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“Um Céu Sempre Azul” | Thomas McGuane

Um homem em (sérios) apuros

Referindo-se a Thomas McGuane, Saul Bellow disse tratar-se de “uma estrela da linguagem”. Para quem leia “Um Céu Sempre Azul” de uma ponta à outra, o mais provável será aceitar a observação de Bellow e propor, sem recurso a qualquer equivalência, a atribuição do grau de mestre ao escritor norte-americano – tal não é a subtileza com que baralha e mistura poesia com ironia, sarcasmo com emoção, seriedade com um humor negro e despreocupado.

Frank Copenhaver é um homem de negócios extremamente bem-sucedido, que sabe antecipar as flutuações de mercado e jogar no risco sem bater com as pestanas umas nas outras. Porém, quando a sua mulher faz as malas e sai de casa, Frank entra numa espiral onde só o termo “descendente” parece fazer sentido: perde o faro pelos negócios, descura o património, abre uma autoestrada para a falência e envolve-se em relações amorosas que fazem o triângulo parecer uma brincadeira de crianças. A única forma de manter a sanidade é a paixão pela pesca, aqui vista como um simples acto recreativo onde nenhum peixe acaba no forno ou na frigideira.

O livro é também uma fábula sobre a redenção, sem necessariamente abraçar o cânone que vai do arrependimento à conversão. Frank é um tipo com que nem sempre é fácil de simpatizar, um hippie que, como tantos outros, acabou por abraçar a via consumista e passou a amealhar dólares como se não houvesse amanhã. Porém, ao fim de algum tempo, não hesitaríamos em convidá-lo para um copo e dois dedos de conversa. “Não há nada mais idiota do que recomeçar a partir de onde se tinha ficado”, lê-se a certa altura. Não podíamos concordar mais.

Uma edição Quetzal



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