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Torment: Tides of Numenera | Análise

Uma ode ao estilo RPG clássico.

Torment: Tides of Numenera é o sucessor espiritual de Planescape: Torment, um RPG clássico de 1999 que ainda hoje é mencionando sempre que alguém procura dar o exemplo de um jogo para PC com um excelente nível de execução, no que diz respeito à narrativa. Torment: Tides of Numenera é uma ode ao estilo RPG clássico, em vista isométrica, em que as decisões e as acções do jogador propiciam alterações drásticas na forma como o jogo se desenrola.

A narrativa acontece no mundo de Numenera, idealizado por Monte Cook – um autor de referência no mundo dos jogos pen-and-paper pelo seu trabalho em Dungeons & Dragons. Toda a acção acontece num futuro distante, em Numenera, no qual a humanidade se encontra num estado rudimentar, entre a medievalidade e a modernidade, entre a magia e a tecnologia, dividida entre pequenos povoados e no meio de relíquias e artefactos de um passado glorioso. Neste universo, Torment: Tides of Numenera situa-se no Ninth World após a existência de várias civilizações e mundos que precederam o actual. Praticamente tudo o que vamos encontrando são referências a estas existências anteriores, como a moeda de troca, os artefactos que alteram a jogabilidade e até alguns locais que baseiam as suas estruturas sociais nas histórias e mitos destas civilizações antigas.

O jogador assume aqui o papel principal na narrativa, jogando como o The Last Castoff,  uma personagem cujo corpo é o último receptáculo a ser descartado por uma entidade que conseguiu vencer a mortalidade e que agora é conhecida como o The Changing God. No entanto, as acções deste atraíram a atenção de The Sorrow que agora procura destruir todas as criações do The Changing God. Sendo a nossa personagem uma dessas criações, podemos imaginar o que nos espera e de quem teremos de fugir. Torment: Tides of Numenera está repleto de boas personagens, num mundo rico em pormenores interessantes e boas ideias dos seus autores excelentemente entrelaçadas entre si para proporcionar ao jogador uma narrativa muito coerente.

A compor o ramalhete, está uma jogabilidade que acaba por ser inovadora dentro desta nova vaga de RPGs “clássicos” que têm saído nos últimos anos e onde se incluem outros títulos como Tyranny, Divinity: Original Sin ou Pillars of Eternity (que empresta até o seu motor gráfico a este jogo). Como já mencionámos, através de um ponto de vista isométrico e de mecânicas point-and-click vamos poder interagir com o mundo de Numenera e os seus habitantes. O aspecto onde a jogabilidade mais se destaca é precisamente nos momentos de diálogo e na forma como nos podemos desenvecilhar de algumas situações delicadas. Quando, noutros videojogos, a solução seria quase sempre o conflito directo através do recurso às armas ou feitiços, em Torment: Tides of Numenera podemos encontrar outras alternativas ao combate. Para o fazer podemos contar com algumas capacidades como a intimidação e a persuasão que serão essenciais durante os momentos de diálogo. Ao nível de combate, a jogabilidade desenvolve-se através de um sistema por turnos em que temos controlo sobre cada um dos membros da nossa equipa, à medida que estes vão tendo o seu turno de movimento contra os inimigos. Mesmo em combates que não conseguimos evitar, a hipótese de fuga está sempre presente. E mesmo nos casos mais dramáticos em que tal não é possível e a morte é inevitável, Torment: Tides of Numenera deslinda uma forma curiosa para também podermos contornar a morte, forma essa que não vamos desvendar para que descubram por vocês próprios. Não obstante, o que os criadores quiseram fazer passar foi a ideia de que o falhanço de um jogador numa situação não é um obstáculo mas sim uma forma diferente de chegar ao destino e apenas uma forma diferente para a nossa narrativa se desenrolar.

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Torment: Tides of Numenera é um jogo imersivo, com um universo profundo e capaz de nos fazer perder horas só para descortinar cada um dos seus pormenores. A forma como as suas personagens cativam o interesse do jogador é única e, tudo junto, numa experiência onde todos os pormenores estão cosidos de uma forma genial, proporciona um mais do que digno sucessor espiritual de Planescape: Torment. Todos aqueles que adoram esta nova vaga de RPGs ocidentais estruturados na forma clássica, não podem deixar escapar Torment: Tides of Numenera.



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