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TRÊSPORCENTO @ ESTÚDIO TIME OUT (20.04.2017)

Foi na sala localizada no renovado Mercado da Ribeira que a banda lisboeta decidiu apresentar o seu novo trabalho a fãs e amigos, levando-os a desbravar este “Território Desconhecido”, além de obviamente recordar faixas doutros discos mas já marcantes do trajecto dos Trêsporcento.

E foi com «Stoner», a música mais distante do universo normal da banda, que o sexteto arrancou o concerto, quiçá a tentar desde logo exemplificar o crescimento natural da banda, sendo uma das duas canções em que participou a flauta de Maria Simões (a outra foi “Um Grande Passo, que também demonstra um carácter diferente, com um travo a country ).

Além da referida flautista, o outro nome convidado a juntar-se no palco aos Trêsporcentro foi Flak, responsável pela produção de “Território Desconhecido”, sendo apresentado como mentor da banda, além da perninha que fez como músico no álbum. Superadas algumas dificuldades técnicas com o som da guitarra, Flak soou na hora H para aplicar o poderoso solo incluído em «Sonho», o primeiro dos três temas que interpretou (os restantes foram «Tempos Modernos», durante o qual a banda pareceu algo desarticulada com a guitarra extra em palco, e «Papa-Figos»).

O crescimento das bandas também se faz em palco, e «Aguentem-se os Fracos» denota mais uma vez a maior maturidade dos Trêsporcento, patente no maior espaço existente para que os intrumentos respirem e brinquem entre si nesta versão ao vivo, como um autêntico recreio da aula de música.

Intercaladas com as novidades confirmaram-se as canções maiores dos Trêsporcento, como «Elefantes Azuis» ou «Cascatas», que têm refrões que convidam a cantar até a garganta mais desafinada. E acaba por ser bom sinal quando um concerto termina e uma banda dá-se ao luxo de deixar fora do alinhamento outros tantos temas fortes (como «Tira as Lantejoulas» ou «Não Chegues Tarde», citando apenas duas das favoritas aqui da casa). É sinal que o repertório cresce sem que a qualidade seja beliscada.

Quando falamos em Trêsporcento dá sempre a sensação de passarem demasiado ao lado da atenção do grande público (apesar de boas cotações no top da Antena 3 recentemente), ou pelo menos que a banda merecia maior atenção e destaque. Não têm tiques de vedetismo, não têm vestuário hipster. São apenas um grupo que se diverte a fazer música, algo que transparece facilmente em palco, e que o faz bastante bem, num indie-rock descomprometido mas atencioso, com coisas bonitas para dizer e quase sempre com urgência na ponta da língua.

Alinhamento:

– Stoner
– És Mais Sede
– Elefantes Azuis
– Cabeça Ocupada
– Um Grande Passo
– Cascatas
– Sonho
– Tempos Modernos
– Papa-Figos
– Aguentem-se os Fracos

(encore)
– Amanhã
– Veludo
– A Ciência



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