TwinPeaksFireWalkWithMe

“TWIN PEAKS: FIRE WALK WITH ME”

Surrealismo penoso e aborrecido.

O filme que se pretende como a “prequela” da famosa série de televisão de David Lynch, “Twin Peaks”, onde se expõe o drama que levou à morte da jovem Laura Palmer, ponto de partida para a série. Um dos mais estranhos e surrealistas filmes do realizador.

Tudo no filme “Twin Peaks: Fire Walk With Me”, de David Lynch, é uma decepção. Não é o pior filme alguma vez feito, apenas parece ser. São 135 minutos em que somos transportados para um estado de morte cerebral induzida, um efeito facilmente conseguido, em metade do tempo, se olharmos fixamente para as luzes da árvore de natal, a piscar.

"Devido ao uso repetido de longos dissolves, em que as imagens de uma cena se mantêm no ecrã, por baixo das imagens da cena seguinte, o filme aparenta ser uma confusão indiferenciada de story lines e alucinações”.

“Devido ao uso repetido de longos dissolves, em que as imagens de uma cena se mantêm no ecrã, por baixo das imagens da cena seguinte, o filme aparenta ser uma confusão indiferenciada de story lines e alucinações”.

 

Já tendo contado a história do declínio de Laura Palmer recorrendo ao uso de flashbacks, Lynch e Robert Engels, que colaborou com ele no guião, decidem agora contar a mesma história mais ou menos de forma cronológica. Algumas personagens da série de televisão aparecem no filme. terrível verdade sobre “Twin Peaks: Fire Walk With Me” é que David Lynch está novamente a desencantar as mesmas profundidades do mesmo tipo de surrealismo que parecia mais fresco e engraçado no seu primeiro filme, “Eraserhead.” As personagens são introduzidas e desaparecem sem nenhuma razão aparente, nem mesmo mística. Parece mais provável que actores do calibre de Kiefer Sutherland e David Bowie e o próprio Lynch, tenham sido acomodados no filme por tempo limitado, para introduzir matérias do oculto.

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Em determinado momento ele tenta justificar as suas credenciais surrealistas, ao mostrar uma imagem rápida de um cavalo branco que estava pacientemente na sala de Laura Palmer. Se estivéssemos a falar de Buñuel isto poderia resultar.

A imaginação do realizador, neste filme, está em modo de espera. O filme começa com o homicídio de Teresa Banks (Pamela Gidley), uma jovem mulher cuja morte prevê o destino de Laura Palmer, uma atraente estudante do ensino secundário, que, interpretada por  Sheryl Lee,  mais parece uma mulher de 35 anos. Coitada da Laura, que snifa cocaína e que nunca aprendeu a dizer não.

No início do filme, Lynch faz um cameo prolongado como um agente do F.B.I. que grita muito porque é surdo, e que vê na morte de Teresa Banks premonições da mortalidade da civilização. Ele atribui o caso a dois agentes estranhos interpretados por Kiefer Sutherland e, Chris Isaak, que desaparece cedo no filme, para ser substituído pelo certinho agente especial Dale Cooper (Kyle MacLachlan), que parece ter aparecido sem qualquer razão para tal.

Grande parte do filme é ocupado com a crescente histeria de Laura, que tenta arranjar mais cocaína, para acalmar os vários namorados, e para os pesadelos obscenos que tem com o pai (Ray Wise), fazerem sentido.

Devido ao uso repetido de longos dissolves, em que as imagens de uma cena se mantêm no ecrã por baixo das imagens da cena seguinte, o filme aparenta ser uma confusão indiferenciada de story lines e alucinações.

Até os excêntricos toques à la David Lynch se tornam aborrecidos.

Um filme de revirar os olhos e a mente, de tão penoso que é.

Título original: Twin Peaks: Fire Walk with Me
Realizador: David Lynch
Elenco: Sheryl Lee, Moira Kelly,  David Bowie,  Chris Isaak, Harry Dean Stanton,  Ray Wise e  Kyle MacLachlan

Género:  Drama, Fantasia, Terror
Outros dados: EUA|FR; 1992; 135 min; Cor

Distribuição: Midas Filmes

 

 



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