“Tríptico” | Karin Slaughter

“Tríptico” | Karin Slaughter

Eis Slaughter, finalmente!

Se pensarmos que no universo policial estão por cá editados praticamente todos os bons e maus autores, é incrível pensar que, até Outubro deste ano, nem um só livrinho de Karin Slaughter se podia encontrar numa livraria cá do burgo escrito em bom português.

É por isso que a notícia da publicação de “Tríptico” (Topseller, 2013), o primeiro thriller da série Will Trent, caiu como uma refrescante chuvada num terreno seco e gretado para os amantes do género policial residentes na Lusitânia. Mas as boas notícias não ficam por aqui. “Fraturado”, o segundo livro da série, tem já publicação garantida para o próximo ano – a série vai, actualmente, em nove livros.

Michael Ormewood é um detective da Polícia de Atlanta, que esteve na guerra do Iraque e não encontra grandes distinções entre o exército e a polícia. Quando é chamado à cena de um homicídio num bairro social, depara-se com uma das mortes mais brutais de toda a sua carreira: Aleesha Monroe, uma prostituta dos seus 30 anos, está caída nas escadas de um prédio, mutilada e numa poça formada pelo seu próprio sangue.

Com a suspeita de que este crime possa estar ligado a dois outros ataques violentos ocorridos sobre mulheres adolescentes, o Georgia Bureau of Investigation é chamado a intervir na pessoa do agente Will Trent, que vive num estado de autismo não declarado que não o impede de ser um dos mais brilhantes investigadores da força. Trent e Ormewwod irão antipatizar de imediato, antipatia que se tornará ainda mais forte quando entrar em cena Angie, uma agente que trabalha escondida sobre a identidade de uma prostituta com já muitos anos de má vida.

Paralelamente seguimos a história de Jonathan Winston Shelley que, aos 15 anos, foi julgado como adulto e condenado pelo assassínio de uma miúda de 15 anos. Vinte anos depois Shelley sai em liberdade, para descobrir que alguém manteve a sua identidade num grande rodopio ao longo dos vinte anos em que esteve na prisão, tornando-o agora no principal suspeito pelos recentes crimes ocorridos.

Karen Slaughter oferece uma história plena de suspense e com um ritmo estonteante, impressa em cenários que por vezes se lêem como um valente murro no estômago. Mais do que promover no leitor a caça ao assassino – que a há – ao bom estilo policial, Slaughter oferece um magnífico retrato sobre a justiça e as suas falhas, bem como sobre o uso abusivo do poder e a dificuldade de reconstruir uma vida depois de uma condenação grave.

“Tríptico” tem também o mérito de criar personagens que se sentem de carne e osso e que, ao longo do livro, evoluem emocionalmente, partilhando fragmentos de personalidade e ajudando-se, de forma quase invisível, a tornarem-se pessoas de corpo inteiro. Um dos grandes policiais com edição portuguesa em 2013.



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