquirido teclista demonstraram o seu valor.

Do groove ao swing, passando pelo drum and bass, o reggae e o jazz, os Tora Tora, apesar de possuirem dois elementos mentores dos arranjos musicais que foram destacados durante toda a actuação, provaram que são feitos de várias matérias e sonoridades passiveís de serem encontradas, fruto das diversas estéticas que convivem no seio do colectivo.

Este requinte musical marca toda a diferença no seu trabalho e faz de Tora Tora um conjunto simultaneamente sério e humoristico. Primeiro porque o profissionalismo dos seus elementos é de fácil reparo e depois porque quem mais goza nos seus concertos são os próprios, como já se tinha constatado nas apresentações ao vivo feitas até aqui.

Durante aproximadamente duas horas os Tora Tora esbanjaram vitamina C de sobra, apesar de a plateia ter demonstrado alguma relutância em entrar na festa, talvez por ser uma sexta-feira à noite… De qualquer forma, e já no fim do concerto, o mesmo público fez com que os músicos subissem ao palco mais uma vez e tocassem mais 2 temas, um deles «Tora Tora Culta», o primeiro single do albúm “Tora Tora”.

A apresentação deste primeiro álbum é o culminar de um longo trabalho que priveligia o contacto com o público e transparece o esmero da big band nos concertos ao vivo. Uma banda dinâmica que aumenta a cada actuação. Ora com a entrada de novos elementos, ora com participações especiais (como foi o caso do referido spoken man), ou a presença de um amigo trompetista vindo do Brasil, demonstrando que os Tora Tora têm espaço para todos.

Desta noite bem passada fica apenas o reparo ao som que esteve muito baixo durante todo o concerto e que por vezes nos impediu de ouvir o baixo e a secção de percurssão a par com os restantes instrumentos.

O resto da noite esteve a cargo do Dj Tiago Santos que nos presenteou com ritmos quentes e dançáveis, num set marcado pela variedade musical.



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