Trêsporcento | “Quadro”

Trêsporcento | “Quadro”

Uma pintura homogénea e coerente

“Quadro” é o segundo álbum de longa-duração dos Trêsporcento, um trabalho lançado em 2012 que sucede “Hora Extraordinária” (2011) e o EP homónimo lançado em 2009.

Através de doze temas originais, os Trêsporcento pintam um quadro com as aguarelas de bandas como Arcade Fire, Bloc Party, Two Door Cinema Club e ainda pinceladas de outros grupos que fazem parte do universo indie, um universo governado por colectivos que, infelizmente, entregaram há muito tempo a sua independência aos tentáculos da pop e às teias das editoras multinacionais.

Assim sendo, e dadas as circunstâncias, os Trêsporcento são um exemplo da verdadeira personificação da palavra independente, visto todos os discos até este “Quadro” se terem mantido longe de possíveis influências editoriais. E, apesar de tudo, este álbum não foge à regra. Ainda que tenha saído com o selo da Azáfama, “Quadro” foi todo ele gravado e produzido recorrendo aos próprios meios dos elementos que constituem o colectivo.

Entrando no campo da rodela propriamente dita, deparamo-nos com uma obra de características vinculadas nas bandas acima ditadas, com recurso a guitarras, por vezes limpas, outras vezes mais sujas, mas sempre com tendência a descartar o uso de efeitos. As baterias, por sua vez, expressam-se num groove muito assente no prato de choque, enquanto o baixo desenha linhas dançáveis que conjugam com as melodias contagiantes das guitarras. Já a voz viaja pelos montes e vales da língua portuguesa, umas vezes mais poética, outras vezes mais directa, balançando entre os amores e desamores e ainda objectos e acontecimentos do quotidiano que influenciam os trajectos líricos da banda, assim como influenciaram outrora o seu nome de baptismo.

Quem acompanhe as rádios que se debruçam sobre a música nacional certamente conhecerá «Veludo», o primeiro single de “Quadro”, ao qual se seguiu «Cascatas» – duas canções que transparecem da melhor forma a identidade e as linhas através das quais a banda se rege. De um modo geral, a dúzia presente em “Quadro” vem aviada de forma homogénea, fluindo de forma coesa, sem quebras, numa narrativa coerente. Os Trêsporcento continuam assim a sua travessia por mares do indie rock nacional, sendo “Quadro” mais uma prova de que a música portuguesa está de boa saúde e recomenda-se!



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