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Total War: Three Kingdoms | Análise | PC

Épicas batalhas no Império Chinês!

Total War: Three Kingdoms é o mais recente jogo desta longa saga que começou há quase 20 anos atrás. Começou por nos apresentar o Japão Feudal, passou pela época medieval, Roma, as guerras napoleónicas e, no anterior lançamento, chegou mesmo a entrar no fantástico, ao aliar-se ao universo “Warhammer”. Dois anos depois do lançamento de Total War: Warhammer 2, a saga Total War deixa de lado o “fantástico” e regressa a épocas reais da história. Desta vez somos transportados para o império chinês, durante a dinastia Han. Será que esta viagem vale a pena?

Apesar da antiguidade deste saga, e mesmo sendo um fã de jogos de estratégia, nunca se tinha proporcionado jogar nenhum Total War. Sabia, no entanto, que estes jogos tinham uma particularidade: para além da componente de estratégia por turnos, tinham também uma componente em tempo real, as batalhas entre os exércitos.

Optei por começar pelo modo principal de Total War, o modo campanha. Ao contrário de outros jogos do género em que escolhemos países ou facções, aqui a escolha é por um de vários generais. O foco principal de Total War: Three Kingdoms é nas personagens, sendo o objectivo final tornarmo-nos no Imperador da China. Cada uma destas personagens tem características diferentes e é capaz de influenciar o jogo com mecânicas muito próprias.

A campanha pode ser jogada de duas formas diferentes. O modo “Romance”, baseado no livro “Romance of the Three Kingdoms” de Zhizhong Cai, em que é dado especial ênfase aos generais, assumindo estes um papel sobre-humano durante as batalhas e simplificando algumas das mecânicas. Ou o modo “Clássico”, em que os generais são apenas mais uma unidade que vai para combate com um conjunto de guarda costas e onde sistemas como a fadiga das tropas assume um papel mais importante.

Ao começar uma nova campanha o primeiro impacto não foi o melhor. A curva de aprendizagem do jogo não é das mais simples, e andei algum tempo sem saber bem o que estava a fazer. Devo recrutar um novo exército ou melhorar as construções da minha cidade? Como é que uso o prestígio e influência que tenho? Como é que que funciona a minha corte?

Parece-me que falta um acompanhamento mais forte na fase inicial do jogo, apesar de não faltarem sistemas de ajuda. Dentro do jogo, e em qualquer momento, ao carregarmos na tecla F1 temos acesso a textos que explicam praticamente tudo o que está visível, bastando passar o rato em cima da opção que desconhecemos.

Adicionalmente, fora do jogo existe a “Total War Academy”, que se trata de um grande conjunto de vídeos onde é mostrado e explicado como funcionam e para que servem os vários sistemas do jogo.

A parte estratégica de Total War é feita sobre o mapa da China. Este mapa encontra-se dividido em várias “Commanderies”, que não são mais do que as diferentes regiões que temos de conquistar. É através destas conquistas e do aumento do nosso império que vamos subindo de posição social, desde o título de “Noble” com que começamos, passando por “Marquis”, “Duke”, “King”, até chegarmos ao topo, onde podemos ser imperador da China.

Ao subir para cada uma destas posições vamos desbloqueando cargos na nossa corte, cargos esses que devemos atribuir aos nossos generais. É aqui que entra um dos outros sistemas do jogo e que obriga a uma gestão cuidada: as relações entre os vários generais. Os generais têm personalidades que vão evoluindo, e que através de vários eventos e das batalhas, modificam as suas relações e ambições.

A dada altura dei por mim com um exército em que dois dos três generais estavam a ter problemas entre eles. Para evitar que um deles desertasse e começasse uma rebelião contra mim, optei por dividir o exército em dois mais pequenos. Noutra situação, um dos governadores de uma região estava cada vez mais insatisfeito, por querer ter uma posição mais alta na corte. Isto traz um imenso dinamismo ao jogo!

Um dos sistemas que levou uma grande volta neste Total War foi a diplomacia. Praticamente em todos os turnos temos propostas para fazer trocas, entrar em coligações, ou até mesmo exigências de dinheiro ou comida. Claro que também podemos ser nós a começar estas propostas. Uma das grandes vantagens deste novo sistema é que facilmente percebemos o que temos de pôr em cima da mesa para que o negócio resulte.

Para facilitar ainda mais a diplomacia, temos a opção de fazer “Quick Deals”, em que escolhemos o que queremos propor, por exemplo uma aliança, e são-nos mostradas apenas as facções que estão, ou podem estar, dispostas a aceitar.

Mas não só de diplomacia se constrói um império, e como não podia deixar de ser, temos a possibilidade de mandar espiões fazer o trabalho que a diplomacia não conseguiu. Depois de conseguir infiltrar um general numa facção adversária, temos uma série de acções ao nosso dispor. Desde intervir nas relações comerciais, influenciar negativamente a opinião sobre um general adversário, ou tentar fazer com que desertem da facção. Claro que há o reverso da medalha e temos de estar atentos porque ao recrutar novos generais para a nossa facção podemos estar a dar o lugar a um espião adversário!

Quando as opções diplomáticas ou o trabalho do nosso agente infiltrado não resulta, não nos resta opção a não ser partir para o combate. É aqui que os turnos são deixados de lado e entramos num modo de jogo em tempo real, onde iremos travar épicas batalhas.

Na primeira batalha em que participei, voltou a sensação de não saber o que fazer. Apesar de o excelente menu de ajuda continuar presente nesta fase do jogo, tive de recorrer aos vídeos da Total War Academy para perceber como organizar as tropas.

Comecei por organizar as várias unidades da maneira que achei melhor, cavalos para os lados, para atacar pelos flancos, arqueiros mais atrás, e à frente unidades de assalto. Depois foi começar a batalha e ir avançando na direcção do adversário.

O que se passou a seguir, confesso, achei confuso: as minhas tropas estavam ferozmente a combater as do adversário e o meu general a dizimar grandes grupos de unidades. Aos poucos, as tropas inimigas iam morrendo, e depois de eliminar o general deles, as  restantes unidades começaram a fugir do combate. Acabei por ganhar as primeiras batalhas, mas não fiquei convencido. Não consegui perceber bem se a parte estratégica do posicionamento das tropas tinha tido algum efeito ou se ganhei só porque o jogo assim o quis.

Até que, alguns turnos mais tarde, uma das minhas cidades é atacada e a batalha deixou de ser num campo aberto, passando a ser a defesa dessa mesma cidade. Consegui ganhar essa batalha e impedir a invasão, com a nítida sensação que tal se deveu ao posicionamento prévio das minhas unidades. Só a partir deste momento me senti mais recompensado por todo o planeamento inicial na colocação das tropas e nos movimentos delas ao longo do ataque inimigo.

Para os jogadores que não queiram fazer esta parte das batalhas, Total War permite que todos os combates sejam resolvidos de forma automática, vendo-se logo o resultado final. É certo que desta forma se consegue acelerar um pouco o jogo, especialmente em situações de grande superioridade numérica face ao inimigo, mas perde-se uma das partes visualmente mais apelativas do jogo.

Não se pense que ao deixar a componente das batalhas de lado se fica com pouco que jogar-. Se há algo que este jogo tem é muito que fazer durante a fase da estratégia por turnos. Entre batalhas, a gestão de cidades, população, comida, recursos, satisfação e finanças, é extremamente importante.

A conjugação de todos estes factores é essencial para que possamos construir infraestruturas melhores, o que por sua vez irá possibilitar o recrutamento de unidades mais fortes.

Como todas as unidades custam dinheiro a recrutar e manter activas, devemos também ter especial cuidado com as finanças do nosso império.

Entre o planeamento do exército, a gestão dos generais no terreno e na corte, a escolha das melhores infraestruturas nas cidades e o desbloqueio de novas tecnologias, na aqui chamada de “Árvore de Reformas”, temos muito com que nos entreter.

Para além do modo de campanha, Total War: Three Kingdoms permite ainda fazer apenas batalhas, em que podemos customizar tudo desde as tropas, dificuldade, tipo de terreno, etc. Ou então participar em jogos online, que tanto podem ser em modo campanha, como apenas uma batalha individual.

Tendo sido o primeiro jogo da saga Total War que joguei, posso dizer que Three Kingdoms me deixou bastante agradado, tendo aquele efeito que os bons jogos de estratégia têm: começamos a jogar e quando damos por isso já passaram várias horas.

Nem tudo é perfeito, não é um jogo fácil de entender ao início, mas depois de perceber as mecânicas torna-se numa excelente experiência e diria mesmo obrigatória para todos os fãs deste género de jogos.



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