Toy @ Armazém F (5.4.2014)

Toy @ Armazém F (5.4.2014)

Já nos basta o Toys “R” Us

Há quem lhe chame a prova dos 9, o derradeiro momento da verdade musical. Por muito que a coisa possa soar bem em disco, a maior parte das vezes ajudada por uma produção de primeira água, os concertos ao vivo ajudam a esclarecer muita coisa sobre a essência de uma banda, nomeadamente sobre se é capaz de igualar ou superar aquilo que inventou no conforto de um estúdio. É por isso que o encantamento e a desilusão são dois sentimentos que, antes da subida de uma banda ao palco, correm em paralelo na circulação sanguínea, inquieta por ver cumpridas ou desfeitas as expectativas criadas.

Ontem à noite, o Armazém F foi palco de um desses estilhaçamentos. Os Toy, banda que com apenas duas rodelas captou as atenções de uma grande franja do universo indie, estiveram a milhas daquilo que já ofereceram em disco, sobretudo com “Join the dots”, longa-duração editado no ano passado.

Sejamos sinceros. Tom Dougall está longe de ter uma voz cinco estrelas – provavelmente nem passaria da primeira eliminatória de um programa aparentado aos “Ídolos” – mas ao vivo esse handicap torna-se ainda mais gritante, sobretudo quando se espera que seja a voz a ligar todo o poder de fogo composto por duas guitarras incendiárias, uma secção rítmica endiabrada e um korg que vai lançando ondas de alienação umas atrás umas das outras.

Não é que o concerto não tenha tido os seus momentos, mas a banda fica claramente a perder quando transpõe o seu universo do estúdio para uma sala de concertos, com um som que muitas vezes se transforma num monumento de ruído sem qualquer sombra de melodia, embrulhado numa atitude mortiça em relação ao público que parece ser imagem de marca de muito boa e má banda britânica.

Aos Toy daria jeito uma dose de mescalina de uns MGMT, a fúria sónica mas extremamente melódica de uns Sonic Youth ou a imensa vertigem de uns The Fiery Furnaces, para serem mais do que apenas uma banda a brincar ao psicadelismo. É que, para brincadeiras destas, já nos basta o Toys “R” Us.



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