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Uivo

Filme de abertura do Queer 2011.

Há 15 anos que o Queer Lisboa tem sido fundamental na divulgação de cinema gay e lésbico. O Cinema correspondente a esta temática, e que é apelidado de cinema Queer, não é de fácil acesso para o grande público, estando na sua maioria afastado dos circuitos comerciais.

Na abertura deste 15º aniversário, a responsabilidade de abrir as hostes coube a “Uivo”, título retirado do poema de Allen Ginsberg de 1955. E à semelhança do “uivo” que o poema de Ginsberg foi para a sua geração, a geração beat, podemos dizer que a escolha também soou como um “uivo” para todos os visitantes do festival. Um uivo que espelha o trabalho de 15 anos e que se mostra esperançoso em continuar a fazê-lo por muitos mais.

A narrativa do filme divide-se em três grandes partes que se vão alternando entre si. Sendo elas a declamação do poema “Uivo” pela voz de James Franco (na pele do poeta), ora para uma plateia, mas não uma plateia qualquer, a da sua vida, ora seguindo as suas palavras que atravessam o mundo em imagens de animação.

Outra das partes, baseada em gravações do poeta, tenta recriar, em jeito documental, uma entrevista. Por fim, assistimos também ao célebre julgamento referente à publicação de “Uivo”. Onde o poeta Lawrence Ferlingh, editor do poema, foi preso e acusado de publicar material obsceno. Não deixa de ser irónico que a acção que mais contribui para a divulgação de uma determinada obra seja precisamente aquela que tem por motivo a sua condenação moral e, por consequência, extinção da face da Terra.

Jeffrey Friedman e Rob Epstein são dois nomes mais conhecidos pelos seus trabalhos no cinema de documentário. Neste “Uivo” exploram juntos pela primeira vez, ainda que baseada em eventos reais, a realização de uma longa-metragem de ficção.

James Franco continua a provar que é uma referência cada vez maior na sua geração e que não tem receios no tipo de desafios com que se depara. Na pele de Allen Ginsberg volta a ser um dos pontos mais altos do filme em que participa (a última vez tinha sido em “127 horas”).

No leque de secundários há também nomes de referência, tanto nos actores (David Strathairn, Jon Hamm, Mary-Louise Parker, Jeff Daniels), como nas personagens (Jack Kerouac, Neal Cassady, Lawrence Ferlinghetti, Carl Solomon).

Como filme, “Uivo” trata-se de uma peça bastante heterogénea, contendo tanto traços de documentário como de animação e ficção. No entanto acaba por ser nas palavras que reside a sua maior força e não na cinematografia. São os vários “uivos” de Ginsberg que ecoam durante todo o filme que nos hipnotizam e comovem mais. Aqui as palavras prevalecem sobre a imagem, sempre.



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