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Tuesday Night Band Practice

“Se és famoso porque não estás morto?”

Upa, que isto bate… forte e feio, meus amigos! A linguagem não se sacode grosseira ao acaso, não tanto mais quando falamos daquelas paixões que fervem e fazem virar do avesso a roupa, os cabines e a pele: moda e rock and roll! Não, não temos meninas manequins e bateristas de bandas de cabedal aos beijinhos, temos antes a criatividade e arrojo de 4 bons rapazes que cruzam continentes, da Inglaterra-mãe à Austrália-filha, para nos trazer a combinação de costura e inspiração rockeira.

Aqui a vénia cai-lhes porque não criam oficialmente para um Dave Navarro. Nem patrocinam vocalistas tatuados. Ganham pela homenagem que lhes veste a inspiração, retirada de bandas e autores de culto que já não estão entre nós, permitindo-nos envergar um pouco de melodia e carisma para sempre admirados. É por eles imortalizada a passagem de senhores que perdemos de forma radical, mas que nos deixaram o coração nos ouvidos, desde que escutámos um “Smells Like Teen Spirit” ou um mais antigo “Purple Haze”. A Tuesday Night Band Practice (TNBP) é – digamos – uma nova casa de costura e ilustração onde se ouve música alta, com guitarradas, baixos e baterias pesadas que fizeram história, agora contada nos sons, tecidos, desenhos e pontos finos que estes designers apresentam um pouco por todo o mundo.

Se houve um Clube dos Poetas Mortos, a TNBP é o novo Clube dos Rockeiros Perecidos. Uma banda de criativos que começou a ensaiar o cheiro a Woodstock e a Lolapalooza, transportando-o para as  suas peças, que não são glamourosas, são new grunge e inquitantemente sensuais e duras como o Rock. Cada um dos designers toca um instrumento, ouvem o mesmo tipo de música, conheceram-se por Ela enquanto a ouviam e a escreviam – temos instrumentistas e letristas – como Odes a Alice in Chains, Melvins, Stone Temple Pilots, The Doors ou Sex Pistols. Todas as terças-feiras à noite reuniam-se para isto mesmo, para ensaiar. Até que as conversas se foram estendendo a um exercício mais complexo que a sessão de garagem, conduzida pela paixão por ícones do rock, pelo design, ilustração e moda – que os marca individual  profissionalmente.

Vemos música em quase toda a parte, mesmo cada desfile vive dos designs rosto da estação, com uma música a compor a dança da passerelle. A música respira-se e vê-se experimentada até mesmo entre a Zara e Pull and Bear, com t-shirts mais ou menos clichè, mas que formam um sorriso acessível. Mas, acima de tudo, o que deu origem e torna as colecções TNBP nada lineares é a forma como é dada a interpretação da moda e do design sob estas inspirações/aspirações musicais. Designers aspirantes a rockeiros, amantes de bandas lendárias e, sobretudo, lendas mortas – quase todas elas, coincidentemente, mortas aos 27 anos… fosse pelo alcoól, drogas, suicídio ou outros eventos menos afortunados, que os remeteram para a imortalização. Eles vivem esse Clube, essa música e as palavras certas para os acordes que agora se vestem cá fora, fora dos pensamentos do quarto e da vida nos phones.

T-shirts com estampados elaborados, porque se parecem pinturas e daqueles sketches borrados que não queremos estragar, porque está ali um Layne Staley visto por novos olhos; por baixo de casacos que lembram cabedal estilizado em corte, vindo e fecho… estilo duro, mas elegante, sempre aspiracional como o poder que se traz nos ombras das camisas e blazers, que malham bem sobre um denim sujo e desbotado. Há uma imagem de jogo, vemos um tipo como um riff, há beleza, sensualidade  e há ferocidade a fazer subir as hormonas. Sim, é sexy. Sexy e inteiramente masculino. Os acessórios rimam na perfeição com cada colecção e… cada tema. É que estes senhores vão para a inspiração gráfica partindo até de demo tapes nas quais vão trabalhando ao longo do ano. Músicas deles e músicas dos outros, partilhadas em vinil e num blog actualizadíssimo, que eleva ao espoente máximo a forma apaixonante do estrelato… daquele que sobe mais alto do que os olhos, ouvidos, flashs, revistas, pautas. Mas fica para sempre no céu.



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